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Insegurança na Web

Espionagem, bisbilhotagem e invasão multiplicam-se na Internet

Há mais ou menos dois anos o principal executivo da Sun Microsystems, Scott McNealy proferiu sua solene - e sombria - assertiva de que a privacidade na Internet é igual a zero e que isto jamais iria mudar. Desencadeou grande resistência no mercado infonauta mas se pararmos para analisar, de lá para cá nunca assistimos a tantos casos de hacking, cracking, invasão de sistemas, novos e cada vez mais sofisticados vírus inundando a Grande Rede e a clonagem de cartões de crédito se tornando uma praga mundial.

Agora temos notícia até da primeira gangue virtual, aparentemente sediada em algum país da África; se autodenominam Cyberstalkers ou assaltantes cibernéticos. Para se ter uma idéia da gravidade da questão de segurança na Internet, recentemente a Microsoft reconheceu publicamente que todas as versões do Windows 2000, inclusive as primeiras cópias beta do sistema operacional XP que ainda nem foram lançadas, contêm sérias vulnerabilidades que permitem que hackers assumam o controle das máquinas invadidas.

A empresa alertou a todos os que compraram o programa e prometeu ajustar tudo até a data do novo lançamento. Os usuários da Internet atualmente têm alguma noção de que estão abrindo mão de sua privacidade quando acessam os seus modems, mas a situação ainda está longe de representar uma unanimidade mundial.

A maior preocupação hoje é a coleta de grande quantidade de dados pessoais dos usuários sem sua autorização e na grande maioria das vezes sem seu conhecimento, através dos famigerados cookies. Hoje já podemos listar oito formas diferentes de burlar a segurança na rede Internet:

Sua identidade pode ser furtada na Internet

A polícia de Nova Iorque prendeu um sujeito chamado Abraham Abdallah, empregado como contínuo de uma empresa, que havia adquirido um exemplar da revista Forbes, listando as 400 pessoas mais ricas do mundo, além dos seus números de Seguro Social (o equivalente melhorado do nosso INSS), de seus cartões de crédito e informações bancárias, além dos nomes completos de sua filiação, tudo com o objetivo de perpetrar um golpe milionário contra personalidades como o cineasta Steven Spielberg e a apresentadora de televisão Oprah Winfrey, entre outros. Abdallah utilizou sites, e-mails e métodos off-line para conseguir as identidades dessas pessoas e furtá-las em milhões de dólares.

Quando foi preso, Abdallah, através de seu advogado, negou tudo e até agora ainda não foi indiciado pelas autoridades americanas, ciosas de que estão diante de um caso novíssimo e que requer estudo detalhado para não ferir alguma emenda constitucional americana de liberdade ou direitos civis, coisa que é realmente levada a sério por lá. Esse é apenas um dos casos recentes - e o mais rumoroso - a chamar a atenção para o chamado furto de identidade, que, segundo o FBI, a polícia federal americana, é o crime de colarinho branco que mais cresce nos EUA.

Em torno de 500.000 americanos têm suas identidades usurpadas a cada ano. Sinal dos tempos: pelo menos quatro companhias de seguro americanas já oferecem apólices para cobrir o furto de identidade, o chamado ID-theft e os prejuízos consideráveis que causam às suas vítimas. Segundo estudo recente conduzido pela empresa The Privacy Rights Clearinghouse, que trabalha para recuperar a imagem das vítimas, leva-se em torno de dois anos para limpar completamente o nome e o crédito de uma vítima de furto de identidade.

Um dos cenários mais mirabolantes que vem crescendo exponencialmente, é quando criminosos utilizam as identidades furtadas ao serem presos, deixando suas vítimas com registros criminais muito difíceis de serem esclarecidos e limpos. Até sites oferecendo identidades falsas já estão proliferando na Internet imperturbados.

Todos nós estamos constantemente revelando informações pessoais e privadas enquanto navegamos pelo ciberespaço

"Surfar" na Internet transmite uma sensação de anonimato, como se estivéssemos pesquisando as páginas de um livro numa biblioteca, mas todos os sites que visitamos estão "olhando" de volta para nós. A maioria deles usa os cookies para coletar dados sobre sua passagem. O seu browser também pode estar oferecendo informações de sua "viagem" pelo mundo virtual. A maioria de nós não sabe mas os nossos navegadores podem incluir nossos nomes, endereços eletrônicos e outros dados relevantes que podem ser capturados e arquivados pelos sites que visitamos na Grande Rede. Até mesmo o TCP/IP pode estar nos "dedurando".

Cada computador na Internet tem um endereço de IP, ou Internet Protocol, o equivalente online aos endereços de ruas, que permite o recebimento de informações. As conexões de dial-up, por exemplo, normalmente lhe conferem um novo endereço de IP a cada vez que você conecta. Mas no caso de conexões fixas o endereço é permanente e permite que todos os sites visitados arquivem os seus dados pessoais. Às vezes o vilão da história é um "ET", que, uma vez instalado dentro de seu PC, "telefona pra casa", para seu master site, identificando seu endereço eletrônico definitivamente.

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Revista Consultor Jurídico, 15 de junho de 2002, 13h02

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