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Fim de sequestro

O publicitário Olivetto é libertado depois de 53 dias

O publicitário Washington Olivetto, 50, dono da Agência W/Brasil foi libertado neste sábado (2/2) por volta das 22h40. Ele estava sozinho em uma casa dos bairros mais populosos da capital paulista, o Brooklin, na Zona Sul da cidade. Seu cativeiro seria um cubículo de três metros quadrados.

A desarticulação do seqüestro teria ocorrido em decorrência da prisão de uma quadrilha de estrangeiros (prováveis chilenos usando passaportes argentinos falsos), que se encontrava na cidade de Serra Negra (SP). A polícia chegou ao local graças ao telefonema de um vizinho que ligou para o número 190, da Polícia Militar. Ele acionou a polícia por ter ouvido o publicitário gritar que era Washington Olivetto e que estava seqüestrado.

O grupo que o mantinha preso fugiu. Olivetto estava em poder dos criminosos desde 11 de dezembro do ano passado. Segundo a polícia, não foi pago resgate.

Olivetto começou a gritar no cativeiro quando percebeu que estava sozinho na casa, com muito calor e falta de ar. Antes, havia um duto que levava ar até o cubículo e música 24 horas por dia. Mas tanto a música quanto o fluxo do ar haviam parado.

Segundo o soldado Gimenez, um dos primeiros a chegar ao local, Olivetto disse "eu sou seqüestrado, graças a Deus vocês me acharam. Eu não vou esquecer". Em seguida, ele abraçou os policiais. Segundo a polícia, ele tinha de se segurar nas paredes para conseguir andar.

Com o cabelo mais comprido, barba e visivelmente abatido, o publicitário foi levado para a casa de um cunhado para ser atendido por um médico e, em seguida, para sua casa, nos Jardins.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, Olivetto foi deixado sozinho no cativeiro pelos seqüestradores, que teriam ficado sabendo da prisão de seus comparsas na sexta-feira.

Com eles, a polícia encontrou armas e bilhetes, que seriam enviados a famílias de seqüestrados. Ainda segundo a polícia, esses seis (quatro homens e duas mulheres) tinham passaportes argentinos falsos. Seriam na verdade chilenos e teriam dito em depoimento ter vinculação política, o que a Secretaria da Segurança Pública diz não acreditar.

Olivetto, de 50 anos, é um dos publicitários mais conhecidos do país. Ele foi sequestrado na noite de 11 de dezembro em São Paulo, minutos após deixar sua agência, a W/Brasil. Seu carro foi abordado por homens disfarçados de policiais federais, em falsa blitz em Higienópolis, e foi levado, a seguir, em outro carro.

Mesmo sem pagar resgate, como diz a polícia, a família do publicitário chamou uma empresa inglesa especializada para conduzir as negociações com os seqüestradores.

A W/Brasil de Olivetto foi quem criou algumas campanhas mais marcantes da publicidade brasileira como "O Garoto Bombril", o "Primeiro Sutiã da Valisère", o "Cachorrinho da Cofap", o "Rato da Folha", os "Gordinhos do DDD", "Os casais Unibanco", os musicais da Rider com Lulu Santos, Tim Maia, Paralamas do Sucesso, Jorge Benjor, Marina, Fernanda Abreu. A agência usou também políticos e personalidades na publicidade como Paulo Maluf e Leonel Brizola (Vulcabrás 752); Antonio Ermírio de Moraes (Fiat); e Bill Gates (Unibanco).

Desde o começo da agência, a W/Brasil decidiu que não faria a propaganda política. "Eu brinco que gosto de vender produtos que o consumidor possa devolver se não gostar, o que não é o caso de candidatos políticos", explicou Olivetto a uma publicação especializada.

A polícia informou que Olivetto passa bem, embora abalado emocionalmente.

Na chácara onde a quadrilha foi presa, havia bilhetes e gravações de pessoas que estariam em cativeiros destinadas a seus familiares.

Desde a metade da década de 80, a polícia diz apurar a ação de grupos estrangeiros em seqüestros no Estado. Há indícios de que, mesmo após a prisão dos seqüestradores do empresário Abílio Diniz, em 1989, outros grupos desse tipo continuem agindo, mas nunca foram identificados.

Na chácara, além dos bilhetes e das fitas, normalmente usados em negociações de sequestros, havia máquinas fotográficas, computadores portáteis, US$ 6.000, uma pequena porção de maconha, uma dezena de celulares, pistolas, dois carros (um Vectra e uma Ranger) e farto material de disfarce (perucas, bigodes, enchimentos de corpo e passaportes falsificados).

Os presos são quatro homens e duas mulheres, cujas identidades não foram divulgadas. Seriam chilenos ou argentinos, com exceção de uma mulher, possivelmente espanhola. As nacionalidades foram declaradas pelos presos, que falam espanhol. Mas não foram confirmadas oficialmente pela polícia até ontem.

Depois da chegada da PM à chácara, a polícia montou uma verdadeira operação de guerra. De São Paulo, foi ao local o diretor do Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado), Godofredo Bittencourt, acompanhado de três delegados e uma dezena de investigadores. Do interior, foram chamados os seccionais de Bragança Paulista e Campinas, além de todo o efetivo de Serra Negra e Amparo.

A chácara foi esvaziada assim que os peritos coletaram o material apreendido. A polícia, que havia avisado a imprensa sobre a ocorrência, sumiu com os presos, que deverão ser apresentados na segunda-feira.

Com informações da Folha Online

Revista Consultor Jurídico, 3 de fevereiro de 2002, 7h24

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