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Sexta-feira, 7 de junho de 2002.

Primeira Leitura: PT light é mera construção de Duda Mendonça

Ecos no exterior

Mais um dia de pânico no mercado, com bancos e operadores se prevenindo de perdas maiores, elevou a cotação do dólar a R$ 2,66 alta de 1,95% na quinta-feira. Os juros no mercado futuro (contratos de janeiro) chegaram a 19,74%, um avanço de 3,73% em relação a quarta-feira.

Com tamanha confusão interna, investidores estrangeiros passaram a se desfazer de forma mais intensa de papéis brasileiros, temendo "argentinização" do país. Com isso, o C-Bond, principal título da dívida, passou a valer apenas 68,5% de seu valor do face (queda de 2,46%), e a taxa de risco aumentou nada menos que 6,39%, para 1.199 pontos básicos.

Outras palavras

Entre grandes investidores brasileiros, porém, o assunto não foi o risco de o Brasil entrar numa crise semelhante à da Argentina, avaliação considerada descabida. Falou-se, isso sim, da explosiva mistura entre os evidentes erros de operação do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e as dúvidas sobre os planos do PT para a economia.

Um certo Carneiro

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Ricardo Carneiro, economista da Unicamp e coordenador do programa de Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o PT, se vitorioso, não manterá as metas de inflação e colocará em prática um programa cujo eixo central é a questão social.

Até aí, não mais do que boas intenções. O problema é ter deixado evidências de que uma coisa é o que diz o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, e outra, o que o partido pretende fazer de fato. A entrevista pode vir a custar caro ao presidenciável petista.

Suspeita fundada

O PT que fique esperto. Primeira Leitura já afirmou ser de tal sorte a adesão do eleitorado a Lula e com tal qualidade, que o partido vive a condição de só perder a eleição para si mesmo. Pode ter começado a acontecer isso nesta fatídica quinta-feira, 6 de junho.

Nunca, afinal, foram tão fundadas as suspeitas de que a imagem de um Lula light, de um PT que negocia com o “bando”, que não vai querer partir para o confronto, é mera construção do marqueteiro Duda Mendonça.

Trombetas do Armagedon

Só para que o eleitor tenha uma idéia: a entrevista, quinta-feira, repousava como uma batata quente que abrigasse uma banana de dinamite sobre todas as mesas de operação do país. O iluminado “realismo” das palavras de Carneiro soaram assim, como as trombetas do Armagedon, rompendo o silêncio dos inocentes.

O tal mercado — que, segundo o economista, “tem um bando (sic) de gente que não tem muita informação, entende pouco de economia e nada de política” — é, ao menos, alfabetizado e capaz de entender quando um figurão do partido desdiz tudo o que o candidato do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, tem dito por aí.

PUC x Unicamp

De resto, há de se considerar: Carneiro integra o núcleo dos chamados economistas da Unicamp — a turma do PT, que viria a substituir os malanistas da PUC do Rio — e é próximo de Maria da Conceição Tavares, outra estrela da área econômica do petismo. Carneiro renegou muito do que tem dito Gido Mantega. Seria justo perguntar quem, afinal, está com a razão.

A se dar crédito ao que disse o deputado Aloizio Mercadante, outro petista da área econômica, Mantega não manda nada. Logo, entre Mantega e Carneiro, o “bando” do mercado preferiu acreditar em Carneiro.

Assim falou...Ricardo Carneiro

“Outro dia falei isso [da possibilidade de fuga de capitais e riscos da dívida pública indexada ao câmbio] para o Lula, e ele se assustou. Disse que não queria nem saber dessa confusão”.

Do economista da Unicamp e coordenador do programa de Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Tudo é história

O principal assessor econômico do petista Luiz Inácio Lula da Silva, Guido Mantega, vem gastando muita tinta e saliva para escrever e falar sobre o disparate de o mercado considerar que, uma vez no poder, Lula será um inimigo do mercado.

Segundo Mantega, o PT pretende manter o sistema de metas de inflação (que o outro assessor do partido, Ricardo Carneiro, considera com os dias contados), respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal e não romper contratos. O deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) tem feito, igualmente, discursos conciliadores. Resta saber quem tem razão.

Revista Consultor Jurídico, 7 de junho de 2002, 11h18

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