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Quinta-feira, 19 de dezembro.

Primeira Leitura: Banco Central eleva taxa Selic.

Serviço feito

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu elevar a taxa Selic em três pontos percentuais, de 22% para 25%, sem viés. O BC, sob o comando de Armínio Fraga, prestou, na verdade, uma ajuda ao governo Lula: a pior parte do serviço para conter a inflação foi feita. Talvez não seja necessária uma dose tão grande de juros adicionais em janeiro, na primeira reunião do Copom do novo governo.

Choque? Não!

Mas teria havido um choque na taxa-Selic? Os analistas ouvidos por Primeira Leitura preferem não usar essa qualificação. "O fato é que os juros estão correndo atrás da inflação. O núcleo aponta para uma taxa de 18% a 19% em 2003, o que nunca ocorreu nem em 1999, logo depois da mudança do regime cambial", disse o economista-chefe de um banco.

Ortodoxia...

De toda forma, a decisão, sancionada pelas declarações de Henrique Meirelles, presidente indicado para o BC pelo PT, reafirma a opção do governo Lula de usar instrumentos ortodoxos para administrar a crise econômica.

... na tela da Globo

No programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, o futuro ministro da Fazenda, Antônio Palocci, voltou a prometer um combate "implacável" à inflação e disse que, se for conquistada uma maior confiança [dos mercados] na política econômica, haverá uma curva de queda de inflação, que é "a prioridade".

Disciplina

Depois de falar com o sucessor de Malan, o governador reeleito do Acre, Jorge Viana (PT), defendeu o aumento da taxa básica de juros de 22% para 25% ao ano. Disse que a medida é 'dura e drástica', mas necessária. Para Viana, a alta da taxa-Selic evita riscos de última hora que poderiam prejudicar o cenário atual de uma transição tranqüila.

Na contra-mão

Já o vice-líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), mostrou que o partido de Lula não vai calar toda a sua base facilmente. "Não entendo como é possível assegurar o desenvolvimento sem baixar os juros." Pinheiro disse que os juros mais altos vão anular o aumento de arrecadação que foi assegurada na minirreforma tributária, aprovada na Câmara.

Custo

O custo para os que criticam, porém, pode ser alto. Walter Pinheiro, considerado um esquerdista, foi, digamos, convencido a desistir de sua candidatura para a presidência da Câmara. João Paulo Cunha (PT-SP), muito mais afinado com a cúpula do partido, é quem está no páreo.

Paz

O presidente do PT, deputado José Genoino (SP), disse ontem que seu partido está "em paz" e negou que tenha havido punição à senadora Heloísa Helena (PT-AL).

Paz?

Na terça-feira, em reunião da bancada petista no Senado, ficou decidido que a senadora não compareceria à Comissão de Assuntos Econômicos, na sabatina de Henrique Meirelles, indicado para a presidência do Banco Central por Lula. Motivo: ela não queria aprovar o nome de alguém da banca internacional.

Mais paz...

Ela também foi proibida de participar da sessão do Senado que votará a indicação de Meirelles.

Assim falou...Antônio Palocci

"Não se trata de mudar o modelo, por exemplo, da responsabilidade fiscal, do superávit primário. Essas coisas você tem que ter em qualquer política econômica. Tem que ter superávit quem deve. O Brasil deve."

Do futuro ministro da Fazenda, negando que ao término da transição haveria uma mudança de modelo. Lula havia prometido, na campanha, mudar o modelo de gestão da economia.

Ironias da história

Em nota dirigida aos bancos centrais e ministros da Economia do grupo dos dez países mais industrializados do mundo (G-10), várias associações do mercado de capitais, que representam grandes investidores privados, criticaram o projeto do FMI de reestruturação de dívidas de países emergentes para prevenir crises como a da Argentina.

A vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, defende um mecanismo similar ao aplicado às falências das empresas, mas o mercado não aceita arcar com perdas e quer deixar tudo como está hoje: quando os países ameaçam dar o calote, os organismos multilaterais de crédito entram em cena, com pacotes bilionários de socorro, que se consomem na próxima crise.

Esse é um exemplo clássico de que o mercado quer liberalismo total para os outros. Já para si mesmo, nada como uma boa intervenção institucional e muito dinheiro público...

Revista Consultor Jurídico, 19 de dezembro de 2002, 9h19

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