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Terça-feira, 31 de dezembro.

Primeira Leitura: futuro governo já vive um dilema energético

O dilema energético do PT

O futuro governo já vive um dilema sobre o que fazer no setor energético. Se der prioridade à ampliação da oferta de energia, pode ter de conviver com tarifas mais altas, o que significa mais inflação. Se tentar conter o reajuste de preços do setor, pode ter de enfrentar um novo apagão, pois sem garantias de retorno a iniciativa privada não fará os investimentos necessários para evitar a crise.

Nova política

Ontem, a futura ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, afirmou que vai rever a política de preços dos combustíveis e da energia elétrica. No caso do setor elétrico, a proposta é fazer uma média de preços entre energia velha, de hidrelétricas, e a nova, mais cara, porque vem de usinas térmicas, que usam gás com preço em dólar e ainda não amortizaram seus investimentos.

Centralização

O que Dilma Roussef quer é considerar os referenciais do mercado, mas com instrumentos de controle por parte do Estado. Vem aí uma gestão mais centralizada. A futura ministra disse ontem que será o ministério, e não as agências reguladoras (Aneel e ANP), que vai definir a política do setor.

Problema 1

O diagnóstico de Dilma pode estar certo, mas há problemas pela frente. O Banco Central divulgou ontem sua previsão para o IPCA de 2003, que deverá ficar em 9,5%. O mercado espera pelo menos 11%. A tarifa de energia, espera o BC, deve subir 30% no ano que vem.

Problema 2

Se conseguir impedir que a previsão de alta na energia se cumpra, o governo Lula terá pelo menos um grande problema para administrar: pode ser acusado de romper contratos, causar ainda mais confusão sobre as regras no setor e espantar potenciais investidores, aumentando o risco de apagão.

Na mão do Estado

Luiz Pinguelli Rosa, confirmado como futuro presidente da Eletrobrás, reafirmou nesta segunda-feira a intenção do novo governo de não vender as geradoras que ainda são estatais. "Não haverá privatização no setor elétrico", disse. A Eletrobrás controla as geradoras Eletronorte, Furnas e Chesf.

Qual o remédio?

O futuro ministro da Saúde, Humberto Costa, disse ontem que ainda não tem uma "visão" de como será feito o controle de preços de medicamentos. O atual governo, a equipe de transição e a indústria farmacêutica fizeram um acordo provisório que congelou os preços até março.

Choque de petróleo

O governo Lula assume tendo no centro de suas preocupações a inflação. O petróleo tem grandes chances de aumentar as razões para tanta preocupação. Com uma guerra no Iraque, o preço da commodity, que acumulou alta de cerca de 50% em 2002, pode explodir em 2003.

Alckmin em 2006

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou o restante de seu secretariado. Mais gente vinculada a FHC, como o ministro da Saúde, Barjas Negri, indicado para a Habitação, e Maria Helena Castro, secretária executiva do Ministério da Educação, que vai para Assistência e Desenvolvimento Social.

Eixo de poder

Alckmin, que tem avaliação positiva de 64% dos paulistas, prepara-se para protagonizar o eixo de poder alternativo ao PT. O Brasil de 2006 passa, é claro, pela tentativa de reeleição de Lula. Mas também passa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Assim falou... Dilma Roussef

"A população brasileira não recebe seu salário em dólar."

Da futura ministra das Minas e Energia ao anunciar que pretende encontrar uma forma de definir a tarifa de energia elétrica pela média entre a energia velha, de hidrelétricas, e a energia nova, de termelétricas, mais cara e vinculada ao dólar.

A história vai se repetir?

O desempenho de Marta Suplicy na pesquisa Datafolha sobre os prefeitos das capitais faz perguntar se a história vai se repetir. Marta assumiu São Paulo como Lula vai assumir o Brasil: era a voz da esperança reunindo competências acima de qualquer suspeita. Deu no que deu. Dois anos depois, 16% dos entrevistados pelo Datafolha dão nota zero para a prefeita de São Paulo. Na média, Marta teve nota 4,7.

Revista Consultor Jurídico, 31 de dezembro de 2002, 8h09

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