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Morre Marchezan

Morre Marchezan, o último líder do governo no período militar.

O deputado federal Nelson Marchezan, do PSDB do Rio Grande do Sul, morreu de infarto fulminante nesta segunda-feira (11/2), segundo noticia a Rádio Jovem Pan.

Ele passava o carnaval em sua fazenda no interior gaúcho. De acordo com o médico Gilberto Gonçalves, do Hospital de Rio Pardo, o deputado estava sem vida quando deu entrada no Pronto-Socorro. Autor do projeto que instituiu o bolsa-escola, Nelson Marchezan foi presidente da Câmara dos Deputados e líder do governo Figueiredo.

A pecha de ter servido um governo militar, no caso do deputado gaúcho, soa elogiosa. Ele participou com dignidade e ativamente do processo de transição para o Estado de Direito sem tirar proveito da situação, como fizeram a maioria dos ex-integrantes da Arena e do PDS que renegaram o passado para integrar os governos que se seguiram.

Marchezan exercia seu quinto mandato como deputado federal. Natural de Santa Maria, começou sua carreira política ainda nos movimentos estudantis, sendo eleito vereador com 21 anos e deputado estadual, com 24 anos. Bancário, advogado, casado e pai de cinco filhos, foi reeleito deputado federal com 52.410 votos, pelo Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB.

Ingressou no PSDB, a convite do próprio presidente da República. Foi presidente da Câmara dos Deputados no período 1981-1983, duas vezes líder do Governo da Câmara dos Deputados, 1979-1980, 1983-1984; coordenador da Frente Parlamentar da Região Sul, 1995-1998 e assíduo integrante de várias comissões: Comissão de Educação, Cultura e Desporto; Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul; Comissão Especial da Alca - Área de Livre Comércio das Américas.

A carreira política de Marchezan inclui, ainda, cargos públicos como o de Secretário Estadual do Trabalho e Ação Social – Governo do Estado do Rio Grande do Sul (1972-1974) e Secretário Nacional de Comunicações (1992).

Marchezan presidia o PSDB do Rio Grande do Sul, foi autor da lei que instituiu o programa de garantia de renda mínima vinculada à educação, atualmente chamado de Bolsa-Escola e foi também relator do Plano Nacional de Educação, presidente da comissão especial que regulamenta a Previdência Complementar, presidente da comissão especial que cria vinculação orçamentária para a saúde (PEC da Saúde) e presidente da CPI dos Medicamentos.

Seu papel mais importante, entretanto, ele desempenhou quando os setores mais conservadores do cenário político nacional ainda tentavam garantir a continuidade dos postulados do regime militar, com a candidatura Paulo Maluf. Marchezan resistiu bravamente. Articulou no sentido de favorecer a candidatura de Tancredo Neves e, se não se deixou seduzir pelas tentadoras propostas do segmento malufista, tampouco atendeu aos convites feitos pela facção de Tancredo Neves, que teve nele uma alavanca para chegar ao poder.

Revista Consultor Jurídico, 11 de fevereiro de 2002, 23h29

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