Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Quarta-feira, 6 de novembro.

Primeira Leitura: Sarney pressiona seu partido para apoiar Lula.

Rumo ao governo Lula

O PT avança rumo à montagem de sua base de apoio no Congresso. Antes mesmo da reunião entre a cúpula do PMDB com os cinco governadores do partido, em Brasília na tarde de terça-feira, o líder do PT na Câmara, João Paulo Cunha (SP), anunciou que petistas e peemedebistas fecharam um acordo sobre as Mesas do Congresso. Segundo Cunha, a presidência da Câmara caberá ao PT, e a do Senado, ao PMDB.

Sarney, Renan, Ramez

A escolha dos nomes ficaria a cargo de cada um dos partidos e seria respeitada pelo outro. Esse arranjo enfraquece a posição do senador José Sarney (AP), que tenta se viabilizar como o candidato do PMDB e conta com a simpatia de Lula. Assim, crescem as chances de Renan Calheiros (AL) e Ramez Tebet (MS). Sarney, de todo modo, continua pressionando seu partido a aderir ao novo governo.

O Sul com Lula

O acerto não diz respeito à participação dos peemedebistas na base de apoio do governo de Luís Inácio Lula da Silva, mas a tendência é que o partido vá nessa direção. Pelo menos três dos cinco governadores do PMDB - Germano Rigotto (RS), Luiz Henrique (SC) e Roberto Requião - já defenderam publicamente que a legenda componha com o PT, dando ao novo governo uma base total de 294 deputados (soma das legendas já aliadas aos petistas com o PMDB).

Maioria mesmo

É mais do que a maioria absoluta, 50% dos votos mais um (ou 257), e muito perto da maioria qualificada de três quintos da Câmara (308 deputados), necessária para aprovar reformas constitucionais.

O mercado gostou...

A notícia da consolidação de uma base parlamentar para o governo Lula, indicando melhor perspectiva de governabilidade, teve impacto imediato no mercado.

Depois de operar em alta durante a maior parte do dia, o dólar inverteu a tendência no fim da tarde e fechou em baixa de 0,14%, cotado a R$ 3,525 - a quinta queda consecutiva.

...Mas quer mais

O patamar de R$ 3,50 é o piso possível na situação atual. Para que a moeda americana vá para baixo desse nível, é preciso uma mudança de qualidade importante na discussão política - como é o caso do acordo PT-PMDB, ou uma notícia de forte impacto, como o anúncio de uma nova equipe econômica que agrade ao mercado.

Quem diria!

Por razões opostas e combinadas, o ministro chefe da Casa Civil, Pedro Parente, e o coordenador da equipe de transição do governo Lula, Antônio Palocci, afinaram o discurso nesta terça. Em defesa dos famosos bons fundamentos da economia, Parente declarou que a alta dos preços deve ser vista apenas como uma bolha inflacionária decorrente da alta do dólar.

Já Palocci disse que, mesmo com a atual política de preços dos combustíveis, não vê motivos para novos reajustes de preços da Petrobras, pois o dólar está em queda.

Herança macabra

Enquanto isso, na economia real, a inflação medida pelo IPC em São Paulo ficou em 1,28% em outubro, a maior desde agosto de 2000. Segundo o coordenador da pesquisa, Heron do Carmo, a alta do dólar vai contaminar a inflação até 2004, por causa do impacto no IGP-M, indexador utilizado para corrigir aluguéis e tarifas.

Assim falou...Jarbas Vasconcellos

"Não tem sentido o PMDB apoiar Sarney. Ele não é do PMDB nem nunca foi".

Do governador reeleito de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), admitindo a articulação de seu partido com o PT para a Presidência do Senado, mas tentando escantear o ex-presidente José Sarney da discussão. Faltou acrescentar: também nunca foi do Amapá.

A história esquecida

A bancada do PT na Câmara vai retirar emendas a 11 Medidas Provisórias que criam reajustes para servidores federais. Grande parte das nada menos que 558 emendas foi proposta pelos próprios petistas. Referindo-se à mudança de posição, o vice-líder do PT na Câmara, professor Luizinho (SP), disse que "o governo eleito não tem previsão orçamentária para aumentos de custos com servidores em 2003".

Depois de recuar na questão do salário mínimo, depois de ele mesmo propor o valor de R$ 240 em abril do ano passado, o PT agora volta atrás também numa bandeira histórica, que é a recomposição salarial dos servidores públicos. Antônio Palocci, coordenador da equipe de transição, confirmou outra mudança de posição do PT. Disse que a tendência é manter a alíquota de 27,5% do IR. E usou o mesmo argumento: o Orçamento.

Revista Consultor Jurídico, 6 de novembro de 2002, 10h02

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 14/11/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.