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Exemplo argentino

Núcleo orienta jornalistas a investigar casos de corrupção

Um astrolábio fabuloso, a apontar os países latino-americanos para onde mais se dilata o império da corrupção, e uma ferramenta indispensável a jornalistas investigativos – magnificando esses casos à enésima potência –, o núcleo argentino Periodistas Frente a La Corrupción, ou PFC , está completando o seu ano e meio de existência. Nascido de uma publicação (a revista Probidad), o sítio hoje conta com 575 correspondentes em toda a América Latina. A cada dois dias emite boletins com 50 notícias sobre corrupção e liberdade de imprensa.

O PFC trata também das disquisições dos processos contra jornalistas. E ainda, gratuitamente e num trabalho no mínimo singular, dá dicas para quem quer que se interesse em investigar algo – inclusive fontes de informação. Na semana passada, por exemplo, o PFC emitiu um detalhado estudo sobre os jornalistas mais perseguidos da América Latina, que pode ser encontrado em http://www.portal-pfc.org/libexp/informes/2001.html

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Vale lembrar que, segundo as Nações Unidas, as dez principais máfias do mundo, enraizadas em 23 países (o Brasil inclusive) movimentam por ano 3 trilhões de dólares –gerados a partir de mais de 100 bilhões de dólares que os cartéis da droga lucram por ano. Fazer jornalismo investigativo nesse terreno pantanoso é tarefa das mais árduas. Até porque, também segundo a ONU, a cada 4 dólares movimentados por hora em todo o mundo, pelo menos 1 dólar passa pelas mãos de mafiosos e esquemas de corrupção instalados nos governos democráticos.

E é nesse espírito de ajudar os jornalistas em tais investigações que o PFC prossegue, diz o seu responsável, o argentino Jaime López, destecendo os mistérios da sondagem acurada. Jaime López concedeu a seguinte entrevista ao Observatório da Imprensa.

Como se deu a fundação do PFC?

Jaime López – Periodistas Frente a la Corrupción, o PFC, é o resultado do convencimento de que a iniciativa mais efetiva no combate da corrupção, em relação a outros esforços governamentais ou da sociedade civil, tem sido e é a imprensa; e da compreensão de que os jornalistas e os meios necessitam de respaldo e serviços para fortalecer o seu papel fiscalizador, frente aos problemas internos e às pressões externas que enfrentam.

A Probidad, a organização que administra a PFC, antes de abril 2000 havia mantido múltiplos contatos com jornalistas da América Latina, que foram aproveitados para uma edição especial de seu periódico, a revista Probidad, e no papel fiscalizador deles frente à corrupção. Ao lançamento desta edição somou-se um evento sobre os meios de comunicação e a corrupção, que teve lugar na Costa Rica, em abril de 2000, e que, organizado pela Fundación las Américas, motivou o Centro Internacional para a Empresa Privada a procurar a Probidad e explorar a idéia de implementação, que servira aos jornalistas que investigam e reportam a corrupção.

Logo, então, a Probidad fez uma sondagem para averiguar o interesse que poderia existir em uma iniciativa deste tipo e quais seriam os serviços que os jornalistas necessitavam. Com base nos resultados desta sondagem se desenhou e iniciou-se, em agosto de 2000, o PFC.

Atualmente o PFC proporciona uma rede aos jornalistas que trabalham sobre o tema da corrupção, ou que têm interesse nele, rede esta integrada por mais de 575 membros de toda a América Latina; um centro de recursos com serviços, informação e referências úteis para esses jornalistas; e assistência investigativa, fazendo buscas e proporcionando informação, facilitando contatos e relações, ou propondo temas e enfoques para as investigações. Além disso, entre outros serviços, o PFC oferece respaldo aos jornalistas e órgãos que sofrem ameaças ou represálias em reação às suas investigações, ou ante às medidas dos governos, como as leis antiimprensa, que restringem o sufocam seus trabalhos.

Em que medida vocês empregam a mídia para monitorar casos de corrupção? Trata-se de um sistema?

J.L. – O PFC monitora diariamente a exposição sobre a corrupção e a situação da imprensa nos meios de comunicação latino-americanos. Compila reportagens e editoriais de mais de 50 fontes noticiosas, que são oferecidas através de seus sítios na web e serviços de correio eletrônico. Estas compilações têm diversos usos. Por exemplo, permitem conhecer e medir os tipos de corrupção que estão afetando os países e a resposta frente a ela por parte dos governos.

Servem ainda de referência para alimentar novas reportagens, permitem reconhecer os jornalistas que mais se destacam na investigação da corrupção, ou medir o compromisso dos meios com seu papel fiscalizador, entre outros múltiplos usos. No tocante às compilações sobre a conjuntura jornalística, que são distribuídas entre organismos internacionais que promovem a liberdade de expressão e outros interessados, possibilitam estar em dia sobre os acontecimentos que afetam ou beneficiam a imprensa livre e reagir frente a eles.

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Revista Consultor Jurídico, 13 de março de 2002, 9h48

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