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Terça-feira, 19 de julho.

Primeira Leitura: candidatura de Serra sofre ataque especulativo.

Ataque especulativo

A candidatura do tucano José Serra está submetida a um inédito ataque especulativo daqueles que deveriam ser seus aliados. O ex-governador cearense Tasso Jereissati associou publicamente Serra ao Ulysses Guimarães de 1989, que chegou ao fim da eleição presidencial com apenas 3% dos votos.

Malan e Parente

As declarações de Tasso foram feitas durante a comemoração dos 50 anos do Banco do Nordeste do Brasil, em Fortaleza. Depois das entrevistas, ele almoçou com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães, um dos caciques do PFL que apóiam o candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, e os ministros Pedro Malan (Fazenda) e Pedro Parente (Casa Civil), que nunca esconderam suas divergências com Serra.

Nova pesquisa

O instituto Vox Populi divulga nesta terça-feira mais uma pesquisa de intenção de votos. Segundo boatos que circularam segunda-feira, Ciro continuaria em clara ascensão. O petista Luiz Inácio Lula da Silva manteria a dianteira, com 35%, contra 34% no levantamento anterior, e Ciro teria atingido 28%. Na pesquisa anterior do Vox Populi, ele chegava a 24%. Serra apareceria com modestos 14% (antes tinha 16%).

Reação

Os mercados reagiram ao suposto mau desempenho do candidato governista. O dólar bateu novo recorde do Real, fechando a R$ 2,906 (alta de 1,36%). O risco do Brasil subiu 4,45%, atingindo 1.619 pontos.

Razão

Primeira Leitura já disse e repete: a candidatura Serra não decola porque está colada ao governo. Caso o boato sobre os números do Vox Populi seja verdadeiro, os votos antigovernistas somariam quase 70% — como sempre. É a economia real, que rouba renda e causa desemprego, mandando seu recado. Só os gênios do Palácio do Planalto e da campanha de Serra ainda não perceberam.

Visões externas

O jornal britânico The Times classificou segunda-feira o presidenciável do PT como um "populista que corteja os pobres". Já o diário espanhol El País definiu o programa do petista como social-democrata e disse que Lula promete manter medidas da gestão FHC.

Programa do PT

O PT divulga nesta terça-feira seu programa de governo. A íntegra do texto está disponível no site Primeira Leitura (www.primeiraleitura.com.br). O texto mostra incongruências entre os compromissos assumidos pelo partido e os planos para o crescimento e o investimento público.

Contradições

O PT promete um superávit primário de 3,75% ao ano, mas propõe reajuste de 20% do salário mínimo em 2003, CPMF com alíquota simbólica, fim do imposto sobre exportações e muitos programas que exigem investimento público.

Tudo isso sem contar com dinheiro de privatizações, não previstas. O crescimento da economia proposto é de 7% ao ano, o que também não combina com a vulnerabilidade externa do Brasil.

Debate absurdo

A viagem da vice-diretora gerente do FMI, Anne Krueger, ao Brasil gerou um debate absurdo na imprensa. Alguns jornalistas e analistas se esforçaram para negar que a número dois do Fundo, que chegou ontem, tenha vindo negociar um acordo que seria assinado pelos candidatos à Presidência.

Desde quando o FMI negocia com candidatos? O Fundo só lida com governos, e Anne Krueger não veio fechar, mas preparar um acordo de transição, que não se faz de uma hora para outra.

Assim falou...George W. Bush

“Eu acredito que o futuro vai ser brilhante”.

Do presidente dos EUA no dia em que a concordata da WorldCom e uma grande expectativa negativa provocaram a queda das Bolsas mundo afora — Nova York caiu 3%.

Tudo é história

Uma lição de história para o Planalto e para a campanha tucana. O eleitorado não sufragou FHC em 1994 e 1998 por adesão ideológica à chamada modernidade. Ele o fez por razões práticas. A inflação baixa implicou mais dinheiro no bolso e mais comida no prato.

Quando o modelo econômico levou à opção pela recessão, aumentou o desemprego e caiu a adesão ao governo, ainda que FHC, pessoalmente, não carregue o ônus da rejeição. Não ter percebido isso sempre foi a falha principal da equipe econômica, que pretendeu administrar o ano de 2002 como se a sociedade já tivesse fechado os olhos e os ouvidos a propostas alternativas.

Revista Consultor Jurídico, 23 de julho de 2002, 9h13

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