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Primeira Leitura: A economia real se impõe ao Banco Central.

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Miopia

Depois que o Banco Central baixou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, na quarta-feira, houve quem dissesse que o governo estaria desistindo de controlar a inflação. Bobagem. O próprio mercado, a "entidade" tão temida, se encarregou de desautorizar essa leitura.

Os fatos

A cotação do dólar, que vinha comportada, até ensaiou uma baixa ontem; os juros no mercado futuro continuaram em queda, e os principais títulos da dívida brasileira, os C-Bonds, prosseguiram valorizados. Ou seja, a grande estripulia do BC mostra-se como uma atitude não apenas esperada, mas também necessária para a estabilidade do país.

Na real

Quem mais tem necessidade de uma redução da taxa de juros é a economia real. Ontem foi divulgado um novo indicador do IBGE que mostra a queda do emprego e da renda na indústria. De modo geral, as pesquisas sobre a renda do brasileiro mostram um processo agudo de empobrecimento.

Sejam bem-vindos

O Brasil real colocou um limite para as exigências do mercado financeiro, para a ortodoxia do Banco Central e mesmo para o conservadorismo da imprensa. O day after da decisão do Copom mostrou páginas de opinião dos jornais preenchidas por aplausos, por pedidos de cortes maiores e, surpreendentemente, por ponderações sobre a necessidade de aprimoramento do sistema de metas inflacionárias, coisa que Primeira Leitura defende há muito tempo.

Metáfora rural

Para o deputado federal Milton Temer (RJ), da esquerda do PT, uma aliança com o PL seria "como cruzamento de cavalo com vaca: não dá leite nem puxa carroça". Poderia ter dito: além de ser complicado justificá-la em base programáticas, pode ser inócua eleitoralmente.

Bancada magra

O PL tem 24 deputados federais e 1 senador. O PT tem 59 federais e 7 senadores. Para ter maioria simples, caso fosse eleito, Lula precisaria de 257 deputados e 41 senadores. Portanto, o PL não garante a governabilidade.

Peso-pena

O PL não tem governadores. Tem 257 prefeitos, a maioria de cidades pequenas. Portanto, a aliança com o PL, sozinha, não garante peso político ao candidato do PT.

Desmancha no ar

O candidato do PL a presidente em 1989, Afif Domingos, teve apenas 4% dos votos. Em 1994, o partido apoiou FHC. Em 98, apoiou Ciro Gomes, que teve pouco mais de 10% dos votos. Ou seja: o partido não tem densidade eleitoral para transferir votos para Lula.

Breve

Os liberais devem ter, segundo a assessoria do partido, menos de 2 minutos diários no programa eleitoral de rádio e TV. Portanto, nem tempo significativo na TV o PL tem para beneficiar Lula. E o preço é alto: a aliança enfrenta forte oposição interna, principalmente da esquerda do partido.

Conflito de bandeiras

Uma das forças internas mais importantes no PL é a Igreja Universal do Reino de Deus, que faz restrições a Lula e a bandeiras históricas do PT, como a defesa do direito ao aborto, a união civil entre homossexuais e outras. O partido teria de abrir mão desses temas na campanha para compor com o PL, que abriga malufistas históricos, como Valdemar Costa Neto e Francisco Rossi.

Sem atração

Um dos principais argumentos em defesa da aliança é que ela abriria as portas do empresariado para Lula, mas o senador José Alencar (MG), dono da Coteminas, o maior grupo têxtil do país, não tem influência sobre as entidades empresariais e sobre o empresariado paulista.

Assim falou. a Coréia do Norte

"Ele (é) um homem privado da razão elementar ou uma criança politicamente retardada."

Do governo norte-coreano, ao rejeitar, ontem, a proposta de negociações feita pelo presidente dos EUA, George W. Bush, que incluiu o país no que chamou de "eixo do mal" - ao lado de Irã e Iraque -, passível de ataque norte-americano.

Estava escrito

No dia 20 de fevereiro, finalmente, o BC baixou para 18,75% a taxa básica de juros, congelada em 19% desde julho de 2001. Primeira Leitura pede a queda dos juros desde novembro desse ano. Na edição do dia 21 daquele mês, o site criticou a decisão do BC de manter a taxa inalterada. "O que falta ao governo em conservadorismo em relação à crise energética sobra em relação ao juro", dizia o site, que defendeu a redução da taxa ao longo dos últimos meses.

 

Revista Consultor Jurídico, 23 de fevereiro de 2002, 7h57

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