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Quinta-feira, 2 de maio.

Primeira Leitura: candidatos reagiram bem ao humor do mercado externo

Serenidade democrática

A reação, em uníssono, dos candidatos a presidente contra a mudança de humor do mercado externo com a situação política no Brasil foi uma demonstração de serenidade que merece aplausos. Ainda que os candidatos, tenham, de fato, diferentes graus de maturidade, houve comedimento de todos nesse caso.

Desafinado

No lado do governo, porém, apareceu o ministro da Fazenda, Pedro Malan, a dizer que as pesquisas são precoces, que estamos muito longe da eleição, que os levantamentos, por si mesmo, pouco significam etc. Ou seja: estivéssemos mais perto das eleições e a desconfiança do mercado faria, sim, sentido...

Condenação

Se houvesse um tribunal específico para julgar arroubos de arrogância, Malan seria condenado à pena máxima por conta desse autoconcedido monopólio da racionalidade. E o castigo, nesse caso, seria a leitura obrigatória dos artigos de Gustavo Franco em favor do câmbio fixo...

País rico é assim

A conta da "racionalidade" de Malan está sendo paga por todos os brasileiros. Numa nova e inestimável contribuição para que os juros continuem nas alturas por aqui, o ministro lustrou sua biografia em Wall Street ao antecipar um pagamento de US$ 4,2 bilhões ao FMI. Isso em um cenário externo hostil, quando volta a circular a tese de um suposto contágio do Brasil pela crise argentina.

Obra de Malan

As reservas externas do país estavam em US$ 33,45 bilhões na segunda-feira, segundo o BC. O valor é US$ 3,78 bilhões menor que as reservas de US$ 37,23 bilhões registradas na sexta-feira. A variação foi provocada pelo impacto do pagamento antecipado ao FMI.

Bom senso

A voz mais ajustada de todos os candidatos que protestaram contra o comportamento dos bancos de investimento americanos (quem diria?) foi a de Garotinho. O candidato do PSB lembrou que os investimentos estrangeiros não correm risco no país "qualquer que seja o vencedor" das eleições presidenciais.

Velha direita

Quem aproveitou para reciclar o seu passado foi o presidente do PFL, Jorge Bornhausen. Este aproveitou para fazer terrorismo com a candidatura de Lula. O jogo é simples, primitivo mesmo: o pefelista usa o petista como fantasma para tentar, ainda e mais uma vez, substituir a candidatura Serra por uma outra que fosse palatável ao PFL. Perde seu tempo.

Pequenas vinganças

Nunca é demais lembrar: não foi a esquerda que introduziu um dado de intranqüilidade no cenário econômico brasileiro, mas o próprio PFL, ao fazer chicana com a votação da CPMF. Risco para o país, de verdade, não é a alternância de poder, mas uma direita ensandecida, que deixa de fazer política para se dedicar a pequenas vinganças.

Assim falou...Anthony Garotinho

"A democracia brasileira já está madura demais para aceitar esse tipo de ameaça."

Do candidato a presidente pelo PSB, ao criticar os bancos de investimentos por desaconselhar os investimentos no Brasil, onde Lula lidera as pesquisas eleitorais.

Tudo é história

O declarado temor dos bancos americanos de investimento com a liderança de Lula nas pesquisas e o oportunismo malsão de Jorge Bornhausen fazem lembrar a eleição de 1989, quando Lula e Fernando Collor foram para o segundo turno. A direita, da qual Bornhausen já era um dos expoentes, abraçou a candidatura Collor.

A ladainha, também naquela época, era que Lula representava uma ameaça de quebra de contratos - coisa feita pelo candidato da direita logo depois de sua posse no Planalto. Bornhausen, esse acabou formando a tropa collorida como ministro de Estado...

Revista Consultor Jurídico, 2 de maio de 2002, 9h45

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