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Quinta-feira, 18 de julho.

Primeira Leitura: aliados de Serra tentam encontrar eixo de campanha.

Cadê o eixo?

Aliados de José Serra reuniram-se quarta-feira, em Brasília, para tentar encontrar um eixo para a candidatura do tucano. “Vamos, literalmente, colocar a campanha na rua”, afirmou o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima.

O presidente peemedebista, Michel Temer, defendeu que FHC atue mais firmemente em favor de Serra, participando até mesmo de seus programas na TV. O vice-presidente Marco Maciel, que é do PFL, também quer uma atuação mais ativa de FHC.

Novo rumo

O tal novo rumo da campanha seria marcado por um encontro com todos os governadores que apóiam Serra, previsto para a próxima terça-feira. Na quinta-feira seguinte, Serra deve receber os prefeitos aliados dos 100 maiores municípios do país.

Erro de diagnóstico

A reunião de ontem só evidencia a continuidade dos desacertos. Se quase 70% dos eleitores votam contra o governo, que sentido faz colar Serra ainda mais ao presidente? De resto, segundo um clichê popular, mas muito útil no caso, a campanha tucana precisa é de índio, não de cacique. Serra teria de se distanciar de um governo moribundo por meio da apresentação de um programa claro. É possível fazê-lo sem hostilizar FHC. Uma coisa é certa: ou descola ou naufraga.

Uma boa e uma má notícia

O Copom surpreendeu investidores e anunciou a redução da taxa básica de juros de 18,5% ao ano para 18%. Foi uma surpresa para o mercado, que reagiu apostando no dólar. A cotação da moeda americana bateu em R$ 2,921 logo após o anúncio, recuou, mas fechou em alta forte, de 0,87%, a R$ 2,897, mesmo com a venda pelo BC de US$ 100 milhões num leilão de linhas externas.

Credibilidade em jogo

Com a decisão ousada de baixar juros em meio a uma crise financeira, de crédito e de confiança no Brasil, o Banco Central arriscou a própria credibilidade. Ainda que não tenha sido tomada com intenções eleitoreiras, é dessa forma que a medida está sendo lida pelo mercado. Tanto assim que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, saiu a desmentir que a decisão tenha sido tomada por causa da pressão sobre o governo exercida por tucanos, preocupados com a queda do governista José Serra nas pesquisas eleitorais.

Por que agora?

Várias evidências levam investidores e políticos da oposição a desconfiar das intenções do BC. Se a redução da taxa-Selic se deu por conta da queda da atividade econômica, por que isso não foi feito antes? Os números, afinal, estão negativos desde meados do primeiro semestre. Em maio, já estava claríssimo que a economia estava andando para trás. Quanto à inflação, a de preços livres, de fato, segue controlada. Mas isso também não vem agora. A inflação de 2001 e 2002 só tem estado acima da meta por causa dos preços administrados e monitorados. Exemplo: tarifas e combustíveis. O que mudou?

Assim falou... Alan Greenspan

“Não é que as pessoas tenham se tornado mais gananciosas que as gerações passadas. São as avenidas para expressar a ganância que cresceram enormemente.”

Do presidente do banco central dos Estados Unidos, sugerindo que falta, no mundo, regulação para administrar os movimentos do mercado financeiro.

Tudo é história

A economista Eliana Cardoso relacionou, em coluna no jornal Valor Econômico, as personalidades do candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, com a de Jânio Quadros. “Ciro é temperamental e imprevisível como Quadros”, afirmou. A história que se segue ilustra a percepção da economista.

Em 1959, ainda que existissem temores do que então era chamado de “a aventura Jânio Quadros”, ele foi escolhido como o candidato à Presidência. E Juracy Magalhães, o nome preterido na convenção, indagou aos udenistas, representantes da direita na política, o que fariam quando Jânio os traísse.

Jânio venceu, reaproximou-se da esquerda, enviou João Goulart em visita oficial à China (eram os tempos da “cortina de ferro”), retomou relações diplomáticas com a União Soviética e condecorou Che Guevara. Sua máxima: impossível governar o Brasil com “este congresso”. O fim da história todos conhecem: Jânio renunciou e, aos brasileiros, restou a crise política e econômica.

Revista Consultor Jurídico, 18 de julho de 2002, 9h18

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