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Mudança na bancada

Advogados são maioria na Câmara dos Deputados

A bancada de empresários da Câmara encolheu quase 30% na eleição de outubro e perderá o posto de segmento profissional com maior número de deputados para os advogados, na próxima Legislatura.

A bancada ruralista terá também uma redução de 30% dos seus quadros parlamentares no ano que vem. Houve crescimento das bancadas sindical e feminina. A evangélica manteve o tamanho atual. Esses movimentos decorrentes do resultado das urnas foram constatados na radiografia do novo Congresso concluída esta semana pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

O levantamento mostra que 104 empresários foram eleitos deputados federais este ano. Na eleição anterior, eles eram 143. O Diap avalia que a redução do número de representantes do poder econômico não significa, necessariamente, que o empresariado tenha perdido importância. O estudo observa que os empresários poderão influenciar o Poder Executivo com a recriação das Câmaras Setoriais propostas pelo novo governo e manterão uma grande quantidade de prepostos no Congresso.

- É comum no meio empresarial o financiamento da eleição de parlamentares para a promoção de seus interesses no Poder Legislativo - lembra o relatório do Diap.

Tendo como parâmetro escolaridade, profissão e fontes de renda dos deputados eleitos, a radiografia do perfil socioeconômico da Câmara mostra que, de forma geral, eles estão divididos em três grupos: 40% são profissionais liberais, sendo metade advogados; 40%, assalariados, divididos em uma metade do setor público e outra do privado; e 20%, empresários, que têm no rendimento de seus negócios a principal fonte de renda.

A bancada dos advogados cresceu de 92 para 107 representantes na Câmara e passou ao primeiro lugar entre os segmentos profissionais. Apesar de ter caído de 58 para 52, a terceira maior bancada continua sendo a de médicos.

Os engenheiros mantiveram-se na quarta posição, subindo de 44 para 46 deputados. Os economistas, que chegaram a eleger 27 deputados no pleito anterior, ficaram nos 19. Sendo ultrapassados pela bancada de servidores públicos, que saltou de 11 para 21.

Também houve movimentos entre as chamadas bancadas informais, que constituem grupos de pressão, reunindo parlamentares em blocos suprapartidários para defender interesses específicos. Um balanço preliminar do Diap mostra que essas bancadas - que já tiveram muito peso nas negociações, conseguindo acuar o governo em algumas ocasiões - estão decadentes. Segundo o levantamento, com exceção das bancadas sindical, feminina e evangélica, as frentes parlamentares estão chegando à próxima Legislatura menores do que saem desta.

Pelos cálculos do Diap, a Frente Parlamentar da Agricultura - conhecida como bancada ruralista - perdeu 30% de seus integrantes e estará mais fraca no próximo movimento que fará para tentar uma nova renegociação das dívidas dos produtores rurais. Também tiveram perdas as bancadas da Saúde, da Educação, da Reforma Tributária e da Bola, entre outras.

Aproveitando a onda que elegeu o ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva presidente da República, a representação sindical dos trabalhadores no Congresso passou de 44 para 60 parlamentares, sendo 55 deputados e 5 senadores. A bancada feminina foi a que mais cresceu. Passou de 35 para 52 congressistas - 42 na Câmara e 10 no Senado. E os evangélicos permaneceram no patamar de 50 deputados e ganharam dois senadores do PL: Marcelo Crivela (RJ) e Magno Malta (ES).

A avaliação geral do Diap sobre a nova composição do Congresso é de que houve avanços políticos, ideológicos e éticos em relação ao quadro atual. O que traz alento a quem espera maior prioridade para as questões sociais.

Fonte: JB On Line

Revista Consultor Jurídico, 26 de novembro de 2002, 11h39

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