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No alvo das críticas

'A Microsoft não é o desastre secular que se pinta'

De qualquer maneira, o Windows não impede que se use outro browser qualquer para acesso à web. A comodidade de já vir no sistema operacional não pode ser usada como desculpa para o fato de que o IE tomou a liderança em browsers, se o IE fosse inferior aos concorrentes. Afinal, ninguém se contenta em usar o Wordpad embutido no Windows como processador de documentos só porque ele vem embutido...

"O Windows é um sistema proprietário, fechado. O Linux é um sistema de código aberto, portanto melhor."

Um programa com código aberto pode ser modificado e adaptado por qualquer um hábil a fazê-lo. Um sistema proprietário e portanto fechado só pode ser alterado pelo proprietário. Isso, entretanto, só afeta o que pode e o que não pode ser feito com o código e pode implicar em vantagens ou desvantagens somente para casos específicos. O fato de ser fechado ou aberto não tem qualquer relação com qualidade. É o mesmo que dizer que vassoura de piaçaba é melhor que vassoura de pelos de plástico, só porque a vassoura de piaçaba é natural.

Se um usuário precisa de customização especial, um programa aberto lhe é vantajoso, pois a customização pode ser feita a baixo custo ou mesmo custo zero. Isso, logicamente, se o usuário puder ele mesmo fazer essa customização. Vide exemplo a seguir.

"O Linux, sendo um sistema aberto, pode ser customizado a gosto do usuário. E, também, os erros do sistema podem ser rapidamente consertados, pois qualquer programador pode abrir o código e confeccionar a correção. Os sistemas proprietários só podem ser consertados pelo fabricante".

De fato, é muito fácil e rápido consertar bugs do Linux, sendo um sistema aberto, se você for uma das 5.000 pessoas no mundo capacitadas a fazer isso e com tempo disponível para tanto. Corrigir um defeito implica conhecer o funcionamento do sistema com profundidade, pesquisar e simular até isolar o erro, e então criar um código alternativo e testá-lo. Quem se habilita?

A licença do Linux permite que lhe sejam feitas alterações, desde que essas alterações também sejam disponibilizadas livremente. Isso criou as "distribuições", que são pacotes Linux com alguma customização oferecidos por mais de 20 empresas. O que essa liberdade acabou criando foi um emaranhado de "sabores" de Linux que não são inteiramente compatíveis entre si. Um programa pode precisar de ajustes para funcionar numa ou noutra distribuição, ou da instalação de programas extras.

Esses ajustes quase sempre não são triviais, forçando o usuário ao périplo (muito usual entre linuxistas) pelos newsgroups e páginas de suporte para descobrir o que fazer. E a documentação disponível para o Linux está longe de ser palatável ao usuário comum. Mais importante, programas podem dar resultados diferentes dependendo da distribuição Linux usada, como por exemplo simuladores de redes, devido a diferenças de compilação e pacotes existentes na distribuição.

Para atacar esses problemas, a comunidade Linux criou o Linux Standard Base, um conjunto de especificações buscando um padrão a ser seguido pelas distribuições comerciais.

"O Linux funciona até em um 486, enquanto que o Windows exige máquinas mais poderosas a cada atualização".

É preciso esclarecer que o Linux que rodaria num 486 seria uma instalação bastante pequena e simplificada do sistema, praticamente evitando o uso da interface gráfica e tolhida de uma série de recursos novos. Já que o Linux é um sistema baseado em linha de comando, isso é possível. Como o Windows é puramente gráfico desde a versão Win95, ele precisa de mais recursos para rodar. Isto não é privilégio do Windows.

Também o MacOS, a cada atualização, exige Macintoshes mais poderosos para rodá-lo, pois as novas versões agregam mais facilidades e mais recursos (o MacOS X, por exemplo, exige no mínimo um Power Mac G3 com 128MB de RAM). Os Macintoshes mais antigos são obrigados a funcionar com as versões antigas do MacOS, e esta é a única opção, pois para o Macintosh, só há um provedor de sistema operacional (a própria Apple).

Ainda assim, versões do Windows costumam rodar de maneira razoável em máquinas inferiores à configuração mínima recomendada. O Windows ME roda satisfatoriamente num Pentium 200 MMX com 64MB de RAM do mesmo jeito que uma instalação gráfica do Linux na mesma máquina.

O fato de que o Linux pode ser instalado em um 486 como também em um mainframe mostra, entretanto, sua grande flexibilidade de configuração.

"O Windows tem mais bugs (falhas) que o Linux. E as falhas do Linux são prontamente corrigidas pela comunidade de desenvolvedores, enquanto que a Microsoft tenta acobertar as falhas do Windows".

Segundo levantamento da SecurityFocus, em 2001 as distribuições do Linux tiveram 96 falhas de segurança, contra 42 do Windows NT e 2000. Logicamente, os passionais lerão esses números segundo sua própria interpretação. Os amantes do pingüim dirão que simplesmente menos falhas foram achadas no Windows porque ele é proprietário, fechado, portanto não se pode pesquisá-lo.

Revista Consultor Jurídico, 22 de fevereiro de 2002, 16h36

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