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Sexta-feira, 29 de novembro.

Primeira Leitura: Lula promete controlar a inflação a todo custo.

Ela voltou

A inflação medida pelo IGP-M atingiu 5,19% em novembro. É a maior taxa desde agosto de 1994, logo depois da implantação do Plano Real. Os preços no atacado subiram 6,73% e, no varejo, 2,51%. O número, que estava no teto das previsões do mercado, serve para corroborar a tese de que a inflação está de volta.

Espírito do tempo

Segundo Juarez Rizzieri, coordenador adjunto da Fipe, o espírito inflacionário que sobrevoava a economia antes do Real está sendo ressuscitado. O problema, na visão do economista, é que diminui o espaço para negociações que reduzam o repasse da alta de preços, da indústria alimentícia para os supermercados, por exemplo.

O ano que já acabou

Assim, se em 2003 o Brasil não tiver uma safra agrícola muito favorável, "o cenário inflacionário poderá ser ainda pior. Até porque boa parte da [meta de] inflação do ano que vem já está comprometida pelo impacto da alta dos IGPs sobre as tarifas públicas", explicou Rizzieri. Traduzindo: é o impacto da alta do dólar.

Demanda

O lado bom da queda do real, que é o incentivo à exportação, também tem um aspecto perverso e inflacionário: a redução da oferta, com a queda das importações e aumento das vendas ao exterior, está fazendo surgir um típico fenômeno de inflação de demanda.

É Natal

Isso acontece quando a indústria não consegue atender a todas as encomendas. No mercado interno, há o Natal e aumento das vendas em alguns setores - produtos siderúrgicos para a construção civil. No lado externo, tem-se o aumento das exportações.

Poucos e bons

Não é um fenômeno generalizado, claro. Indústrias como a eletroeletrônica e a automobilística, que dependem de crédito e renda, estão às moscas. Mas já há inflação de demanda em setores importantes, com reflexos importantes para o resto da economia.

Dominó

O setor siderúrgico, por exemplo, tem impacto sobre as indústrias automobilística, eletroeletrônica e de construção civil. O setor de papel e papelão afeta a maioria das outras atividades, por causa das embalagens.

E, altamente endividados, esses setores não têm fôlego para novos investimentos - que, de resto, levam dois, três, até cinco anos para começar a produzir.

Milhão

Na agricultura acontece algo parecido. Já há escassez de milho, que afeta a produção de frango e outros alimentos. Os agricultores preferem exportar e já estão negociando a safra que ainda vai ser colhida em 2003.

Last but...

A complexidade dessa equação, que marca a convivência entre choques de custo e várias inflações de demanda localizadas, representa uma armadilha para o futuro governo. Como Primeira Leitura já disse, o governo Lula começa sob a égide da inflação, que o coloca contra a parede.

...not least

Juarez Rizzieri lembra também que, para complicar, os empresários alimentam a expectativa de que o governo Lula será menos rigoroso com a inflação, dado os seus compromissos com o crescimento e os investimentos na área social. Ele defende uma "ação rápida" para frear os aumentos de preços.

Assim falou...Lula

"Posso dizer com segurança que o controle da inflação será mantido a todo custo no novo governo."

Do presidente eleito, através de seu porta-voz, André Singer, reafirmando o compromisso do partido com o controle da inflação e o otimismo de Lula sobre a queda do índice.

Tudo é história

Lula ganhou uma caneta que pertenceu ao metalúrgico Santo Dias, morto pela polícia em 30 de outubro de 1979, em um confronto com grevistas na frente da fábrica da Silvanya, em São Paulo. Ex-bóia-fria, Dias era membro da Pastoral Operária. A caneta estava em seu bolso quando ele foi baleado e foi presente do advogado e deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, que representou a família no processo movido contra o Estado.

"Eu disse a Lula que, quando ele subisse a rampa do Planalto, pensasse nas pessoas que morreram para que vivêssemos o momento que estamos vivendo", disse o deputado, que pediu ainda a Lula que assine o termo de posse com essa caneta. Lula certamente o fará. O problema é que Lula terá de usar a mesma caneta, metaforicamente falando, para assinar medidas nada simpáticas, como aumentos de impostos e da taxa de juros.

Revista Consultor Jurídico, 29 de novembro de 2002, 9h34

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