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Quinta-feira, 28 de novembro.

Primeira Leitura: Tucanos se irritam com os deputados do PT.

Um espectro ronda...

O governo Lula vai começar sob a égide da inflação. Por enquanto, o PT nega o problema. Ou, nas palavras de André Singer, porta-voz do presidente eleito, o repique inflacionário, ocorrido nos últimos meses, "decorre de uma bolha especulativa que será rapidamente superada" e que, portanto, "não vai representar uma volta da inflação a partir do ano que vem".

...o Planalto

A versão de que a inflação é uma bolha entra em choque com índices como o IPC da Fipe, divulgado ontem, que atingiu 2,4% na terceira prévia de novembro, a maior taxa desde agosto de 1995.

Os grupos alimentação (+6,14%) e transportes (+2,76%) foram os que mais pressionaram o índice. A Fipe reviu a projeção de inflação para o mês, que passou de 1,8% para 2,5%, e já avisou que, se as tarifas de ônibus da cidade forem reajustadas para R$ 1,91, como exigem os empresários do setor, a inflação no ano será de 10% no ano.

Contra a parede

No atacado, os preços também continuam em alta. Hoje, a FGV divulga o IGP-M fechado de novembro. O mercado prevê que o índice fique em cerca de 5%. Assim, a inflação vai cobrar do PT o seu compromisso com a estabilidade. Compromisso que, para o mercado, vai se traduzir em uma pressão para que a taxa básica de juros seja elevada e o sistema de metas reforçado, mesmo que a meta tenha de ser revista para cima - o que já parece inevitável.

Verão de aumentos

Na ata da última reunião do Copom, divulgada quarta-feira, o BC admite que a inflação de 2003 ultrapassará o teto da meta, de 6,5%. Mas, se elevar o juro é resposta exigida pelo mercado, essa não é a que a sociedade e, em particular, os eleitores do PT, gostariam. Até porque o mais provável é que o início de 2003 seja de perda de renda, com pagamento de impostos e reajustes das escolas, do material escolar e da alimentação.

Estresse

Foi adiada a votação da Medida Provisória 66, da minirreforma tributária. Os tucanos se irritaram com os deputados João Paulo Cunha (SP), líder do PT na Câmara, e Walter Pinheiro (PT-BA).

Depois de costurar com os governistas um acordo para a aprovação da MP - que preserva arrecadação fundamental para o primeiro ano do governo Lula -, os petistas atribuíram à herança da era FHC medidas impopulares da legislação, como a prorrogação das alíquotas de 27,5% de IR de Pessoa Física e de 9% da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).

Assim falou...Horacio Lafer Piva

"[O PT] deverá perder um ano para ter três de tranqüilidade."

Do presidente da Fiesp, que previu muita dificuldade para o novo governo em 2003 e considerou indispensável que as reformas tributária e da Previdência sejam feitas em conjunto.

Tudo é história

O PT prometia um choque de credibilidade, que acalmaria o mercado, que faria o dólar cair, que melhoraria as expectativas, que ajudaria a "controlar" a inflação, que permitiria renegociar com o FMI uma meta de superávit primário fiscal menor - dos atuais 3,75% do PIB para algo próximo de 3,5% do PIB -, que tornaria mais fácil a travessia da crise, que permitiria que o governo voltasse a se dedicar à tarefa nobre de discutir como retomar o crescimento.

Bem, o tal choque dado até agora "acalmou" o mercado em 0,41%, que foi quanto o dólar caiu da véspera do segundo turno até ontem, e a inflação vai obrigar o PT a debater temas menos nobres, como por exemplo, o que fazer para manter a estabilidade... Não é por acaso que o coordenador da transição, Antônio Palocci, diz que governar não é fácil.

Revista Consultor Jurídico, 28 de novembro de 2002, 10h03

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