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No alvo das críticas

'A Microsoft não é o desastre secular que se pinta'

MICROSOFT, MENTIRAS E SOFTWARE LIVRE.

O Windows é a pior coisa já criada para o PC. O Word não funciona direito. O Internet Explorer não presta. Bill Gates quer dominar o mundo e construir a maior mansão do planeta, mantendo a raça humana como jardineiros.

Quantas vezes já não se ouviu uma das frases acima, sempre acompanhadas de gargalhadas cúmplices e a sensação de pertencer ao "grupo certo"?.

Empresas como Sun e Novell pautam quase todo um esquema publicitário em detrair a concorrente Microsoft e seus produtos. Outras como AOL e Oracle criam o lançamento contábil "receitas auferidas em processos contra a Microsoft". Webmasters tentam alavancar a audiência de seus sites colocando jogos tipo "atire o ovo no Bill". Articulistas garantem os trabalhos de meses e várias outras empresas procuram justificar suas falhas mercadológicas culpando a Microsoft.

Mas o que fez esta empresa para ser tão perseguida? Será mesmo que uma empresa consegue ser tão bem sucedida e ser ao mesmo tempo um total desastre? A personificação do Mal? Vejamos alguns argumentos comumente usados contra a empresa e porque eles são falhos.

"A Microsoft criou um sistema (MS-DOS) que limitou o computador a uma memória máxima de 640KB, forçando os programadores e fabricantes a adotar malabarismos de forma a poder ter acesso a mais memória. Tudo isso para não ter de mexer num sistema operacional ultrapassado e assim lucrar mais".

Um pouco de história. O primeiro PC, inventado pela IBM e lançado no mercado em 1981, tinha um drive de disco de 5 1/4" e 64KB de memória RAM. Até meados da década de 90, memória era um artigo de luxo e sempre economizada ao máximo. Para equipar seu PC, a IBM procurou a Digital Research, fabricante do sistema DR-DOS. O encontro foi patrocinado, a pedido da IBM, pela Microsoft, que já licenciava o DR-DOS para fins específicos. O acordo falhou e a IBM voltou-se para a Microsoft, que adquiriu um sistema de uma empresa de Seattle e usou-o como base para criar o MS-DOS.

A limitação de endereçamento de até 640KB de memória é real e faz parte do projeto do PC. De fato, esta característica do projeto existe até hoje, e em todo e qualquer PC, tenha ele 64KB ou 640MB de memória RAM. Prestando atenção no processo de boot de algumas máquinas, logo no início aparece uma tabela com detalhes do computador como CPU, discos rígidos, memória instalada e etc. Consta lá: memória principal, 640KB! Todo o resto da memória está listado em "memória estendida".

Quando os PC's começaram a ser equipados com mais de 640KB de RAM, houve que se criar mecanismos para acrescentar e acessar essa memória extra, sem no entanto perder a compatibilidade com o projeto original e também os programas já existentes. Criou-se então a memória estendida, e sua disponibilização foi entregue a programas específicos, como o excelente QEMM da Quarterdeck e o EMM386, da Microsoft e integrante do sistema.

Os programas ainda tinham de ser executados no espaço de 640KB, entretanto. Este espaço ainda deveria conter partes do sistema operacional para que o computador funcionasse. Permitir que a maior quantidade possível de memória ficasse livre no espaço de 640KB consistia em uma arte naquela época, e dependia de uma sintonia delicada e fina (e manual) do QEMM ou EMM386.

A partir do MS-DOS 5 e do advento do Windows 3.1, essa sintonia passou a ser cada vez mais automatizada, tornando-se transparente para o usuário. Estes sistemas, portanto, foram responsáveis pela eliminação da barreira dos 640KB, e não por sua criação.

Não obstante, a limitação de memória RAM endereçável máxima existe. Segundo a própria Microsoft no artigo Q311871 de seu Knowledge Base, o Windows 98 e Windows Me não suportam mais que 1GB de RAM no computador, e talvez nem 1GB funcione a contento.

Há três ou quatro anos, quando estes sistemas estavam sendo lançados, 1GB de RAM para um computador doméstico ou desktop (o objetivo desses sistemas) era uma situação praticamente inexistente e não cogitável. Mas em 2002 é perfeitamente possível e é no mínimo frustrante aprender que um sistema operacional recente tem um limite de memória tão pequeno, o que tornará este sistema inoperante em poucos anos. O kernel atual do Linux endereça até 4GB de RAM, que é o limite de memória instalável nas melhores placas-mãe do mercado.

"A barreira dos 640KB nunca teria existido se a Microsoft tivesse criado os mecanismos de gerenciamento mais cedo e mais eficientemente. Mas o próprio Bill Gates não achava necessário. Ele até comentaria que '640KB são mais do que suficientes para qualquer usuário'".

A barreira talvez jamais existisse se a IBM tivesse projetado o PC de outra forma. Ou se não o tivesse projetado, o mundo talvez hoje fosse dominado por Commodore's ou Apple's. Naquela época, os únicos sistemas que previam gerenciamento de grandes quantidades de memória eram sistemas profissionais como os caríssimos UNIX e os proprietários para mainframe.

Revista Consultor Jurídico, 22 de fevereiro de 2002, 16h36

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