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Quinta-feira, 9 de maio.

Primeira Leitura: FHC tem que parar de duvidar do IBGE.

Ilógico?

FHC considerou "ilógicos" os dados do Censo 2000. O IBGE mostra um país muito pobre, no qual 24% da população ocupada ganha até um salário mínimo, e metade, até dois salários mínimos.

Ao mesmo tempo, revela que há mais telefones, geladeiras, rádios e carros nos domicílios dos brasileiros. É, no mínimo, curioso um presidente da República colocar em dúvida os dados apurados em uma pesquisa feita por um organismo oficial.

Ilógico nada!

Alguém precisa dar explicações ao presidente para ele parar de desconfiar do IBGE: os bens duráveis são herança da primeira fase do real, quando houve ganho de renda decorrente do fim da inflação. Também houve barateamento de alguns produtos por causa, entre outras coisas, da privatização - caso dos telefones. E isso, caro presidente, nada tem a ver com concentração de renda, que continua escandalosa, como sempre.

Desastre

O mesmo IBGE revelou, em outro levantamento, que a produção industrial brasileira caiu 0,8% em março, na comparação com fevereiro. Isso sem crise externa, sem racionamento de energia e sem pressão inflacionária nos preços competitivos.

Aquele malanismo de que Primeira Leitura sempre falou deu nisso: mesmo com cenário externo muito menos inóspito do que no ano passado, o Brasil continua incapaz de crescer.

Amadorismo

Uma coisa está clara hoje. Enquanto o PT profissionalizou a sua campanha - o exemplo é o quanto Lula foi discreto no caso das acusações sobre a Vale do Rio Doce -, o PSDB permanece no mais puro amadorismo.

O exemplo foi a ida de José Serra a um regabofe de empresários, realizado num lugar público, num aquário de vidro, enquanto a patuléia continuava do lado de fora, lambendo os beiços. Assim, vai mal...

Idiota da objetividade

Paul O´Neill, secretário do Tesouro, pediu ao Congresso norte-americano para aumentar a venda de títulos públicos. Usou um argumento singelo: o país corre o risco de dar um calote na dívida.

A sorte do planeta é que a credibilidade de O´Neill é nenhuma. Fosse outro a dizer o que disse, e o mercado teria reagido de outra maneira. Afinal, é só o principal país do mundo que corre o risco de não honrar seus títulos.

Desastrado

O que se sabe é que O´Neill é um mestre em desarrumar as contas públicas. Para fazer o Orçamento, estimou um crescimento da arrecadação fiscal extraordinário - o que não vai ocorrer. E, com base nessa estimativa, ampliou os gastos, cortou impostos e fez o Tesouro voltar a ser deficitário, o que não ocorria de 1997.

Exemplo

México e União Européia estão ultimando um novo acordo comercial que promoverá a "aceleração do desarmamento tarifário" entre o segundo bloco econômico do mundo e a maior economia latina. Tarifas que durariam até 2007 deixam de existir no próximo dia 20. Carros, peças e produtos químicos estão entre os setores beneficiados.

Protecionismo

Apesar de ter os pés firmemente apoiados no Nafta, o acordo com os EUA e Canadá, o México não abre mão de estabelecer acordos com outros países. Pode ser a única forma de driblar o protecionismo que cresce no mundo todo.

Boa vizinhança

É um exemplo a ser seguido pelo Brasil. Não se trata, claro, de mandar o Mercosul às favas. Geografia é destino, mas estratégia comercial, não. O Brasil não é vizinho do maior mercado do mundo, mas isso não significa que deve atar sua política externa a um bloco que vai de mal a pior.

Assim falou...Marco Maciel

"Pelo amor de Deus, me tirem dessa."

Do vice-presidente da República ao receber do vice-líder do partido na Câmara, Pauderney Avelino (AM), convite para ser candidato do PFL à sucessão de Fernando Henrique Cardoso.

Tudo é história

Stalinismo no Planalto

Ao elogiar o espantoso aumento do número de telefones no país, decorrente da privatização, o presidente Fernando Henrique Cardoso, na terça, fez elogios aos ex-ministros das Comunicações Sérgio Motta e Pimenta da Veiga, ao atual, Juarez Quadros, e ao ex-presidente da Anatel Renato Guerreiro. Deixou de fora Luiz Carlos Mendonça de Barros, que fez a privatização.

Mendonça de Barros é um dos mais ácidos e contundentes críticos da política econômica oficial, responsável direta pelo crescimento medíocre do Brasil. Se não está sendo justo, FHC tampouco é original. Repete a tática do ditador soviético Joseph Stalin, que mandava retocar as fotos para eliminar delas a imagem de seus inimigos.

Revista Consultor Jurídico, 9 de maio de 2002, 14h31

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