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Terça-feira, 4 de junho de 2002.

Primeira Leitura: banco prevê vitória de Lula e deixa mercado tenso

Risco-miséria

Wall Street descobriu um novo jeito de tratar do que já chamou de "risco-eleição" no Brasil. Agora, faz uma conta que mais se assemelha a uma taxa de "risco-miséria". Na segunda-feira, o banco JP Morgan, analisando as perspectivas do candidato governista José Serra para a eleição de outubro, saiu-se com a seguinte conta: "...dado o potencial bastante limitado para uma melhora drástica de curto prazo no índice de miséria do país (a soma das taxas de desemprego e de inflação), é muito difícil identificarmos um catalisador positivo significativo para impulsionar a posição de Serra nas pesquisas".

Primeiro alerta

Serra, diziam há bem pouco tempo todos os bancos estrangeiros, tinha grandes chances de vencer no segundo turno das eleições de outubro. Mas, na segunda-feira, o JP Morgan tornou-se o primeiro a alertar seus clientes sobre a crescente possibilidade de vitória do candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva.

Círculo vicioso

A posição do JP Morgan, que rebaixou a recomendação para compra de ações na Bolsa Paulista, a Bovespa, tornou o mercado ainda mais nervoso. O dólar fechou a R$ 2,535, com alta de 0,88%, enquanto a taxa de risco do país superou os quatro dígitos (1.009 pontos básicos), com alta de 3,38%. Há, como se vê, um círculo vicioso em curso na economia.

Juros

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deixou claro que a alta do dólar tende a inviabilizar a queda das taxas de juros, perpetuando um cenário de queda de renda, de manutenção do desemprego e de crescimento inexoravelmente tímido.

Afinal, o Brasil é um país vulnerável, que necessita captar algo como US$ 50 bilhões ao ano para financiar suas contas externas. Daí porque a alta do dólar impressionou mais o mercado do que o resultado - razoável - da balança comercial de maio: superávit de US$ 423 milhões.

Guerra de pesquisas

Pesquisa Vox Populi feita por encomenda do PSDB mostra Lula com 40% das intenções de voto e Serra com 20%. Anthony Garotinho (PSB) aparece com 13%. Ciro Gomes (PPS-PTB-PDT), com 9%. Nem isso acalmou o mercado, que espera a divulgação de outra pesquisa - a do GPP, feita por encomenda do PFL - para saber se acredita na consolidação do governista na segunda posição.

Coligação em risco?

Outro fator de instabilidade é a possibilidade de, na convenção do dia 15, os oposicionistas do PMDB conseguirem impedir a aliança entre o partido e o PSDB. Orestes Quércia (PMDB-SP) faz guerrilha em São Paulo, mas, hoje, não teria a menor condição de virar o jogo e impedir a aprovação da aliança em torno da chapa José Serra-Rita Camata.

Vice de ninguém

Outra razão para desconfiar da força dos oposicionistas do PMDB é a situação do senador Pedro Simon (PMSB), que tem o PT como adversário histórico no Estado dele, o Rio Grande do Sul. Por isso ele não será vice de ninguém - muito menos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como a mídia e o PT chegaram a cogitar.

Voto a voto

A cúpula do PMDB faz nesta terça-feira um balanço da tendência dos diretórios regionais para a convenção. Um levantamento preliminar revela que o apoio a Serra conta com algo entre 60% e 70% dos votos dos convencionais.

A aparente conflagração do PMDB e a ameaça de adiamento da convenção são peças de um mesmo jogo: barganha regional por apoio da direção nacional do partido e pressão para que os tucanos ajudem a fechar logo as alianças nos dois casos mais complicados, Mato Grosso e Santa Catarina.

Aposta na tensão

Nem o PT tem esperança de obter o apoio do PMDB, mas insistirá em negociações com esse propósito apenas para acirrar a tensão de tucanos e peemedebistas.

Assim falou...Carlos Asilis

"A taxa de intenção de voto e (a queda da) rejeição de Lula nas recentes pesquisas têm sido consistentemente mais fortes do que esperávamos".

Do estrategista-chefe de Bolsas para mercados emergentes do banco JP Morgan, ao justificar a decisão de rebaixar a recomendação de compra de ações na Bovespa.

Tudo é história

O presidente do Uruguai, Jorge Batlle, afirmou ontem que os políticos argentinos são um "bando de ladrões" e pediu ao mundo que não compare o Uruguai com a Argentina. "Compare-nos com o Chile ou o Brasil, mas não com a Argentina", disse.

Batlle, vale lembrar, é o mesmo que em 2001 sugeriu a criação um sistema monetário único no Mercosul a cargo de ninguém menos que o ex-ministro da Economia da Argentina Domingo Cavallo. Naquela época, no entanto, Cavallo ainda era chamado por alguns de superministro, e o Uruguai não havia sofrido contágio da crise argentina.

Revista Consultor Jurídico, 4 de junho de 2002, 10h23

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