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Quarta-feira, 13 de novembro.

Primeira Leitura: Palocci promete luta implacável contra inflação.

Até isso

A divulgação de três índices nada animadores terça-feira marcou a queda do último baluarte da estabilidade econômica do malanismo durante a era Fernando Henrique Cardoso: o controle da inflação.

Recordes

O IPCA, utilizado pelo BC como referência para as metas de inflação, atingiu 1,31% em outubro, praticamente o dobro de setembro. O IPC da Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo, chegou a 1,55% na primeira quadrissemana, o índice mais alto desde agosto de 2000. O IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas, disparou: 4,21%, o maior desde fevereiro de 2000, época da desvalorização do real.

Tempestade

O mercado reagiu mal às notícias. O dólar subiu 2,79% e fechou a R$ 3,61. A Bovespa fechou em queda de 1,67% e o risco-país disparou 4,38%, atingindo 1.808 pontos.

Ação

A divulgação dos índices disparou o debate sobre a reindexação da economia. A Força Sindical discutiu a volta do gatilho salarial - que leva a reajustes sempre que a inflação chega a determinado índice.

O presidente da central sindical, Paulo Pereira da Silva, disse ser contra a idéia, mas propôs algo semelhante: que a reposição salarial fosse discutida toda vez que a inflação acumulasse 8%.

Reação

O coordenador da equipe de transição do governo do PT, Antônio Palocci, prometeu "um trabalho de luta implacável contra a inflação", mas foi obrigado a dizer também que a indexação dos salários deve ser evitada.

Boas intenções

Segundo Palocci, a alta generalizada de preços será atacada por meio do "desenvolvimento sadio da economia" e não por restrições impostas pelo governo. Muito bonito. Mas como é que se faz isso, mesmo?

Uma nota só

Palocci, aliás, tem sido a única coisa de concreto neste prelúdio de governo Lula. A maioria das idéias trombeteadas na campanha como salvadoras, redentoras mesmo, começam a girar em falso.

Pescador de ilusões

Uma é o pacto social, o canto de sereia com que o PT sonhou - e sonha ainda - congelar as demandas sociais cuja temperatura ele mesmo se encarregou de aumentar durante a campanha eleitoral.

Transição...

A outra é a tal transição, que se encarregaria de preparar já o trampolim para o início de um governo petista, diferente do que há aí. De fato mesmo, o que se tem? Antonio Palocci como o samba de uma nota nó da credibilidade.

...para o quê?

Só para lembrar, pouco antes da eleição o PT fazia alarde com a notícia de que a equipe de transição seria anunciada apenas dois dias depois da votação. Até agora, o que se tem? Pouco, quase nada.

Assim falou...FHC

"Eu vou ter um mês de governo. Pobre de quem vai ter quatro anos."

Do presidente Fernando Henrique Cardoso, a um jornal português, deixando claro que o MST, que anunciou uma onda de invasões de terras até o fim do ano, é um problema do próximo governo, ou seja, de Luiz Inácio Lula da Silva. A quem FHC lembrou, também, que o controle inflacionário é requisito para a popularidade de qualquer governante.

A história se repete

A fala do presidente do Fed, Alan Greenspan, no México, ontem, criticando os países que construíram uma vulnerabilidade externa muito elevada, não é exatamente novidade. Em outubro do ano passado, Greenspan já havia desferido um duro golpe no neoliberalismo e no Consenso de Washington, ao dizer em um discurso que o uso excessivo de recursos de curto prazo para financiar obrigações de longo prazo é "um combustível aguardando a explosão".

Tanto pior, destacou, então, se "as reservas de moeda estrangeira são inadequadas, e as taxas de câmbio são fixas".

Tal vulnerabilidade pode aumentar a probabilidade "de default e potencial contágio em mercados emergentes", afirmou. Terça-feira, Greenspan apenas confirmou aquilo que anunciara em outubro: países que se preservaram mais, como Chile e México, estão em melhor situação.

Os que se expuseram ao máximo, como Brasil e Argentina, estão arrebentados. Pode-se até argumentar que o México não fez todas as reformas que podia. Mas o país não está à beira da moratória.

Revista Consultor Jurídico, 13 de novembro de 2002, 10h22

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