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Segunda-feira, 10 de junho de 2002.

Primeira Leitura: rebelados do PMDB voltam ao barco governista

Filhos pródigos

PSDB e PMDB marcaram as convenções em conjunto para selar a aliança e o lançamento da chapa José Serra-Rita Camata para a eleição presidencial.

Muitos dos que ameaçaram se rebelar contra a aliança estavam em busca apenas de algumas concessões do PSDB em palanques regionais ou de ajuda do governo federal em seus Estados. Conseguiram, e voltarão, incontinenti, ao barco governista.

Faltou voto

Os dissidentes históricos, que devem manter a posição na convenção, controlam no todo ou em parte os diretórios de São Paulo (a metade liderada por Orestes Quércia), Minas Gerais, Goiás, Paraná, Amapá, Maranhão, Rio Grande do Sul (a ala do senador Pedro Simon) e Ceará (apenas uma pequena parcela, ligada ao ex-deputado Paes de Andrade).

Esses votos não foram suficientes para dar a vitória ao senador Maguito Vilela (GO) na convenção de setembro passado.

Suspense

Antes, não teria maior relevância. Agora, depois de a taxa de risco do país ter batido em 1.200 pontos básicos, terça-feira voltou a ser um dia de expectativa do mercado financeiro. Pois é dia de leilão de títulos públicos. E a nova face da crise é justamente a dificuldade de rolagem da dívida interna e externa.

Logo, logo

O governo tomou providências: o Tesouro vai oferecer dois milhões de títulos (Letras Financeiras do Tesouro - LFT), o equivalente a R$ 2 bilhões, com vencimento em 2 de outubro deste ano. Ou seja, os títulos vencem ainda no governo FHC.

Preço alto

Na semana passada, de nervosismo, o governo já havia, finalmente, entendido que o mercado se recusa a comprar papéis mais longos. O Tesouro leiloou 1,5 milhão de Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em 8 de janeiro de 2003, mas só conseguiu vender a metade.

Pior: vendeu por um juro maior do que o que estava sendo praticado nos contratos futuros de mesmo prazo: 19,65% ao ano e 19,04%, respectivamente.

Curtíssimo prazo

Desta vez, já que os títulos vencem ainda sob a administração FHC, não há motivo para o Tesouro aceitar juros extravagantes. De toda maneira, além do leilão, o Tesouro vai emitir outros 1,5 milhão de LFTs, com vencimento em outubro, para a carteira do Banco Central.

Ou seja, o BC passa a contar com títulos de curtíssimo prazo para qualquer eventualidade. Sinal mais do que evidente de que o governo não considera, a despeito do discurso, que o pior já passou.

Assim falou...Arundhati Roy

“Para onde iríamos? Pode-se comprar uma outra vida porque esta não está funcionando?”

Da premiada escritora indiana, em artigo na revista The Nation, explicando porque sua família não deixou Nova Délhi diante da ameaça de guerra com o Paquistão, que também tem armas nucleares.

Tudo é história

Em uma palestra para estudantes universitários em São Paulo, na sexta-feira, José Serra citou o golpe militar no Brasil, em 1964, e a queda de Salvador Allende, em 1973, para se referir à importância da estabilidade econômica para a democracia. Disse que, antes do golpe de 1964, o Brasil tinha inflação elevada e que o socialista Allende tinha uma política econômica de curto prazo, populista, que acabou levando ao golpe comandado por Augusto Pinochet.

Exilado no Chile naquele período, o candidato tucano faz má história e presta um desserviço à democracia. Faz má história porque não foi o populismo que derrubou Salvador Allende, e sim os militares chilenos associados à extrema direita e à CIA.

O grupo deposto, diga-se, tratou Serra com muito cavalheirismo e bonomia e, merece, no mínimo, mais respeito. O único sentido de lembrar Allende, agora, é tentar associar o PT aos socialistas chilenos. Se a história é ruim, a associação é estúpida.

O PT até pode ter muitos equívocos, mas são outros. Serra tem virtudes para ganhar as eleições sem precisar fraudar os fatos, arranhar a democracia, a alternância de poder e transformar vítimas, como Allende, em algozes de seu próprio destino.

Revista Consultor Jurídico, 10 de junho de 2002, 16h05

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