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Terça-feira, 21 de maio de 2002.

Primeira Leitura: Serra modera discurso e defende política de Malan

Sem dubiedade

A melhor coisa que o PT pode fazer hoje é começar a riscar um plano de transição do atual governo para o próximo. Mas sem aqueles qualificativos todos que acompanham a oratória de Lula quando vai falar, por exemplo, de rompimento de contrato: “Não haverá rompimento unilateral, sem negociação...”. Atenção, Lula, não haverá rompimento e pronto.

“Escondendo” Lula

Em breve, a manter a atual estratégia, o PT terá de se haver com uma certa suspeita de que está “escondendo” Lula. Não, nada a ver aqui com o suposto despreparo intelectual do candidato. Presidentes são lideranças políticas. E Lula é um grande político. A questão é mais séria, é partidária mesmo.

Uma fase

O tucano José Serra está moderando o discurso — acenando para o PFL, defendendo a essência da política econômica de Malan-FHC, etc. Diz-se que é uma etapa da campanha: agora, o fundamental seria consolidar a base aliada.

Conquistar os já conquistados

A estratégia tornará Serra, no máximo, competitivo. Ele quer ganhar. A idéia de um “etapismo” na campanha, a essa altura, é bobagem. Os que não querem mudanças no atual governo estão contidos nos 17% a 20% que já votam em Serra. A esses, não é preciso propor continuísmo.

Eleições à vista

A estatização em curso dos bancos argentinos, a alta do dólar e o crescente descontentamento da população com o governo Duhalde pode acabar antecipando as eleições presidenciais.

Argentina como palanque

Se isso ocorrer, o pleito pode acabar coincidindo com o do Brasil e virar palanque para os presidenciáveis daqui. Uns poderão usar o caso argentino como exemplo do que pode acontecer com países que perdem o rumo. Outros poderão argumentar que a grave situação argentina é fruto da aplicação cega de políticas neoliberais.

Recessão ou crescimento

O Banco Central vai tomar, na quarta-feira, uma decisão política importante para o país. Não político-partidária, como querem alguns, que veriam numa eventual redução do juro um movimento em favor do candidato governista, José Serra. A decisão é mesmo de política econômica: colocar o Brasil numa nova recessão, porque a inflação está um pouco mais alta do que o desejável, ou retomar o caminho de queda gradual dos juros, para que a atividade econômica tenha um mínimo de espaço para crescer.

Cartilha vencida

A verdade é que se o BC seguir a cartilha que inventou, o juro não vai cair. Mas há uma chance de essa cartilha ser colocada de lado, por não ter mais serventia neste momento. Em vez de acalmar os mercados e atrair dólares, a ortodoxia do BC anda é deixando investidores nervosos. Em vez de reduzir a inflação, o juro alto está provocando aumento da dívida do país. Em vez de produzir estabilidade, está fabricando crise. A cartilha está vencida. E por isso todos os presidenciáveis, da situação ou da oposição, se recusam a defendê-la.

Terrorismo verbal

Depois que se revelou que o presidente Bush soube antes de 11 de setembro da possibilidade de aviões serem seqüestrados, seu governo lançou uma onda de alertas sobre ameaças terroristas; todas muito vagas. O diretor do FBI, Robert Mueller, avisa que homens-bomba vão agir nos EUA. O vice-presidente Dick Cheney diz que é “quase certo” que haverá novos atentados. Na prática, o que faz o governo Bush é terrorismo de informação.

Prevenção

Na verdade, o que move o governo americano a lançar essa onda de alertas é o desgaste sofrido por Bush, que provocou fissuras na imagem do “comandante-em-chefe da nação”, e a idéia de que é preciso fazer um seguro contra o que é “quase certo”.

Assim falou...Luiz Inácio Lula da Silva

“Seria burrice se, em 12 anos, eu não tivesse mudado nada. Não sou resultado da minha inteligência. Sou resultado da inteligência da sociedade brasileira. Tanto nos equivocamos em 94 [com o Plano Real] que perdemos as eleições.”

Do candidato do PT à Presidência da República, em entrevista na segunda-feira à Rádio CBN.

Tudo é história

"A poucos homens é dado retificar os erros que cometem", afirmou Nicolau Maquiavel (1469-1527), filósofo italiano. A frase, para o Primeira Leitura, serve tanto para o candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, como para o tucano José Serra.

Revista Consultor Jurídico, 21 de maio de 2002, 11h33

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