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28 dezembro 2002
A Máfia do emprego
Empresas de recolocação profissional e as vinganças de ex-patrões
Tão ruim quanto perder o emprego é cair nas mãos de empresas ditas de recolocação profissional. O DR recebeu denúncias de que uma verdadeira máfia tomou conta desse mercado vendendo vagas que não existem e prejudicando a vida de profissionais em cumplicidade com maus empregadores.
Escondidas na desculpa da confidencialidade, essas empresas possuem uma lista negra de pessoas que estão "queimadas" no mercado de trabalho. As vítimas são quase sempre bons profissionais que cometeram o "crime" de deixar seus empregos, em busca de uma melhor posição profissional. A vingança do ex-patrão é bloquear-lhe o acesso à outra companhia através dessas empresas de head-hunting.
Com isso, um executivo competente é rebaixado à humilhante condição de desempregado. Com contas a pagar e família para alimentar, ele tem o "passe desvalorizado" e é obrigado a voltar em condições inferiores às que possuia anteriormente. Uma torpe discriminação que pune o profissional demissionário impedindo que ele vá para a concorrência.
Outros golpes utilizados pela máfia da recolocação para extorquir dinheiro do profissional desempregado é atraí-lo com uma oferta de trabalho "cem por cento ajustada ao seu perfil", com excelente salário numa ótima empresa. Só que para encaminhar o curriculum do candidato à empresa, cujo nome é mantido em sigilo, são cobradas altas quantias. O tempo passa e nada acontece. E o nosso candidato ao emprego acaba percebendo que caiu no golpe, pois a vaga e a empresa contratante nunca existiram. Se alguém reclama, o argumento é "estamos em negociação com a empresa".
É comum também durante esse período de espera, cobrarem mais algum dinheiro do candidato para "refazerem o curriculum", para torná-lo mais atrativo e competitivo. Outro expediente utilizado é convencer o candidato, enquanto espera pela vaga que não existe, a fazer cursos de aprimoramento profissional. A vítima é então empurrada para os mais diversos cursos do tipo "como se comportar numa entrevista", "dinâmica de grupos para executivos", etc. Geralmente ministrados por pessoas menos habilitadas que o candidato.
Há ainda outras maneiras de tomar dinheiro do executivo desempregado. A maioria das empresas de headhunting possui sites na internet. O candidato tem que pagar para incluir seu currículo e candidatar-se às "vagas" oferecidas. Mas a atividade é tão criminosa que falsas empresas se associam umas às outras, não para ter acesso às vagas inexistentes, mas para poderem capturar currículos nos sites e dar início a um novo processo de extorsão dos incautos. Algumas usam o recurso de publicar anúncios fechados (sem o nome da empresa) onde pedem que os interessados escrevam para uma caixa postal. Nesse caso, os currículos recebidos são desonestamente enviados para um banco de dados, onde a quadrilha manipula informações e atrai o candidato para a armadilha da "venda de vagas" inexistentes.
Tudo isso acontece sob o olhar complacente de Diretores e Gerentes de RH de grandes companhias. Eles se fecham em grupos e trocam curriculos e informações entre si, e com a cumplicidade das empresas de recolocação determinam o destino dos profissionais desempregados, onde o talento e a competência são relegados a segundo plano, prevalecendo favorecimentos e interesses poucos sinceros de concorrência empresarial.
Executivos que foram vítimas da máfia preferem calar-se com medo de represálias. Muitas empresas do ramo já foram denunciadas, processadas e fechadas pelo PROCON, mas nada acontece a seus dirigentes que ficam livres para abrir outra empresa e continuam a manipular o mercado enriquecendo às custas da venda de falsas esperanças para os desempregados.
A máfia do emprego (II)
Que há realmente uma máfia atuando no mercado de recolocação de executivos não há dúvida. Mesmo entre os profissionais do ramo, todos são unânimes em confirmar a denúncia do DR. O que alguns não se conformam é de não ter a matéria incluído nomes de empresas e profissionais que se aproveitam do momento de fragilidade de uma pessoa desempregada para enganá-la com falsas promessas de emprego e extorquir-lhe dinheiro.
Resolvi voltar a esse assunto pela enorme repercussão da matéria publicada semana passada. Recebemos muitas mensagens de profissionais que foram vítimas das chamadas empresas de headhunting e de outros que atravessam momento difícil e querem ajuda para não cair no golpe dos espertalhões do mercado que vivem de vender esperança para executivos desempregados.
A lista de reclamações processadas pelo Procon é grande. Algumas dessas empresas já foram punidas e outras estão sendo investigadas com base em queixas oferecidas pelas vítimas. Os detalhes estão à disposição de qualquer pessoa no site do Procon, que ainda não divulgou a lista da empresas faltosas em 2002. Mas na lista de 2001 podem ser encontradas as que estão sendo processadas. Aqui estão algumas e o respectivo número do processo:
CATHO - 48869697
ALPHALASER - 74641655
MANAGER - 53101242
OMNI - 55234199
PRIME - 68484302
Infelizmente, essa é uma área mal fiscalizada. Apesar da atuação do Procon punindo empresas, seus dirigentes não são afetados e quando a coisa aperta simplesmente trocam o nome da empresa a continuam a sujar o mercado aplicando o golpe da recolocação. Creio que a iniciativa de separar o joio do trigo deve partir da própria comunidade de recursos humanos. Caso contrário, as frequentes denúncias contra algumas continuarão sujando todas.
O DR conversou com um respeitado profissional do mercado e colheu algumas dicas que podem ajudar na hora de escolher a empresa que vai procurar uma nova colocação para os candidatos. Fique ligado para não cair no conto da recolocação:
- empresas de recolocação sérias cobram da empresa contratante e não do candidato;
- empresas sérias que buscam profissionais utilizam informações em sofisticada "network", que inclui Câmaras de Comércio onde se encontram executivos de grandes empresas;
- raramente uma empresa séria coloca anúncio em jornal, e quando o faz se utiliza de veículos especializados como Gazeta Mercantil, DCI, The Economist, etc. São anúncios que especificam o cargo. Desconfie dos anúncios vagos do tipo "precisamos de presidentes, diretores e gerentes;
- uma empresa séria convoca o candidato para a entrevista, não cobra nada e logo revela o nome do empregador interessado e o cargo. Desconfie daquelas que, logo na primeira visita, cobram do candidato e não dizem o nome da contratante, alegando sigilo nas negociações.
Encerro, deixando para reflexão dos leitores texto tirado de um informativo dos profissionais de RH onde se reconhece a existência de pirataria na recolocação de profissionais. Transcrevo trecho do Informativo NW 01/2003, assinado por Élida Maria Spinelli:
"A NW tem o dever de informar o que vem acontecendo sobre o abuso e a exploração que algumas pseudoconsultorias de recolocação profissional, que se utilizam da fragilidade dos profissionais que estão procurando uma colocação no mercado de trabalho apresentando oportunidades de empregos, que como num toque de mágica, solicitam um perfil exatamente igual ao do profissional que eles conseguem atrair.
Anúncios com ofertas de vagas em jornais, pesquisa em sites de divulgação de CV's são as ferramentas que são utilizadas para atrair seus clientes. Os profissionais que atendem ao chamado são tratados de uma maneira bem envolvente e direcionada, de maneira rápida para que não saia do local sem assinar um contrato e preencher um cheque para contratação dos serviços. Não bastasse todas as promessas de uma conquista de emprego, estão vendendo também a falsa idéia da obrigatoriedade de se submeter a uma avaliação psicológica para poder participar do processo, e é claro oferecem esse serviço também.
O fato é que colhendo depoimentos de profissionais que foram contatados por essas empresas, o retorno é sempre o mesmo....Após assinarem um contrato, efetuarem o pagamento, não conseguem mais ter nenhuma posição do profissional que o atendeu.
Portanto na tentativa de evitar que mais profissionais caiam no Conto da Recolocação alertem todas as pessoas de seu conhecimento para se protegerem quando receberem esse tipo de abordagem".
Fonte: Direto da Redação
Revista Consultor Jurídico, 28 de dezembro de 2002
Comentários
Comentários de leitores: 8 comentários
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