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Sexta-feira, 21 de novembro.

Primeira Leitura: PT promete jogar duro contra os Estados Unidos.

Market friendly

O PT aproveitou duas ocasiões quinta-feira para enviar mensagens para o mundo e os investidores externos e mostrar que fará um governo market friendly, ou pró-mercado.

Numa teleconferência para empresários e banqueiros espanhóis, Guido Mantega - assessor econômico de Lula - disse que "os investimentos externos diretos são bem-vindos e necessários" e que a futura administração federal "não adotará nenhuma medida restritiva aos investidores estrangeiros, nenhuma limitação da remessa de lucros e da entrada e saída de capitais do país".

Previdência primeiro

Para o público interno, o mesmo Guido Mantega também deu vários recados. Disse que o futuro governo já definiu a agenda de reformas que pretende implementar. A primeira será a da Previdência, "tanto a pública como privada".

Depois, vem a tributária, que ele não acha difícil aprovar, já que o tema vem sendo discutido há muito tempo no Congresso. Ou seja: a reforma tributária será a que já está no Legislativo.

O mínimo

Sobre o reajuste do salário mínimo, ele garantiu que não ameaçará as contas do país em 2003: "Não sei se o salário mínimo será de R$ 240, R$ 230 ou R$ 225, mas posso garantir que ele estará totalmente enquadrado no Orçamento para 2003".

Hay que endurecer...

Outra mensagem petista foi dada pelo próprio Lula ao secretário-assistente de Estado para América Latina dos EUA, Otto Reich. Segundo o senador eleito Aloizio Mercadante (SP), presente ao encontro entre os dois, o presidente eleito disse que seu governo, nas negociações com os EUA, "vai jogar tão duro" quanto os americanos.

...pero negociar

Depois de criticar o comportamento da administração FHC no comércio exterior, Mercadante disse que o próximo governo pretende, em quatro anos, dobrar o comércio com os EUA, hoje, segundo ele, em US$ 30 bilhões.

O senador eleito afirmou ainda que Lula pretende propor ao presidente George W. Bush, com quem se encontra em dezembro, iniciar negociações entre o Mercosul e os EUA.

A pergunta...

O PT, como se pode ver, resolveu ser "companheiro" do mercado. Ser companheiro, no caso, significa ter de executar uma política econômica que torne o país viável e solvente aos olhos dos credores.

O objetivo básico, portanto, não é combater a fome ou a miséria, mas garantir o pagamento em dia dos compromissos externos e internos.

...que não quer calar

O que dizer, então, aos milhões de sem-nada que elegeram Lula como o representante da esperança? Qual o truque para mantê-los ao mesmo tempo comportados e esperançosos enquanto se é companheiro do mercado?

A herança

A renda do trabalhador caiu pelo 21º mês consecutivo e atingiu o menor valor desde janeiro de 1995 - mês em que o presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu o governo -, descontada a inflação.

Informalidade

Em setembro, o rendimento médio das pessoas ocupadas ficou em R$ 800,29, com recuo de 2,2% em relação ao ano passado e de 0,4% na comparação com agosto. Segundo dados do IBGE, as perdas salariais atingiram todos os empregados nesse período, mas o impacto foi mais forte para os que têm carteira assinada: a retração foi de 19,22%.

Assim falou...Guido Mantega

"Não queremos acabar com o capitalismo, mas sim torná-lo mais dinâmico, mais democrático. O capitalismo no Brasil é muito fraco."

Do assessor econômico de Luiz Inácio Lula da Silva, em videoconferência com investidores espanhóis, dando o tom da nova fase do PT.

Tudo é história

O discurso do economista Guido Mantega a investidores europeus, ontem, guarda pouca ou nenhuma semelhança com o que o PT era em seu início. Em sua fundação, em 1980, o partido se dizia socialista e rejeitava a participação de empresários, com o slogan "Um partido sem patrões".

Nas eleições de 1982, o tom seguia a mesma linha: "Trabalhador vota em trabalhador". Na Constituinte de 1987, defendeu várias medidas que podem ser consideradas anti-capitalismo: estatização de bancos, reforma agrária radical, nacionalização de reservas minerais, benefícios às empresas de capital nacional. Ainda há setores no partido que se dizem socialistas e que pregam a ruptura institucional. Mas eles não mandam. Só reclamam.

Revista Consultor Jurídico, 22 de novembro de 2002, 9h43

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