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Quarta-feira, 26 de junho.

Primeira Leitura: carta do PT não surtiu efeito mas abriu canais.

A Carta é o limite

O PT avalia que, com a "Carta ao Povo Brasileiro", lançada pelo presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva, no sábado, fez o máximo possível, na condição de partido de oposição, para demonstrar ao mercado seu compromisso com a estabilidade e com a "transição segura".

Compromissos

Segundo Marcelo Déda, prefeito de Aracaju, o partido não deve se pautar por novas exigências do mercado. O que não o impede de reafirmar, sempre, os compromissos expressos no documento.

Vasos comunicantes

Embora não tenha surtido efeito imediato nos mercados, a iniciativa do PT serviu para abrir canais de negociação com o governo e o mercado financeiro. Os deputados José Dirceu e João Paulo Cunha negociam com o ministro Pedro Parente (Casa Civil) como se daria a transição e o acesso a informações de governo.

Construindo pontes

No Congresso, os petistas negociam um inédito compromisso de votar com o governo a Lei de Diretrizes Orçamentárias, mantendo as metas macroeconômicas, como o percentual de superávit primário (3,75%) e até mesmo um reajuste do salário mínimo bem abaixo do que o partido gostaria.

Sinais do compromisso de Lula com “uma transição segura", disse João Paulo a Primeira Leitura.

Investigar...

O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, vai pedir autorização do Supremo Tribunal Federal para investigar o deputado José Dirceu (PT-SP), no caso das suspeitas de corrupção em Santo André. Não faltarão petistas a apontar manipulação política no episódio, mas a atitude é correta.

...é preciso

Além do depoimento do irmão de um prefeito assassinado, existem testemunhas, empresários de Santo André, admitindo abertamente que foram vítimas de achaques. Ou seja, o caso é grave e há evidências suficientes para se abrir um inquérito.

Pimenta e refresco

Ademais, apesar do tratamento que o PT sempre deu a seus adversários nesses casos (vide o caso Eduardo Jorge) investigação não é condenação. Se José Dirceu, um dos políticos mais respeitados do país, não tiver, de fato, nada a ver com o caso, a verdade não tardará a aparecer.

Droga de investigação

Quem, sim, continuará devendo explicações neste caso é a Polícia Federal. É inaceitável usar a desculpa de investigação de tráfico de drogas para justificar as escutas em telefones de integrantes do PT. Será que o caso Santo André, em si, não é suficientemente grave para justificar um pedido de investigação?

Trapalhada

A desculpa de que os telefones foram fornecidos por denúncias anônimas é risível e seria engraçada, não fosse o assunto tão sério. O caso, aliás, diz algo sobre a eficiência investigativa da PF. Não admira que o narcotráfico faça tudo o que faz.

Chutômetro

Para Fernando Henrique Cardoso "só pitonisa", a antiga sacerdotisa dos oráculos gregos, sabe responder se o mercado acalmou. FHC está errado. Os mercados funcionam segundo uma lógica bastante conhecida. É só estudá-la.

Assim falou...Anthony Garotinho

“Diga ao povo que fico.”

Do presidenciável do PSB, respondendo aos rumores cada vez mais fortes de que desistirá de sua candidatura, especialmente depois da última rodada de pesquisas. Nas duas mais recentes, o ex-governador aparece atrás de Ciro Gomes (PPS).

Está escrito

O PT critica e vê como grande interferência a idéia de manter o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, por um período de transição em um eventual governo Lula. A tese vem ganhando adeptos no mercado financeiro nos últimos dias, mas não é nova, em absoluto, no próprio partido.

Já em setembro de 1998, antes, portanto, da última eleição, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, sugeriu que o PT, se eleito, mantivesse o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o então presidente do BC, Gustavo Franco, por 100 dias, para garantir uma transição tranqüila.

Comentando o assunto em entrevista à revista Primeira Leitura, em março do ano passado, Cristovam afirmou: “Sou nacionalista. (...) Mas não sou ingênuo a ponto de achar que este país pode escolher de forma absoluta o seu caminho sem levar em conta as forças externas”. Sábias palavras, às quais Lula só hoje dá o devido valor.

Revista Consultor Jurídico, 26 de junho de 2002, 9h31

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