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Quinta-feira, 6 de junho de 2002.

Primeira Leitura: Fraga agiu de má-fé ou foi irresponsável, diz Lula.

Má-fé?

O presidenciável do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que "houve má-fé ou irresponsabilidade" do presidente do BC, Armínio Fraga, ao atribuir o nervosismo do mercado à expectativa eleitoral. Lula disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso não deveria permitir que funcionários do governo "falassem bobagens" que criam desconfiança no mercado.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) reiterou que aceita ser vice do petista se houver aprovação do PMDB gaúcho. Mas afirmou não acreditar que o partido aprove a união porque FHC trabalha pela coligação PMDB-PSDB.

Enquanto isso, no império...

O indicador que mede a atividade no setor de serviços teve uma forte alta em maio nos EUA. O índice ISM (antigo NAPM) saltou de 55,3 para 60,1 pontos, patamar que não era atingido há cerca de dois anos.

Na segunda-feira, o índice de atividade do setor industrial já havia indicado expansão a um ritmo bastante forte (55,7 pontos, de 53,9 em abril). Relatório do governo mostra que houve uma queda de 60% no investimento estrangeiro direto em 2001, para US$ 132,9 bilhões — havia sido de US$ 335,6 bilhões no ano anterior, o volume mais alto já registrado na história do país.

Disparou

O risco do Brasil voltou a crescer na quarta-feira e rompeu a casa dos 1.100 pontos básicos. O dólar teve nova alta, de 0,46%, cotado a R$ 2,608. Já está estabelecido para o mercado que se trata de uma crise de confiança na capacidade de o Brasil honrar suas dívidas. No caso da dívida externa, analistas exageram e falam até em risco de moratória.

O economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi, afirmou que não se trata de uma simples crise de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que impôs perdas aos cotistas de fundos, mas do fato de o mercado temer a perda de credibilidade dos investidores estrangeiros na solvência fiscal do país. Para ele, a vulnerabilidade externa explica o nervosismo.

Catastrofismo

"Enquanto isto [a vulnerabilidade] não for resolvido, e não se resolverá do dia para a noite, nunca teremos sossego. Nunca conseguiremos construir uma trajetória de crescimento sustentado para o país."

A Merrill Lynch passou a recomendar aos investidores a compra de bônus que vencem em 2040, como proteção contra o risco de moratória da dívida externa em 2003. A operação, diz a estrategista da corretora, Jane Brauer, garantiria alguma tranqüilidade por 18 meses depois da posse do novo governo.

Autocrítica

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, fez autocrítica sobre a forma como mexeu nas regras referentes aos fundos de investimento. Se pudesse voltar atrás, disse Armínio, teria mexido antes nos fundos. O BC se rendeu ao mercado e fez à tarde operação de troca de contratos cambiais. Encurtou vencimentos e, com isso, deve ganhar algum tempo. De todo modo, o que houve nesta quarta expõe claramente o tamanho do desafio do próximo governo.

Acordo paulista

O PSDB e o PMDB decidiram tentar um acordo em São Paulo para sufocar a dissidência peemedebista e aprovar com segurança a aliança no dia 15 de junho. Nesta quarta, o presidenciável José Serra se dedicou pessoalmente à costura de um acordo em São Paulo.

Pelo arranjo, o presidente do PSDB, José Aníbal (SP), abriria mão da candidatura ao Senado para fechar uma aliança com o ex-governador Orestes Quércia, líder dissidente. Quércia já mandou sinais de que aceita a trégua.

A saída

Com a totalidade dos votos paulistas a aprovação da aliança é dada como certa, independentemente dos problemas nos Estados menores. Os tucanos também discutiram a questão de Minas, onde o governador Itamar Franco (PMDB) está prestes a fechar um acordo com o PT e o PL que isolaria o PSDB na disputa no segundo maior colégio eleitoral.

Assim falou...Armínio Fraga

“O próximo governo, ao chegar ou antes de tomar posse, tem todas as condições de acalmar as expectativas e retomar o alongamento da dívida.”

De Armínio Fraga, presidente do Banco Central, já se comportando como se estivesse fora do governo, prevendo, para o próximo presidente, facilidades que não existirão.

Aprendendo com Bertrand Russel

"Não é por serem difíceis as coisas que não ousamos, é por não ousarmos que elas são difíceis."

É o que deveria ter considerado desde sempre a equipe econômica ao se manter fiel à sua ortodoxia, na crença de que não mudar nada era o caminho mais seguro para a estabilidade. Resultado: a instabilidade está aí. E o juro alto também.

Revista Consultor Jurídico, 6 de junho de 2002, 10h06

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