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Crítica feroz

Fenapef repudia nome de Paulo Lacerda para a direção-geral da PF

Uma notícia publicada no jornal O Estado de São Paulo, na última sexta-feira (20/12), informou que o delegado Paulo Lacerda é o nome mais cotado para assumir a direção-geral da Polícia Federal.

Divulgada após reunião do futuro ministro da Justiça com representantes da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal e da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, a notícia provocou indignação e frustração para a maioria dos policiais federais, de acordo com Edison Tessele, diretor de Comunicação da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef).

"A categoria não aceita o nome de Lacerda porque acreditou e apoiou

um projeto de mudanças para o país e, em particular, a Polícia Federal. Paulo Lacerda não preenche esse perfil, pois tem estreitas ligações com o senador Romeu Tuma, o que significa, para nós, a retomada do controle da PF pelo grupo do ex-diretor-geral. Acredito que o dr. Márcio [Thomas Bastos] não confirmará o nome de Lacerda, pois ele não representa o consenso exigido pelo futuro ministro, além do que não será bom ao governo Lula iniciar com uma crise instalada na Polícia Federal", afirmou Tessele.

Na sexta-feira, o presidente da Fenapef, Francisco Garisto, recebeu diversas ligações de dirigentes dos 26 sindicatos filiados para repudiar o nome.

Tuma, que é um dos principais articuladores da indicação de Paulo Lacerda, foi diretor da Polícia Federal de 1985 a 1992 e saiu da instituição após um plebiscito em que mais de 95% dos policiais federais votaram "não" ao seu nome.

Para o diretor parlamentar da entidade, Marcos Wink, "não há dúvida de que o delegado Paulo Lacerda será mais fiel a Romeu Tuma do que ao ministro Marcio Thomaz Bastos e ao governo do PT".

"Não esperamos doze anos para eleger um governo transformador, sensível aos anseios de mudanças nas estruturas arcaicas do poder, colocando inclusive nossas carreiras em risco e sofrendo perseguições, para agora receber como retribuição uma administração que nada significa em termos de progresso na PF", afirmou.

Wink disse que "a Polícia Federal, há vários anos, tem se mantido sob o controle de políticos e dirigentes que não entendem nada de operação policial e a nomeação de Lacerda representará o fim de um sonho que nem começou".

Na visão de Edison Tessele, "a instituição já pagou um preço muito alto por se curvar a interesses políticos e seria um erro estratégico histórico e um completo desatino dos futuros governantes deixar o controle da área de inteligência nas mãos de pessoas descompromissadas com esse princípio".

A diretoria da entidade está convicta, também, que o delegado aposentado Paulo Lacerda é refratário a algumas das propostas do Projeto de Segurança Pública do PT, elaborado pelo Instituto da Cidadania.

Alguns tópicos da proposta defendida por Lula, que contam com o apoio irrestrito da Fenapef, têm sido motivo de críticas veementes e ataques pela ADPF e pela FNDPF, entidades de classe dos delegados federais. Destacam-se os seguintes itens:

1. O fim do indiciamento no inquérito policial;

2. As alterações do sistema de investigação, com a criação da Investigação Criminal, de iniciativa do MP, e da Apuração Sumária, menos burocrática e mais ágil que o inquérito policial;

3. Comunicação imediata dos delitos graves ao Ministério Público;

4. Remessa das investigações policiais ao MP e

5. Aperfeiçoamento do controle externo da atividade policial pelo MP, inclusive com diretrizes para a condução dos trabalhos das polícias.

Se as entidades que defendem o nome de Lacerda são contra essas propostas, evidentemente o delegado por elas apoiado comunga das mesmas idéias.

Fonte: Agência Fenapef

Revista Consultor Jurídico, 23 de dezembro de 2002, 12h54

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