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Caso DNER

DISSE QUE EU TINHA TRANSFERIDO QUASE UM MILHÃO DE DÓLARES DA CONTA DE ARNOLDO PARA UMA OUTRA CONTA.

Argumentei que não poderia fazer a transferência porque não tinha autorização nem procuração para isto. O policial considerou papo furado o que estava dizendo, que eu estava numa grande encrenca. Falei para ele que não tinha este dinheiro e que não tinha este dinheiro e que não tinha sido eu o responsável pela transferência. Questionei porque o próprio Arnoldo não tinha me procurado para falar sobre o assunto.

O Doutor Coelho me informou que o senhor Arnoldo não tinha me procurado porque estava muito puto comigo. Que Arnoldo não tinha me procurado para me dar um tapa com receio que eu prestasse queixa contra ele na Polícia. Disse que a conversa que estava ocorrendo ali não era motivo para ocorrência policial.

Encurtando a conversa, me avisaram que o senhor Arnoldo era um homem público e não poderia aparecer. Os policias disseram que se eu pagasse a metade do dinheiro desviado da conta do senhor Arnoldo o assunto morreria. Perguntei como iria entregar metade do suposto desvio de dólares se não tinha o dinheiro. Os policias falaram: se vira, você tem prazo até amanhã, sexta-feira.

Naquele momento reconheci um dos agentes que estava com o doutor Coelho e o amigo do Fernando, citado no começo deste depoimento. Concluí, naquele momento, que aqueles homens eram da Polícia Civil e Fernando deveria saber quem eram estes agentes e o doutor Coelho.

Saí da conversa muito preocupado porque não tinha desviado o dinheiro e não tinha dólares para pagar a ninguém. Pensava como iria à delegacia prestar queixa contra um homem forte da Polícia Civil, sendo eu um cidadão comum. No mesmo dia, à noite, telefonei do meu celular para o trabalho do senhor Arnoldo mas não consegui falar. Telefonei novamente, desta vez para a sua casa, no telefone 368.3301 e no celular 9984.1519 e não o encontrei. Deixei recado com a empregada e não tive retorno.

NO DIA SEGUINTE, SEXTA, FAYAD ME TELEFONOU NOVAMENTE COBRANDO O DINHEIRO E FALANDO QUE O PESSOAL TINHA TELEFONADO PARA ELE perguntando pelo dinheiro.

E me avisou que se não pagasse estaria morto no próximo final de semana. Percebi que a coisa era muito séria.

Voltei a ligar na sexta-feira por volta das 18 horas para o senhor Arnoldo. NA MESMA SEXTA-FEIRA RECEBI UM RECADO DO SENHOR ARNOLDO QUE ATRAVÉS DO DOLEIRO FAYAD MANDOU ME AMEAÇAR.

Disse para não telefonar e que arrumasse o dinheiro.

Resolvi abandonar a loja All Traves que tinha no Hotel Nacional e sair de Brasília.

Entendi que estava correndo risco de vida e que a situação estava preta para mim e que a melhor solução era mesmo viajar.

Eu estava correndo risco de vida.

Soube que estava correndo boatos que eu tinha dado um tombo na praça e que era um picareta.

RESPONSABILIZO O SENHOR ARNOLDO, OS DOLEIROS FAYAD E JORGE KAMUN, ALÉM DOS POLICIAIS E DO DOUTOR COELHO QUE ESTAVAM NO ESCRITÓRIO DE FAYAD. SUSPEITO QUE ESTAVA SENDO SEGUIDO POR ALGUÉM QUE QUERIA ME MATAR. RESPONSABILIZO TAMBÉM ESTAS MESMAS PESSOAS POR QUALQUER DANO QUE POSSA ME OCORRER, OU À MINHA CASA.

Na segunda-feira seguinte resolvi sair de Brasília. Telefonei para o Audi Bank para saber o que estava acontecendo e falei com a funcionária Mayra que me mandou telefonar para São Paulo para falar com o senhor Salem, pois ele respondia pelo escritório no Brasil. Telefonei para Salem que me confirmou: insinuou que eu era o responsavel pelo desvio.

Somente eu ate o momento me ferrei.

Senhores, gostaria que investigassem as contas acima onde o Banco Audi e Sr Arnoldo me acusam de retiradas da conta do proprio irregulares.

Estou sendo injustiçado e ameaçado por pessoas sem poder reclamar meus direitos. Ainda estou vivo que graças a eles me fizeram abandonar minha casa e a minha cidade.

Peço justiça a autoridades brasileiras que investiguem o desvio de dinheiro do senhor Arnoldo que contou com o apoio do Banco Audi. Obrigado por lerem a minha carta E ESPERO SEVERA INVESTIGAÇÃO SOBRE ESTAS DENÚNCIAS.

Sem mais.

Charbel Georges Nicolas.”

Pela narrativa, os investigados teriam, agindo com dolo, intencionalmente, promovido a saída, sem autorização legal, de moeda e divisas para o exterior, bem como procederam à manutenção de depósitos no exterior, em geral não declarados à repartição federal competente, a Secretaria da Receita Federal. E CHARBEL diz que os recursos teriam origem"pública”, em"corrupção”.

Para facilitar o entendimento do quadro de ilicitudes no DNER, vejamos a transcrição de uma reportagem da revista ISTO É – Edição 1673 – 24/10/2001, que resume dos trabalhos investigativos do MPF:

“POLÍTICA 24/10/2001

TRANSPORTE DE DÓLARES

MP acelera investigação sobre o esquema de remessa ilegal que envolve assessores diretos do ministro Eliseu Padilha

Revista Consultor Jurídico, 18 de fevereiro de 2002, 18h48

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