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Sexta-feira, 12 de julho.

Primeira Leitura: esforço de Armínio serviu para acalmar o mercado.

Confiança e transição

Primeira Leitura sempre afirmou que a crise de confiança do mercado financeiro exigia ações do governo e dos candidatos à Presidência, já que ela acabou por unir o que há de pior do malanismo — a vulnerabilidade externa brasileira — com a incerteza em relação ao futuro.

Ficou a cada dia mais patente que será necessário um plano de transição entre o malanismo e a nova política econômica, seja ela qual for. E que o período da transição será maior do que se supunha, dadas as conseqüências do travamento do mercado de crédito.

Ponte até outubro

A gravidade da crise foi percebida por Armínio Fraga, presidente do Banco Central, e pela ala do PT comprometida com a transição. Com o possível acordo com o FMI, o encurtamento dos prazos dos títulos e uma forma inteligente de intervenção no mercado de câmbio, Fraga articulou um plano para que o governo construísse uma ponte até as urnas, em outubro.

Fosso descoberto

Mas havia e há ainda um fosso, que vai de outubro até janeiro de 2003. As atenções de Armínio estão voltadas para esse período (e para o início do próximo governo), quando importa menos o que faz ou diz este governo e passam a ser relevantes as expectativas criadas em torno do novo presidente.

Homem de Estado

À diferença do ministro Pedro Malan, que busca não um pacto de governabilidade, mas apenas um salvo-conduto para o malanismo, Armínio buscou criar as condições para um diálogo maduro com os presidenciáveis — e o PT lidera as pesquisas de intenção de voto — para diminuir os solavancos da transição. O presidente do BC age, assim, como um homem de Estado.

Aplausos do mercado

O esforço de Armínio já tem um mérito explícito: conseguiu acalmar o mercado numa semana que tinha tudo para ser um pesadelo para o Brasil. Isso porque, além da crise interna, há agora a externa, de confiabilidade nas Bolsas dos Estados Unidos e na Europa.

Por aqui, a expectativa de conclusão de um acordo de transição com o FMI ajudou na queda de 1,96% da cotação do dólar quinta-feira. A taxa de risco do Brasil recuou 5,82%; os juros futuros caíram; e a Bovespa encerrou o pregão em alta de 2,37%.

Juízo

Mais uma decisão ajuizada vinda do Banco Central: a direção da instituição anunciou que desistiu de tributar as aplicações em caderneta de poupança. A poupança tem sido a opção dos investidores que estão deixando os fundos de investimento. Na primeira semana de julho, os fundos registraram resgate líquido de R$ 5,7 bilhões.

Mas o dinheiro está ficando no sistema. Ou seja, em reais, só que em outro tipo de aplicação. A solidez do sistema bancário é um importante diferencial do Brasil em relação à Argentina.

Assim falou...Otto Reich

“A Argentina tem sorte porque tem bons amigos como os Estados Unidos e organismos como o FMI”.

Do subsecretário dos EUA para a América Latina, ao informar que haverá ajuda ao país desde que exista um plano econômico “coerente”.

Ironias da história

O jornal The New York Times revelou com detalhes, na sua edição dessa semana, as operações financeiras que o presidente George W. Bush fez quando era conselheiro da empresa petrolífera Harken e beneficiou-se de empréstimos a juros baixos para comprar ações da própria empresa.

Apesar de comum em muitas empresas, esse tipo de empréstimo foi bastante criticado por Bush em seu discurso em Wall Street na última terça-feira, quando prometeu medidas para acabar com a onda de fraudes contábeis. Outra ironia: o vice de Bush, Dick Cheney, já acusado de permitir fraudes na contabilidade da Halliburton entre 1999 e 2000, quando ocupava a presidência dessa companhia, agora se vê às voltas com novos problemas: foi divulgado um vídeo institucional da Arthur Andersen em que ele elogia a capacidade da empresa de ir “além da auditoria convencional”.

A Arthur Andersen auditava as contas da Enron, por exemplo, que tinha US$ 30 bilhões em dívidas no balanço oficial e quase a mesma quantia em contabilidades paralelas.

Assim falou...George W. Bush

"Vocês sabem, no fundo, essa coisa sobre a América corporativa, será que é importante? Ou servir ao seu vizinho, amar seu vizinho como você gostaria de ser amado?"

Do presidente dos EUA, no mesmo dia em que a imprensa americana divulgou que ele tomava empréstimos a juros baixos de uma empresa, prática condenada em seu discurso para investidores dois dias antes.

Revista Consultor Jurídico, 12 de julho de 2002, 9h55

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