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Sermão do silício

Vaticano diz que Internet distancia ricos e pobres

O Vaticano considera que a Internet pode ser um meio para resolver os problemas e criar um mundo regido pela justiça e paz, mas advertiu que também pode ser utilizado pelos países ricos contra os pobres e aumentar a brecha de desigualdade e de discriminação. Assim ressalta nos documentos "Ética na Internet" e "A Igreja e a Internet" preparados pelo Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais e apresentados nesta quinta-feira (28/2), pelo presidente do organismo, o arcebispo John Foley.

Os documentos, conforme noticia o portal Terra, apóiam "energicamente" a liberdade de expressão e a livre troca de idéias, mas afirma que, da mesma forma que os outros meios de comunicação, a Internet não está isenta de leis razoáveis "que se oponham às palavras de ódio, difamação, fraude, pornografia infantil, pornografia em geral e outros desvios".

No documento "Ética na Internet", o Vaticano afirma que "a conduta criminosa em outros contextos é considerada também uma conduta criminosa no ciberespaço e as autoridades civis têm o dever e o direito de fazer com que a lei seja cumprida".

Conforme o documento, é preciso que sejam criadas novas leis para enfrentar crimes especiais na rede, como a difusão de vírus de computadores e o roubo de dados pessoais armazenados em discos rígidos. A Igreja ataca duramente a globalização, afirma que os benefícios alcançados não foram distribuídos eqüitativamente e afirma que muitas pessoas, empresas e países aumentaram "muito" sua riqueza, "enquanto outros ficaram atrasados".

"Nações inteiras – acrescenta o texto – foram excluídas nesse processo e a globalização, que transformou os sistemas econômicos e criou possibilidades de crescimento inesperadas, propiciou o desemprego nos países mais desenvolvidos e a miséria em grande parte dos do hemisfério sul, onde milhões de mulheres e homens continuam à margem do progresso e do bem-estar". O Vaticano afirmou que todos os países e pessoas têm o direito de acesso às novas tecnologias para participar do benefício prometido pela globalização e o desenvolvimento e não ficarem para trás.

Por isso, acrescenta que é necessário que a brecha entre os beneficiados pelos novos meios de comunicação e expressão e os que até agora não tiveram acesso a ela "não se torne outra persistente fonte de desigualdade e discriminação". O texto também se refere à liberdade de expressão e, sobre isso, o Vaticano reitera que a apóia "energicamente" e que acha deplorável as tentativas dos governos de bloquear o acesso à informação, por considerá-la ameaçadora.

"Os regimes autoritários – afirma o texto – são os piores transgressores, mas o problema também existe nas democracias liberais, onde o acesso dos meios de comunicação para a expressão política depende da riqueza e os políticos não respeitam a verdade e a lealdade, cometem calunias contra os opositores e reduzem as questões a dimensões insignificantes".

Tais pensamentos não fogem muito do que pregava a "teologia da libertação" ao tempo em que seus seguidores ferrenhos defendiam uma discussão que permitisse ricos e pobres participar dos aspectos teóricos e práticos do desenvolvimento econômico. O assunto volta indiretamente agora envolvendo a influência da internet em nossas vidas.

Em a "Igreja na Internet", o Vaticano lembra que embora o ciberespaço não possa substituir a comunidade real ou os sacramentos, pode complementá-los, atrair pessoas para a religião e propiciar a colaboração entre as igrejas em nível local, nacional e internacional. No documento, o Vaticano afirma que "não é aceitável" que os membros da Igreja, em referência sobretudo aos sacerdotes e bispos, fiquem para trás "por medo da tecnologia" do uso da Internet e insistiu que são obrigados a conhecer o funcionamento da rede.

O arcebispo Foley destacou durante a apresentação dos documentos que, entre os problemas que a Internet pode criar, há a proliferação "às vezes confusa" de sites, "páginas da web", não-oficiais que se definem católicos. Para evitar essa proliferação, o documento afirma que seria útil "um sistema de certificação". Foley afirmou que poderia ser a autorização do bispo da região de onde se encontra a página católica. "Não seria uma censura, mas a maneira de oferecer aos usuários um guia seguro da Internet", acrescentou.

O documento reclama da quantidade de "sites" dedicados a difamar e atacar a Igreja, assim como os de pornografia e pederastia, "que mostram a parte mais turva de todos os seres humanos". Para lutar contra eles, o documento propõe aos pais que aprendam a usar a Internet, que coloquem filtros tecnológicos nos computadores para proteger o máximo possível os filhos da pornografia, dos depredadores sexuais e de outras ameaças.

Propõe ainda que as crianças só tenham acesso à Internet com a supervisão dos pais e lembra às crianças e jovens que nem tudo o que está na Internet é "saudável, são e verdadeiro".

"A Internet é para a Igreja um desafio e não uma ameaça", afirmou Foley.

Revista Consultor Jurídico, 28 de fevereiro de 2002, 21h10

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