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Sob suspeita

Deputado federal é interrogado pelo ministro Ilmar Galvão

O deputado federal Júlio César Gomes dos Santos (PST-MG), mais conhecido como cabo Júlio, foi interrogado na manhã desta segunda-feira (25/11) pelo ministro Ilmar Galvão. O ministro é relator do inquérito em que o cabo é acusado de ter cometido crime militar.

Cabo Júlio responde a inquérito por determinação do comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais. Ele teria liderado manifestação por melhores salários feita por policiais militares mineiros, em junho de 1997. Na ocasião, o cabo Valério dos Santos Oliveira foi morto, atingido por uma bala perdida.

O deputado afirmou que não estava na liderança do movimento e somente fez parte da comissão de negociações junto com outros oficiais, sendo ele o de menor patente. Argumentou que, talvez, pelo fato de ser pastor evangélico e já desenvolver um trabalho terapêutico com policiais em depressão, tenha sido escolhido para exercer o papel de interlocutor entre os policiais descontentes e o comando-geral da PM.

Cabo Júlio contou que, na ocasião, os policiais, que ganhavam R$ 415,00 de salário, reivindicavam um aumento de R$ 800,00. O comando-geral não aceitou e ofereceu um abono de R$ 100, 00, o que foi imediatamente recusado pelos militares.

"Foi a partir daí que a situação foi se tornando incontrolável. Recebemos ordens do comando-geral para que convencêssemos a tropa a aceitar a proposta do governo e, se não conseguíssemos, o problema seria nosso. Disse então ao coronel que seria impossível, considerando o alto grau de revolta dos policiais. Ele então me deu ordem de prisão, revogando-a horas depois", relatou o deputado.

Ele negou que tenha incitado os militares a comparecerem à passeata armados. Disse que, ao contrário do que a imprensa noticiou, orientou apenas que quem não estivesse trabalhando, que viesse à paisana e, em resposta a uma repórter que perguntou sobre os policiais a serviço, respondeu que soldado fardado não andava desarmado.

"Foi essa declaração publicada pela imprensa que deu a entender que eu tenha estimulado os policiais a virem armados", argumentou Júlio.

O deputado tem cinco dias para apresentar defesa prévia. Segundo ele, a defesa sustentará que o seu papel foi o de apaziguador dos ânimos exaltados de policiais militares com baixos salários e que o único culpado pelo triste desfecho do caso foi a explosão natural do descontentamento de uma classe.

Inq. 1.482

Revista Consultor Jurídico, 25 de novembro de 2002, 15h06

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