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Virada radical

Saiba como começaram os seqüestros no Brasil

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O seqüestro já era prática comum em muitos países europeus antes de se transportar para a América Latina, primeiramente na Argentina. Mas era quase desconhecido no Brasil. Na década de 60, tínhamos a ocorrência de quase um seqüestro por semana naquele país. O Brasil e o Uruguai eram, então, um oásis de tranqüilidade. As pessoas estavam ainda longe de cogitar de mudar do Brasil para outro país. A Argentina estava longe de ser um lugar atraente para se morar.

Os seqüestros surgiram na Argentina de modo profissional, e com o mesmo objetivo dos grupos italianos e europeus de um modo geral: obtenção de dinheiro para financiar a guerrilha política. Era a forma de os líderes guerrilheiros buscarem a realização de seus sonhos revolucionários.

O resgate do seqüestrado, a parte final, tinha a intermediação de bancos estrangeiros, tornando-se famosos alguns, como, por exemplo, o Banco de Boston. Por que bancos estrangeiros e americanos? Principalmente pelo fato de os executivos americanos, servindo em filiais no exterior, contarem com apoio de bancos e empresas prestadoras de serviços de segurança, assistência logística e seguro anti-seqüestro, além de carros blindados. Esses mecanismos de proteção fizeram diminuir acentuadamente o número de seqüestros na Argentina.

Qual o dano físico e psicológico, além do financeiro, provocado pelo seqüestro? A dor, em geral, é muito mais moral do que física, tornando, realmente, difícil o arbitramento de indenização, sabido que a moral, a honra e a dignidade não têm preço passível de avaliação material.

A linha divisória que marca a entrada dos seqüestros no Brasil foi há mais de 25 anos, com o excepcional seqüestro do diretor do Bradesco Francisco Beltran Martinez - cujo valor do resgate superou US$ 4 milhões - até hoje não completamente esclarecido, o que ocorre em muitos casos de seqüestros mais intelectuais. Naquela época, falava-se que um seqüestro de grandes proporções teria um custo de cerca de US$ 100 mil. Os seqüestros importantes que ocorreram desde então têm custo semelhante, como o da filha do empresário Silvio Santos.

A experiência de ser seqüestrado é deixar aterrorizado todo aquele obrigado a ficar num porta-malas de carro de passeio e mudar de veículo para despistar, durante a fuga. Como organizei vários cursos anti-seqüestro, quis ficar dentro de um porta-malas durante 30 minutos. É uma experiência que não recomendo.

A partir do seqüestro de Martinez, produtos de proteção material e de treinamento surgiram e continuam surgindo. Só que estamos todos sujeitos aos crimes intelectuais, dos mais simples aos mais preparados. Daí alguns mal-entendidos que normalmente ocorrem nos seqüestros de ricos e famosos: o bom senso deixa de existir devido à tensão e à responsabilidade daqueles que respondem pelos acontecimentos.

 é editor do site Sorocaba Acontece

Revista Consultor Jurídico, 4 de junho de 2002, 12h24

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