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14 novembro 2002
Evento internacional
Colunista critica excessos de imprensa em denuncismo
Walter Ceneviva, advogado e colunista da Folha de S. Paulo, avalia que a imprensa investigativa tem cumprido bem o seu papel, mas há excessos a serem eliminados, principalmente quando se trata de preservar a dignidade de inocentes. "Seria injusto ignorar, porém, que muitas notícias são fornecidas deliberadamente por autoridades, em busca de notoriedade, sobretudo da Polícia e do Ministério Público, às vezes em intercâmbio espúrio de favores com o mau jornalismo", critica Ceneviva.
Ele fará palestra sobre o tema "Dois 'ismos' perigosos: denuncismo e sensacionalismo", na próxima quinta-feira (7/11), no Seminário Internacional "Imprensa Investigativa - sensacionalismo e criminalidade", promovido pelo Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal, com o apoio do Superior Tribunal de Justiça. O evento acontecerá nos dias 7 e 8 de novembro, das 8h às 17h, no auditório do STJ. A entrada é gratuita.
Ceneviva considera que a liberdade de imprensa é essencial para a democracia, e, portanto, não deve ser restringida. Mas ele defende a punição por excessos cometidos, com o devido cuidado em não transformar o dano moral em "imoralidade autônoma", apenas com o objetivo de enriquecimento. Ele condena a veiculação indiscriminada da violência pela mídia, que pode ser um fator de estímulo à criminalidade.
"A mídia eletrônica, nos filmes ou séries importados contendo violência e brutalidade, até em "cartoons", banaliza os piores crimes. Programas que pregam a punição violenta de acusados, expondo situações degradantes, antes da condenação final, são outro mal a ser evitado," opina.
O Seminário Internacional deve discutir o papel da imprensa na era da globalização, com ênfase no sensacionalismo e na criminalidade. A abertura do evento será feita pelo presidente do STJ e CJF, ministro Nilson Naves e a conferência inaugural será proferida pelo presidente Emérito da Corte Constitucional Italiana e diretor da Radiotelevisiva Italiana (RAI), Antonio Baldassarre.
Revista Consultor Jurídico, 14 de novembro de 2002
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