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Big Brother

Professora diz que Big Brother afronta Direitos Humanos

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Então, está certo, doze pessoas assinam e concordam com um contrato e, em razão disto, perdem voluntariamente etemporariamente o direito a privacidade e intimidade. São espionadas full time, ou seja, vinte e quatro horas ao dia, por dezenas de câmaras e microfones.

Muito embora, já se tenha provado que tanto a seleção como os participantes, não são tão anônimos e, nem foram mesmo selecionados.

Agora este apanágio ao voyeurismo foi notificado pela Polícia Federal que um de seus participantes está ilegalmente no Brasil visto não atender adequadamente às exigências burocráticas.

Tudo pode acontecer no tal reality show. Sexo, traições, fofocas ou simplesmente incompatibilidade de gênios. Isso tudo mesclado por inúmeras provas ou tarefas humilhantes tendo em vista a dignidade humana.

O referido modelo de programa já estreou em diversos países do mundo e conta à mídia com expressivo sucesso.

Aqui no Brasil, no entanto, a atração gerou mais constrangimentos do que Ibope. E, nem vou revelar que foi uma tentativa desesperada da Rede Globo, justamente porque outra emissora (o SBT) teria se adiantado e lançado em primeira mão a "Casa dos Artistas".

Além de inúmeros milhões de reais investidos na montagem e produção do Big Brother, pergunto, se a mesma suntuosa verba não poderia ter tido, por exemplo, a destinação mais nobre, e, de repente, ser investida numa programação educacional e cultural que realmente acrescentasse algo de relevante ao sofrido povo brasileiro.

Mas a preocupação é atingir a audiência e, vencer assim a acirrada competição entre os canais de televisão aberta que padece cada vez mais de uma programação sofrível e de parca qualidade.

A propósito, transformar a história do Brasil em uma piada erótica igualmente não foi boa idéia. Esse tipo de programa demonstra grave afronta aos Direitos Humanos sejam dos participantes como também dos seres expectadores.

E é mesmo difícil coibir que crianças e adolescentes não se contaminem com a perspectiva de ganhar dinheiro fácil e, desfrutar de conforto e notoriedade diante de tantos expectadores. Mais do que a sensacional miséria circundante, que a dengue hemorrágica e dos seqüestros de autoridades, a televisão se consagra em ser o ópio capaz de entorpecer consciências e emburrecer um país inteiro que continua seqüestrado e, sem futuro nas mãos de inconseqüentes poderosos. Você decide: quem pagará o resgate?

 é professora, mestre em direito, e conselheira do Instituto Brasileiro de Pesquisas Jurídicas

Revista Consultor Jurídico, 9 de fevereiro de 2002, 20h09

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