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Brasil e China

Embaixador defende parcerias estratégicas entre Brasil e China

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O embaixador Sérgio Miranda-da-Cruz, representante do escritório da Organização de Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas para o nordeste da Ásia, Mongólia, Coréia do Norte, Coréia do Sul e China, afirmou que parcerias estratégicas entre Brasil e China podem trazer muitos benefícios para os dois países.

"Já existe uma cooperação aeroespacial com o Brasil na manufatura de aviões de pequeno e médio porte. Nós acreditamos que ela poderia ser expandida para a produção de álcool e açúcar, principalmente nos derivados de álcool", disse o embaixador em entrevista à Revista Consultor Jurídico.

Segundo o embaixador, "existe uma possibilidade concreta de que os dois países mantenham e aumentem o nível de intercâmbio cultural, econômico e político nos próximos anos".

Leia a entrevista:

Quais são as suas impressões sobre o desenvolvimento industrial na China e o que poderia ser implementado nas relações com o Brasil nessas parcerias e cooperações?

A China passou por um desenvolvimento acelerado nos últimos anos e encontra atualmente alguns desafios para continuar crescendo de uma forma elevada e de maneira sustentável. E nesse processo de vencer os desafios, ela busca parceria estratégica em todos os lugares do mundo. Hoje, as parcerias mais importantes com países de um nível de desenvolvimento industrial mais elevado.

Nós entendemos que essas parcerias podem ser estendidas a países como o Brasil e a países com nível de desenvolvimento parecido. Já existe uma cooperação aeroespacial com o Brasil na manufatura de aviões de pequeno e médio porte. Nós acreditamos que ela poderia ser expandida para a produção de álcool e açúcar, principalmente nos derivados de álcool.

Já existe uma preocupação pelo lado do Brasil e um interesse ainda maior por parte do governo chinês. Pode ser estendida para o setor de serviços. A área de turismo é muito importante, onde uma parceria entre o Brasil e a China seria de benefício enorme para os dois países.

Na área de serviços, tecnologia e nas operações dos bancos, o Brasil por uma razão ou outra desenvolveu o setor de uma forma muito rápida e efetiva. Hoje, a China precisa de tecnologia não só nessa área, mas também na de análises de projetos e empréstimos.

Nós acreditamos que o Brasil possa cooperar também em algumas outras atividades, como na urbanização. Hoje temos centros de planejamento urbano bastante avançados, por paradoxal que possa parecer. O Brasil poderia se beneficiar desta atividade.

A China, nos últimos anos, investiu na atração para uma região, empresas específicas, setores industriais e de serviços muito específicos, e foi bastante exitosa em pelo menos cinco a dez, entre os 60 desenvolvidos. Algumas regiões brasileiras bem estudadas podem provocar hoje um processo de desenvolvimento parecido com o que houve através dessas zonas de desenvolvimento econômico acelerado. Por exemplo, citamos três, com sucesso na China: Xangai, Shengzhen e Tianjin.Seria um grande benefício ao setor produtivo no Brasil.

A Unido está fazendo aqui na China um modelo parecido ao que Inglaterra está fazendo, da formação de agências de desenvolvimento regional. Como isso, poderia ser aplicado no Brasil?

De alguma maneira, o mundo acadêmico acreditava que as agências de desenvolvimento regional assim como os bancos de desenvolvimento fossem instituições interessantes ou válidas durante um período. Uma vez atingidas o nível de crescimento satisfatório, eles já não seriam mais necessários. E em grande parte do mundo, essas agências e bancos de desenvolvimento foram fechados ou incorporados a outras instituições. Por paradoxal que possa parecer, novamente, uma tendência no mundo chamado industrializado, usa de mecanismos inclusive destas agências de desenvolvimento regional, de bancos, para provocar um processo de desenvolvimento mais rápido para agregar valores ao setor produtivo, seja ele industrial ou de serviços, de uma maneira mais sistemática.

Então, esta experiência que está ocorrendo na Inglaterra nos últimos três anos, no Canadá e em diversos lugares do mundo, inclusive na China, nós acreditamos que poderia ser perfeitamente revista pelas autoridades brasileiras. Para que se pudesse utilizar não só esta experiência, mas a existente no Brasil, que de alguma maneira deixou para trás nos últimos anos, para acelerar um crescimento e um desenvolvimento sustentável no país.

No Brasil tivemos recentemente uma eleição. Um novo presidente uma nova equipe mudando historicamente a estrutura do Poder no país. E na China a realização do 16º Congresso do Partido Comunista chinês causa também uma expectativa de mudança. Quais são as suas impressões sobre a realização do congresso do partido comunista chinês e o que isso pode apresentar de mudança na China?

Eu diria que na China, as eleições vão levar a uma modificação da estrutura de gestão do país. Vão ser indicados novos dirigentes. Faz parte de um processo de abertura não só político, mas também na área econômica. Nós vemos essa como uma oportunidade muito grande, já que vai haver já a partir de janeiro, uma modificação também no governo do Brasil. Existe uma proximidade entre o partido comunista chinês com os novos dirigentes do Brasil.

O futuro presidente esteve aqui, a convite e em visita oficial ao partido, conheceu a China. Olhando do ponto de vista não só político, mas principalmente econômico, existe uma possibilidade concreta de que os dois países mantenham e aumentem o nível de intercâmbio cultural, econômico e político nos próximos anos. Então o momento é muito oportuno para que se aumentem as relações e os contatos entre os dois países.

Quais são as suas impressões sobre esta China de hoje?

É um país fantástico. É o país com o maior desenvolvimento do mundo. É o país com a maior população do mundo e que naturalmente tem crescido de uma maneira surpreendente nos últimos 25 anos e enfrenta desafios também gigantescos. A Agência das Nações Unidas, que eu represento, está aqui exatamente para tentar fazer com que estes vários desafios sejam de alguma forma equacionados pelo governo e orientados de uma maneira que leve ao desenvolvimento industrial sustentável.

Talvez, hoje, nós sejamos os principais conselheiros do governo da China, na área de desenvolvimento industrial sustentável e temos uma relação bastante próxima com as autoridades. Estamos fazendo com que agentes tragam para o país experiências observadas em outras partes do mundo, inclusive no Brasil, no Mercosul. Nós acreditamos que essa troca de experiências orientadas por uma instituição neutra, das Nações Unidas, possa estar e ser ainda mais vantajosa dentro deste processo de busca de um desenvolvimento industrial sustentável.

A China é um país interessantíssimo, se desenvolveu muito e tem alguns problemas decorrentes do rápido processo de desenvolvimento. Enfrenta algumas dificuldades, que a comunidade internacional junto com a comunidade local tenta equacionar de uma forma orientada.

 é colaborador da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 14 de novembro de 2002, 14h14

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