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Quem diria

Clube Militar: Lula é a esperança da sociedade brasileira.

A edição de dezembro da revista do Clube do Militar trata em seu editorial da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. O editorial vê na vitória de Lula o "o desejo ardente da população por mudanças".

O texto faz críticas ao governo de FHC que teria provocado o "esfacelamento das Forças Armadas Brasileiras, por meio de bem urdidas e sinistras ações governamentais, enfraquecendo-as criminosamente e afastando-as, deliberadamente, do centro do poder".

Leia a íntegra do editorial da revista do Clube do Militar:

O Clube Militar não poderia ficar omisso ante o espetáculo de Democracia dado em 27 de outubro de 2002, quando, em festa popular jamais presenciada no Brasil, foi eleito o seu novo Presidente da República - Sr. Luiz Inácio Lula da Silva - por uma fantástica margem de votos de 52.428.017, que superou em quase 20 milhões àqueles conferidos ao Dr. José Serra, candidato do Governo.

Não há como desconhecer, nos enormes números da vitória, o desejo ardente da população por Mudanças.

Fé ou vã esperança, sem dúvida o motor de tão expressiva vitória, plebiscitária de severo julgamento do atual Governo, foi o desejo das massas de buscar novos rumos, de afastar, sepultar os sofrimentos que, ao longo dos últimos 8 anos, lhe foram impostos e traduzidos por macabros números que não engrandecem um governo que, por tantos anos, teve nas suas mãos as rédeas da Nação: 13 milhões de desempregados, a menor taxa de crescimento do PIB nos últimos 50 anos, 53 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza em miserável situação que só envergonha nosso grande país, neles incluindo 22 milhões de famintos, dívida interna que hoje alcança mais de R$ 800 bilhões e que pode atingir R$ 1 trilhão no momento da passagem de Governo, dívida externa que mediante sucessivas renegociações chega próximo aos US$ 300 bilhões, empobrecimento e a quase destruição da classe média brasileira e, dentre outros muitos males aqui não citados, o esfacelamento das Forças Armadas Brasileiras, por meio de bem urdidas e sinistras ações governamentais, enfraquecendo-as criminosamente e afastando-as, deliberadamente, do centro do poder.

A tudo os militares assistiram calados, fiéis aos seus regulamentos militares, sabedores de que os homens passam, mas as suas Instituições permanecem, como última guarida na defesa da Pátria e do seu povo aviltado.

Questões de soberania nacional foram postas de lado e de forma vergonhosa nos sujeitamos sem opor resistências às pressões internacionais que, dia a dia, se fazem mais presentes e agressivas, num quadro globalizante para o qual não nos preparamos convenientemente na defesa dos mais lídimos interesses nacionais.

As barreiras comerciais impostas aos nossos produtos de exportação, o desejo de imposição "goela abaixo" de uma Alca que, da forma como está, não nos interessa, as tímidas negociações que resultaram no acordo de cessão da base de Alcântara por si só comprometedoras da nossa soberania, as enormes pressões que governos estrangeiros ou seus prepostos - as ONGs - exercem sobre a Amazônia, são apenas alguns exemplos de como o País foi traído e, de forma vil, negociado na arena internacional.

A tudo há que se acrescer o despojamento, a preço vil, do melhor do patrimônio nacional, a título de privatização, sem que o povo brasileiro fosse sequer ouvido sobre este torpe processo de desfazimento da riqueza nacional, amealhada e conquistada com o sacrifício e o suor dos milhões de brasileiros que, em sucessivas gerações, construíram este País.

Só havia um meio democrático de se opor a esse massacre antipatriótico: nas urnas, pelo voto silente mas revoltado do cidadão, afastando este Governo que tão servil foi ao estrangeiro e que tão feitor foi para com o seu povo.

O Sr. Luiz Inácio Lula da Silva canaliza as esperanças dos desesperançados e de uma imensa multidão de frustrados que sonha por melhores condições de vida para si e para seus familiares.

As expectativas são imensas. As promessas, muitas vezes exageradas, dificilmente poderão ser cumpridas e, por isso mesmo são fontes geradoras de perigosas pressões internas, às quais se somarão avantajadas pressões externas que estarão presentes quando os seus interesses imediatos forem atingidos e limitados.

A vitória do candidato Lula foi avassaladora: um NÃO ao continuísmo neoliberal que tanto mal nos causou.

Contudo a voz do povo é sábia e, mais uma vez, pelo voto, procurou equilibrar a balança do poder, distribuindo de forma heterogênea as forças que compõem o Legislativo Federal e os Executivos estaduais, onde o PT não logrou expressivos sucessos.

Prevaleceu o equilíbrio tão necessário, imperativo mesmo para a unidade federativa. Num período que se avizinha de profundas mudanças estruturais. Prevaleceu a sabedoria popular, não conferindo todo o poder a um só homem e a um só partido, como a história é prenhe em trágicas lições.

Prevaleceu o desejo de mudanças, sim, mesmo que profundas e necessárias, mas com respeito às normas democráticas e aos direitos básicos, do cidadão, tão duramente conquistadas ao longo da nossa vida como nação livre e independente.

Gen. Luíz Gonzaga Schroeder Lessa

Presidente do Clube

Revista Consultor Jurídico, 27 de dezembro de 2002, 15h18

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