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Terça-feira, 30 de julho.

Primeira Leitura: FHC quer pedido de desculpas formal dos EUA.

Reação à altura

O governo brasileiro convocou segunda-feira a embaixadora dos EUA no país, Donna Hrinak, para explicar as declarações desastrosas e desinformadas do secretário do Tesouro norte-americano, Paul O’Neill, que condicionou a ajuda americana ao Brasil à adoção de “práticas políticas que assegurem que o dinheiro que recebe seja bem aproveitado, e não apenas saia do país direto para uma conta na Suíça”.

Porta fechada?

O presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, disse que o governo pode se negar a receber Paul O’Neill no próximo dia 5, em sua visita ao Brasil, se não houver um pedido de desculpas formal.

Missão de resgate

Hoje, o Brasil envia uma missão a Washington para negociar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional – entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões.

Inútil

O Tesouro dos EUA ainda elogiou segunda-feira a política econômica brasileira – desqualificando as declarações de O´Neill –, mas o estrago no mercado financeiro já estava selado.

O dólar, mesmo depois de três intervenções do BC, fechou cotado a R$ 3,18, com alta de 5,47%.

Desastre total

A taxa de risco do país saltou 9,34%, para o patamar de 2.177 pontos básicos, enquanto as taxas de juros no mercado futuro subiram 10,15% para os contratos que vencem em outubro.

Rei da chicana

Em São Paulo, à tarde, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), que apóia a candidatura de Ciro Gomes, classificou as afirmações de O'Neill de "uma audácia que não aconteceria se o governo fosse forte", mas não apontou nenhuma saída para o país.

Sem compromisso

Em face da possibilidade da extensão do acordo do Brasil com o FMI e mesmo de se fazer um outro, Ciro Gomes foi claro às emissoras de TV no sábado: não se compromete com coisa nenhuma.

Alegando a sua condição de presidenciável de "um movimento de oposição", afirmou não se sentir compelido a se comprometer com nada.

Como é que é?!

Oposição com ACM, Paulinho da Força Sindical, José Sarney e José Carlos Martinez??? Ou se comporta como se fosse doido ou como quem se prepara para mentir. Os assessores de Ciro torcem por um acordo porque sabem que é melhor um do que nenhum. Ele próprio já esteve com Armínio Fraga. A que vem a chicana?

Maturidade

Já o porta-voz da candidatura petista, André Singer, disse que as declarações eram uma clara "intromissão nos assuntos internos do país" e que "interferem e minam" a situação do Brasil.

Ainda de acordo com Singer, o PT não descarta, caso ganhe as eleições, um novo acordo com o FMI, mas considera o Fundo uma UTI, útil apenas como “remédio extremo”.

Assim falou...Business Week

“A América Latina estaria caminhando para uma nova década perdida?”.

Da revista americana de economia e negócios, sobre os risco de repetição da situação verificada na década de 80, quando vários países latino-americanos declararam a moratória de suas dívidas, levando grande parte da região para uma profunda recessão, redução do crédito e dos investimentos.

Ironias da história

No momento em que o Brasil embarca para os EUA, em busca de socorro financeiro do Fundo Monetário Internacional, não custa lembrar: em abril deste ano, Primeira Leitura criticava o ministro da Fazenda, Pedro Malan, que havia achado por bem antecipar uma parcela de quase US$ 4,2 bilhões ao Fundo. “Por que tornar o cobertor mais curto”, perguntávamos.

Segundo Malan, os chamados fundamentos da economia brasileira permitiam o pagamento antecipado. Pois bem: em junho, o país já estava em dificuldades e às portas do FMI. Em busca de, pelo menos, US$ 5 bilhões...

Revista Consultor Jurídico, 30 de julho de 2002, 10h01

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