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Sexta-feira, 20 de dezembro.

Primeira Leitura: taxa de risco do Brasil despenca.

Até que enfim

O dólar caiu abaixo dos R$ 3,50 nesta quinta-feira e fechou na menor cotação desde 20 de setembro: R$ 3,475 (-1,41%). A taxa de risco do país também despencou 2,19% no fim da tarde, chegando a 1.419 pontos.

Barreira

O nível de R$ 3,50 é o que se chama no mercado de "barreira psicológica": toda vez que a cotação se aproxima desse nível, há uma espécie de resistência. É preciso uma mudança forte no cenário para que a resistência seja vencida.

Dia do fico

A cotação da moeda americana vinha caindo ao longo da semana, enquanto o mercado assimilava melhor o nome de Henrique Meirelles para o BC - estava em R$ 3,74 na sexta, dia 13.

O toque final veio quinta-feira, quando Meirelles convidou os atuais diretores do BC a permanecer nos cargos. Pelo menos um, Sérgio Darcy, de Normas, já aceitou.

Continuidade...

Ou seja, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva promete não apenas manter a política econômica de Fernando Henrique Cardoso, mas também seus executores. De certa forma, o gesto de Meirelles põe fim à chamada transição: o malanismo continua, ponto.

...com continuísmo

É, também, uma cilada: no futuro, toda vez que um desses diretores pedir demissão, o mercado poderá pensar, e especular com isso, que a política econômica conservadora de FHC está sendo abandonada.

Revisionismo

Em discurso em Brasília, Lula cometeu uma barbaridade analítica: disse que a opção do PT de lutar no espaço democrático influenciou todos os movimentos de esquerda na América Latina e determinou os rumos da política no Brasil. "Se não fosse o PT, talvez o Brasil já tivesse virado uma Colômbia."

Esqueçam...

Lula provavelmente refere-se às guerrilhas e ao narcotráfico na Colômbia. Trata-se de uma bobagem monumental. Não houve guerrilha no Brasil porque, além de não haver pessoas dispostas a fazê-la, não houve condições sociais e políticas para tanto. Já se tentou, como sabe Genoino. Deu no que deu.

...o que ele disse

O PT que surge na década de 80, apesar de sua retórica socialista, já era composto de grupos de caráter não mais que reformista. Foram os intelectuais e os egressos da luta armada contra o regime militar que tentaram lhe emprestar um verniz revolucionário.

Palimpsesto

Nunca é demais lembrar a Lula que pode-se ser presidente sem estudar, mas é impossível ser sociólogo sem ler alguns livros-textos. Lula ganhou a eleição, mas não pode reescrever a história.

Assim falou... Henrique Meirelles

"Eu não posso dizer se sou mais ou menos conservador do que o doutor Armínio Fraga. Mas posso fazer uma afirmação: eu acho que o meu nível de conservadorismo é exatamente o mesmo do ministro Antônio Palocci."

Do próximo presidente do BC, quando perguntado se era mais ou menos conservador do que o atual ocupante do cargo, Armínio Fraga. E dando, também, uma indicação sobre como será a gestão econômica do governo Lula.

Justiça histórica

Passados quatro anos, Fernando Henrique Cardoso fez, pela primeira vez desde que os fatos ocorreram, um desagravo à chamada "ala desenvolvimentista" de seu governo, expurgada no episódio que ficou conhecido como "escândalo do grampo do BNDES". Em longa entrevista à Folha de S. Paulo, quinta-feira, FHC contou que teve de operar a desvalorização do câmbio praticamente sozinho: "Os que podiam me ajudar estavam longe, André Lara [Resende, ex-presidente do BNDES], Beto [José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica]".

De maneira indireta, o presidente reconheceu que os desenvolvimentistas eram os mais capazes para operar a mudança do regime de câmbio fixo para o câmbio flutuante, embora a chamada ala monetarista tenha-se tornado preponderante no governo: "As pessoas que estavam favoráveis a uma outra visão foram embora do governo." Sobre os ex-auxiliares, acrescentou: "É muito difícil encontrar gente assim. Gente do brilho do André, também é difícil você encontrar, o peito do Mendonça [Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações], enfim, cada um tem suas características".

Revista Consultor Jurídico, 20 de dezembro de 2002, 9h49

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