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Quinta-feira, 4 de julho.

Primeira Leitura: efeito Ciro desestabiliza cenário de polarização.

Rumo à polarização

Passada a euforia do penta, tucanos, governo FHC e petistas fazem movimentos que aprofundam a aposta em uma disputa eleitoral polarizada entre Luiz Inácio Lula da Silva e José Serra. Ambos, com as armas de que dispõem, buscam responder aos questionamentos do mercado e reafirmar que são viáveis.

Rumo ao centro

O PT deixou claro que não está mais disposto a contemporizar com as divergências em torno do programa econômico. E sacrificou o economista Ricardo Carneiro, da Unicamp, afastando-o do grupo responsável pelo programa econômico do partido, que agora deve seguir fielmente a orientação social-democrata de Guido Mantega e Aloizio Mercadante.

Homem-bomba

De idéias mais à esquerda, Ricardo Carneiro ajudou a elevar o grau de nervosismo dos mercados com uma ruidosa entrevista ao jornal Valor Econômico, há cerca de um mês, em que, entre outros pontos sensíveis, pregava contra as metas de inflação e chamava o mercado de "bando". Segundo ele, o PT governaria a partir de um "eixo social".

Em campanha

Da parte do Planalto, assim que a seleção deixou Brasília, na terça, FHC foi claro na reunião ministerial: começaram os seis meses em que o governo vai mostrar quanto pode ajudar José Serra.

O possível

A temporada de boas notícias - as possíveis - do Planalto inclui aumentar o orçamento para o financiamento da safra agrícola 2002-2003 em 26%. Serra reuniu-se quarta-feira com 14 diretórios do PFL e disse que vai governar com o partido - o que sinaliza que, se eleito, terá maioria parlamentar.

Homem-bomba 2

O que desestabiliza esse cenário de polarização é o chamado "efeito Ciro". Continuam a circular informações de que o candidato Ciro Gomes (PPS-PTB-PDT) estaria crescendo nas pesquisas e ameaçando o segundo lugar de Serra. Isso pode acontecer, mas será apenas o resultado de sua maior exposição na mídia.

Política econômica

A crise de confiança em relação ao Brasil é "um problema político" ligado às incertezas sobre o resultado das eleições, disse o diretor-gerente do FMI, Horst Koehler.

Para a agência de classificação de risco Standard & Poor's, Lula terá problemas de governabilidade e "levará tempo para aprender os diferentes papéis exigidos para quem está no poder", segundo uma analista.

Crise global

FMI e S&P já estão em 2003. Mas ainda estão preocupados apenas com Lula, sem notar que a crise é muito mais séria e já é refém da crise global. Logo, os chamados agentes multilaterais vão perceber que será cada vez mais perigoso fazer "experimentos econômicos" no Brasil, como se fez na Argentina.

Tiro no pé

É incrível como Lula fornece munição aos adversários, mesmo sem ser provocado. Foi o caso de quarta-feira, quando defendeu que apenas funcionários de carreira dirijam as estatais, como Petrobras, Caixa e Banco do Brasil.

A medida seria para evitar "cometer o erro de colocar um intruso para ser presidente de uma empresa que ele nem conhece".

Vanguarda do atraso

É uma visão corporativista, atrasada e deturpada, de quem pensa que as estatais devem ser boas apenas para os seus funcionários, e não para a população e para o país como um todo.

Assim falou...José Serra

"Os candidatos combinam ignorância com catastrofismo quando dizem que a dívida cresceu dez vezes".

Do presidenciável tucano, argumentando que os candidatos da oposição não levaram em conta a inflação no período, que apontaria para uma dívida apenas duas vezes maior.

A história não se repete

A atual crise nos mercados globais não vai desembocar em algo como o crash da Bolsa de Nova York, em 1929. Naquele ano, não havia um banco central federal e independente nos EUA. Nem havia G-7. A institucionalidade, agora, é totalmente diferente. Mas a crise atual é grave, sim.

Grave não apenas porque mostrou que o capitalismo exige regulação e Estado, mas por ter mostrado que o estouro da bolha especulativa no setor de tecnologia afetou mais do que se supunha o sistema de crédito do planeta.

A crise de confiança no mercado não se deve aos balanços de companhias relevantes estarem recheados de fraudes, mas porque há enormes prejuízos para ser absorvidos. E tudo isso acontece no momento em que despenca a credibilidade do governo George W. Bush na área econômica.

Revista Consultor Jurídico, 4 de julho de 2002, 12h01

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