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Terça-feira, 28 de maio de 2002.

Primeira Leitura: queda de Serra mostra estado crítico da candidatura

Acorda, tucanada!

Números ruins nas pesquisas para o candidato José Serra, como os da CNT-Sensus da segunda-feira (27/5) — o tucano caiu para o terceiro lugar, empatado tecnicamente com Ciro Gomes —, não teriam grande importância agora se a campanha tivesse encontrado o seu eixo. Errática como está, se não chegam a ser um atestado de óbito, são, ao menos uma advertência do estado crítico da candidatura.

A que será que se destina?

Que candidato do governo resistiria ao maior desemprego já registrado pela pesquisa Seade-Dieese? São 2 milhões os sem-emprego só na Grande São Paulo. Que candidato resistiria a uma queda da renda de dois dígitos? Que candidato do governo resistiria a uma economia que não cresce, a um dólar que só assusta, a uma Petrobras que flerta com reajustes diários para a gasolina? E ainda querem que Serra “cole” no governo...

Queda brutal

Apenas 10,6% dos ouvidos pelo Sensus conhecem o caso Ricardo Sérgio e acompanham os detalhes. Quem são: os leitores de jornais e revistas, a elite escolarizada, com nível superior. Em abril, 32,6% dos eleitores com nível superior preferiam Serra; em maio, o percentual despencou para 16,9%.

Onomatopéias vazias

Nos chamados setores formadores de opinião, aqueles com instrução universitária, é justamente onde repercutem denúncias — não importa se vazias — como aquelas que ligaram Serra a Ricardo Sérgio. A reação de Serra não foi das melhores. É preciso parar de tratar isso tudo com onomatopéias e assemelhados: “trololó”, “tricas”, “futricas” e afins.

Não há vácuo

É bom destacar que, nesse grupo de escolaridade alta, a candidatura que mais cresceu, segundo o CNT-Sensus, foi a de Ciro Gomes — de 11,2%, em abril, para 28,6%, em maio. Não à-toa o homem que está aí para colher o que eventualmente sobrar do desgaste de Serra. Com um partido fraco, sem alianças significativas, é essa a sua única possibilidade.

Transferência não resolve

Ninguém vence uma eleição majoritária, ainda mais para presidente da República, com os votos de um setor corporativo ou social — por maior que seja a concentração de eleitores nesses setores.

A capacidade de transferência de votos é limitada. A escala de lideranças influentes na escolha do voto ficou assim, segundo o Sensus: associações de bairro, 10,3%; presidente da República, 10,2%; igrejas, 9,5%; governadores, 8,9%; prefeitos, 6,4%; partidos políticos, 5,2%; sindicatos, 1,9%; parlamentares, 1,5%, outros, nenhum e não sabem, 46,2%.

Renda aumentou?!

A pesquisa Sensus tem um dado esdrúxulo, mas explicável. Contra todos os dados do IBGE, da FGV, do Dieese e de outros institutos, o eleitor diz que a renda mensal melhorou. Analisada com lupa, a pergunta do Sensus induziu a maioria dos eleitores, que ganha menos de 4 salários mínimos (classes D e E), a tomar como sinônimo de aumento de renda o reajuste do salário mínimo, de R$ 180,00 para R$ 200,00.

“Tigres” em dificuldade

Apesar de sustentarem bons níveis de crescimento, as economias emergentes da Ásia não conseguem manter um fluxo estável de investimentos produtivos. A exceção é a Coréia do Sul, que cresceu 6,3% nesse quesito no primeiro trimestre, o que projeta, para o ano, uma expansão de 19%.

Torneira fechada

Antes da crise, só 31% do investimento na Coréia do Sul era financiado com a poupança interna. Depois da débâcle dos “tigres”, nada menos que 74% do investimento vem de recursos domésticos.

Assim falou... José Serra

“Sou o candidato do governo, mas também o das mudanças. O Brasil é um país inacabado, em que foram erguidas as paredes, mas faltam portas e janelas”.

Do candidato tucano à Presidência, tentando traduzir o slogan continuidade, sem continuísmo. Na mesma entrevista, Serra contestou os resultados da pesquisa CNT-Sensus e disse estar “consolidado” em segundo lugar.

Tudo é história

Quando foi eleito presidente da Colômbia, em junho de 1998, uma das primeiras atitudes de Andrés Pastrana foi buscar a direção das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para iniciar um diálogo. Um mês depois das eleições, reuniu-se com o líder rebelde Manuel Marulanda e leu um comunicado se comprometendo a criar uma zona desmilitarizada, que seria entregue à guerrilha. Na véspera de sua posse, as Farc lançaram uma ofensiva na qual morreram quase 250 pessoas. Agora, o novo presidente eleito, Álvaro Uribe, também promete dialogar, mas exige primeiro um cessar-fogo imediato e ameaça com a radicalização dos ataques à guerrilha.

Revista Consultor Jurídico, 28 de maio de 2002, 10h26

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