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Quarta-feira, 15 de maio.

Primeira Leitura: crescimento de Lula nas pesquisas era esperado.

Calmaria

O mercado viveu na terça-feira um dia relativamente calmo, depois do forte movimento especulativo de segunda, tendo como mote supostas pesquisas eleitorais que apontariam o candidato tucano José Serra em terceiro ou quarto lugar na pesquisa, o que era falso.

Um dia depois, foi a hora de realizar lucros: o dólar fechou a R$ 2,505, com queda de 1,04%; o risco do país caiu, fixando-se em 953 pontos básicos, com queda de 2,06%; o C-Bond foi negociado a 74,22% do valor de face, com alta de 0,24%, e a taxa de juros no mercado futuro fechou em 19,23%, com queda de 1%.

Fofoca e números

Na terça-feira, o mercado trabalhava com supostos dados da pesquisa Vox Populi, cujo levantamento teria sido feito nos dias 9 e 10. Segundo essa versão, Lula teria 42% das intenções de voto; Serra, 18%; Garotinho, 14%, e Ciro, 11%. Finalmente, vieram à luz os números do Datafolha: Lula, 43%; Serra, 17%; Garotinho, 15%, e Ciro, 14%.

Lógico e óbvio

É possível ver os dados ainda inexistentes da pesquisa segundo o óbvio, o lógico e o racional. Era óbvio que Lula crescesse, especialmente depois do excelente programa exibido na TV; era lógico que Serra ou tivesse estancado ou caído, como caiu, depois da saraivada de denúncias do fim de semana.

O racional

E é bastante racional supor que, a cinco meses das eleições, as coisas não vão ficar assim, dado que a campanha mal começou, que os palanques regionais não foram formados, que Serra terá um latifúndio no horário eleitoral gratuito e que a campanha acaba de se profissionalizar.

Boca grande

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, culpou, em entrevista nesta terça, os candidatos da oposição pela atual turbulência no mercado financeiro. A causa do nervosismo, segundo disse, é que alguns dos presidenciáveis não garantem a estabilidade fiscal. Para Malan, eles têm de se comprometer com controle da inflação, responsabilidade fiscal e respeito a contratos com credores externos.

Na segunda, o presidente do BC, Armínio Fraga, cobrou coerência dos presidenciáveis. Estão ambos, obviamente, errados ou agem de má fé. A principal razão da vulnerabilidade do país, que se deixa abalar inclusive pelas pesquisas, é mesmo os erros na condução da política econômica. Ou seja: Malan esconde os próprios erros e parte para o ataque.

Sem fase light

Acabou a fase light do governo no que respeita à CPMF. Agora, é tudo ou nada. O governo aumentou nesta terça a pressão sobre o PFL pela imediata aprovação da emenda que prorroga a CPMF até 2004. O presidente Fernando Henrique Cardoso fez um pronunciamento cobrando pressa na votação e o líder do PSDB no Senado, Geraldo Mello, foi à tribuna cobrar diretamente do PFL a responsabilidade pelo atraso na discussão.

Alarmados

Um dado alarmou o governo e o levou a intensificar as cobranças: ou o Senado aprova a emenda até o dia 18 de junho - quando se encerra a cobrança do tributo - ou ela perde a validade. Como o texto fala em prorrogação da cobrança, se ela for interrompida o governo terá de enviar outra proposta ao Congresso, cuja tramitação será reiniciada. A pressão fez com que o PFL recuasse.

O jurista

O senador Bernardo Cabral (AM), relator da medida, anunciou a redução em uma semana do prazo de votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Os pefelistas também concordam em acelerar a votação em plenário.

Bernardo Cabral, diga-se, há poucos dias fazia um discurso pomposo sobre a sua "consciência jurídica", dizendo que não aceitava ser pressionado. Ex-ministro da Justiça do governo Collor, a "consciência jurídica" de Cabral é famosa em Brasília, de dimensões verdadeiramente amazônicas...

Distorções

Um dia antes de embarcar para Madri, onde participará da reunião de cúpula entre América Latina, Caribe e União Européia, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, em entrevista à agência Efe, que o unilateralismo "não constitui resposta adequada às grandes questões com que se defronta a humanidade".

Ele criticou as "distorções e assimetrias" da Política Agrícola Comum da União Européia e quer apressar a assinatura de acordos comerciais entre a UE e o Mercosul. É um discurso perfeito. Falta agora ajustar a biruta para o público interno.

Assim falou...Pedro Malan

"Não deixaremos de honrar nossos compromissos e não precisamos de recado de quem quer que seja".

Do ministro da Fazenda, Pedro Malan, ao anunciar um corte de R$ 5,3 bilhões no Orçamento da União para compensar as perdas com a não-aprovação da CPMF.

Tudo é história

Para quem acha que as pesquisas eleitorais de agora já dão o resultado das eleições, vale lembrar que, em 1994, FHC só ultrapassou Lula por volta de agosto - estamos em maio! Em maio daquele ano, Lula tinha 42% das intenções de voto, contra 16% de FHC.

É claro que cada eleição vive a sua própria realidade. É claro que o governo, desta vez, não dispõe do real; é claro que, agora, o discurso de Lula é outro, muito mais conciliador, disposto a demonstrar que, desta vez, quer ser governo - Primeira Leitura já apontou, inclusive, que parte da especulação se deve ao fato de o PT não ser mais socialista; se ainda o fosse, estaria, hoje, a patinar ali pelos 30%, e ninguém apostaria na sua chegada; como mudou, está no patamar dos 40%.

Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2002, 9h40

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