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Ciência política

Análise revela perfil de seis partidos políticos brasileiros

A Revista Fapesp divulgou, nessa semana, uma pesquisa do perfil dos seis partidos políticos brasileiros com maior representação na Câmara dos Deputados. O pesquisador Leôncio Martins Rodrigues analisou as ocupações e profissões dos parlamentares do PFL, PSDB, PMDB, PPB, PT e o PDT.

Mais da metade dos 401 deputados da Câmara está na faixa de patrimônio de R$ 200 mil a R$ 500 mil. O PPB, o PFL e o PMDB são os partidos com maior porcentagem de políticos ricos.

Todos os resultados da pesquisa serão publicados pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp), em junho, com o título "Partidos, Ideologia e Composição Social".

Leia a íntegra da reportagem de Claudia Izique:

Engana-se quem pensa que o quadro político-partidário no Brasil é fragmentado e frágil, sem consistência ideológica ou programática. Ao contrário: ele tem contornos nítidos e congruentes com a sua representação parlamentar.

Uma radiografia da composição sócio-ocupacional dos membros da atual legislatura na Câmara dos Deputados (1999-2003), realizada por Leôncio Martins Rodrigues, com o apoio da FAPESP, demonstrou que os partidos são fortes, estruturados e bem enraizados na sociedade. Prova disso é que nas eleições de outubro de 1998 a origem e o status sócio-econômico do candidato tiveram peso na escolha da legenda.

A pesquisa, cujos resultados serão publicados pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp), em junho, com o título Partidos, Ideologia e Composição Social , analisou as ocupações e profissões dos parlamentares das bancadas dos seis maiores partidos com representação na Câmara dos Deputados: PFL, PSDB, PMDB, PPB, PT e o PDT.

"Para evitar perda de tempo com um debate não essencial para o estudo", justifica Martins Rodrigues, os partidos foram agrupados de acordo com a sua orientação ideológica a partir de critérios comumente utilizados por grande parte dos pesquisadores e pela mídia: PFL e PPB, à direita; PSDB e PMDB, no centro; e PT e PDT, à esquerda.

"Esperávamos encontrar, como de fato aconteceu, proporção significativamente diferente de grupos ocupacionais no interior das bancadas partidárias", afirma. Os dados revelaram que os partidos de direita tendem a recrutar seus representantes nas camadas de renda mais alta, entre empresários e altos funcionários da administração pública; nos partidos de esquerda prevalecem os assalariados de classe média e professores, e os partidos de centro, apesar de mais heterogêneos, são formados, principalmente, por profissionais liberais, executivos e diretores de empresa.

Sociologia política dos partidos

Martins Rodrigues, que é professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), já tinha observado a consistência ideológica das bancadas na Câmara dos Deputados, em 1987, quando realizou uma análise sócio-política dos partidos e deputados que, na época, integraram a Assembléia Nacional Constituinte. Os resultados deste estudo estão publicados em Quem É Quem na Constituinte .

Na pesquisa sobre a atual legislatura, a grande novidade está na metodologia da coleta de dados. "No meu primeiro estudo, os próprios parlamentares indicavam suas profissões ou ocupações. Agora, o grande trabalho de pesquisa foi localizar as ocupações e profissões dos deputados", ele conta.

As informações sobre os parlamentares dos partidos selecionados foram retiradas da publicação Deputados Brasileiros 1999-2003 - Repertório Biográfico , editado pela própria Câmara dos Deputados; do Dicionário de Política Brasileira , da Fundação Getúlio Vargas; e de uma análise cuidadosa de 401 declarações de bens que os então candidatos apresentaram aos Tribunais Regionais Eleitorais de seus Estados.

"Essas informações de patrimônio são públicas e acessíveis a quaisquer interessados", ele ressalva. As ocupações/profissões foram, a partir daí, classificadas pela carreira do parlamentar. "Fiz uma espécie de modelo para padronizar a coleta de dados.

Há uma matriz de classificação que me permitiu observar a congruência entre as informações das várias fontes. O principal critério foi a última profissão declarada antes de o candidato entrar para a política, desde que ele tivesse tido um exercício efetivo." Esse padrão de classificação permitiu, por exemplo, identificar os parlamentares recrutados na administração pública federal e estadual e os professores, duas categorias que geralmente não aparecem nas pesquisas e que, como ele constatou, têm papel preponderante na composição das bancadas da Câmara.

Essa metodologia de pesquisa provou ser estratégica para a tarefa a que ele se propunha. "Mais do que ciência política, eu queria fazer uma sociologia política dos partidos brasileiros."

Revista Consultor Jurídico, 28 de maio de 2002, 10h58

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