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Sexta-feira, 14 de junho de 2002.

Primeira Leitura: governo tenta acalmar o mercado.

Ortodoxia

A equipe econômica anunciou, quinta-feira (13/6), uma série de medidas para tentar acalmar o mercado. E não abusou da criatividade: reforço nas reservas para alimentar o mercado; aumento do superávit primário, de 3,5% para 3,75% do PIB; e manutenção da política de encurtamento dos prazos da dívida interna.

Tudo certo...

Do ponto de vista técnico, as medidas são corretas e atacam os dois problemas principais dessa crise: o aumento da demanda por dólares e a absoluta falta de demanda por títulos que vençam depois da eleição.

Como disse presidente do BC, Armínio Fraga, "não é preciso tirar nenhum coelho da cartola".

...nada no lugar

São as armas de que dispõe o governo para tentar construir uma ponte até outubro, o mês das eleições. Afinal, é falso pensar que o plano foi pensado para os próximos seis meses. O pacote tem prazo de validade de, no máximo, quatro meses.

A temperatura econômica do país em novembro e dezembro será diferente conforme Lula ou Serra vençam as eleições. Uma coisa é certa: as virtudes e defeitos do governo FHC e do malanismo se tornarão irrelevantes tão logo se conheça o nome do eleito.

Previsão

A partir de hoje, as pesquisas passam a ser mais importantes do que jamais foram. A se confirmar a tendência de ascensão de Serra, as turbulências, se não deixam de existir, terão ao menos um ritmo conhecido.

Sem volta

Já se Lula, por qualquer razão, voltar a disparar nas intenções de voto, mas sem um sinal claro do que fará, tudo volta ao patamar de antes. Com a diferença de que o governo já terá queimado os seus navios.

Repercussão

Embora o mercado tenha acalmado - o dólar caiu 3,04% e a taxa de risco, 4,55% -, vários bancos consideraram o pacote cosmético e paliativo. Para o suíço UBS Warburg, "as medidas mostram certa preocupação do governo, mas não mudam os fundamentos ruins da economia". E está certo.

ValiumM

FHC voltou a dizer que o mercado só precisa de "calmante" para se tranqüilizar e reafirmou o potencial de crescimento do país. 'Eu quero que essas pessoas saiam dos gabinetes de especulação para conhecer o Brasil real (...) e para saber que a situação em que o país se encontra agora é passageira.'

Exagero

Em visita a Indaiatuba, no interior de São Paulo, para participar da inauguração de mais uma fábrica da montadora Toyota, FHC previu ontem que "até o fim do ano, o Brasil deve receber US$ 20 bilhões' em investimentos externos. Prova da viabilidade do país, para o presidente.

Pouco importa

É uma previsão exagerada. O próprio BC fala em US$ 17,5 bilhões. A questão é que isso não tem nenhuma importância. O problema não é apenas de fluxo de dólares. É de expectativas quanto ao futuro.

Ninguém viu

Na terça, entraram mais de US$ 600 milhões no país. Em condições normais, essa enxurrada teria feito a cotação do dólar desabar. Mas a moeda americana chegou a ser cotada a R$ 2,80 durante o dia.

Ainda

Nesse sentido, Malan está certo ao dizer que as responsabilidades do próximo governo não começam apenas em janeiro de 2003. O que vale tanto para Lula quanto para Serra.

Enquanto isso...

Na economia real, o massacre continua: o nível de emprego na indústria paulista caiu 0,02% no mês de maio na comparação com abril. No Paraná, a montadora Renault dará uma semana de férias coletivas a mais de mil funcionários.

Assim falou...Pedro Malan

"O governo é responsável pelo que faz, pelo que fez, pelo que não fez e pelas suas hesitações".

Do ministro da Fazenda, durante o anúncio das novas medidas econômicas, em resposta às críticas do PT, de que a responsabilidade pela crise atual é do governo, e não do candidato Lula.

Tudo é história

A liderança do PT na Câmara lançou ontem uma cartilha com 45 escândalos da era FHC para ser distribuída aos diretórios estaduais e municipais do partido como munição de campanha.

O que significa que vamos ouvir falar de novo em Sivam, Proer, grampo no BNDES, propina na privatização da Vale, etc, etc, etc. A maioria tirada da lista da CPI da corrupção proposta pelos partidos de oposição no início de 2001. Quem achava que a tal mega-CPI tinha algum caráter eleitoreiro tem agora a resposta.

Revista Consultor Jurídico, 14 de junho de 2002, 9h17

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