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Erro de diagnóstico

Hospital do RS é condenado por tratar leptospirose como virose

A 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul mandou a Sociedade Educadora e Beneficente do Sul Hospital Mãe de Deus pagar R$ 50 mil por danos morais e pensão mensal de 4 salários mínimos para uma jovem de 20 anos até que ela complete 24 anos de idade. Na ação, ela é representada pela avó.

O pai da jovem, um empresário de 36 anos, morreu por erro de diagnóstico. Ele teve leptospirose. Entretanto, foi tratado como se tivesse apenas uma virose, de acordo com o site Espaço Vital.

O caso aconteceu em maio de 2000. O empresário ingressou na emergência do hospital com febre de 40 graus, vômitos, diarréia, cefaléia, dores musculares e falta de apetite. O médico plantonista Marco Aurélio Pederiva diagnosticou "virose" e prescreveu o analgésico Tylex, segundo os autos. Então, o paciente foi liberado.

A filha do empresário alega que "a confiança no conceituado setor de emergência do Hospital Mãe de Deus levou o paciente a crer na correção do diagnóstico". Como não melhorou, o empresário voltou ao hospital dois dias depois. Na ocasião, ele também estava com "diurese concentrada, a indicar problemas renais". O hospital lhe receitou Novalgina.

O empresário foi internado na emergência do hospital somente "quando a situação clínica já era desesperadora". Na manhã do dia seguinte foi levantada a suspeita de leptospirose - confirmada em exame mais minucioso. Mas não deu tempo de tratar do caso. Depois de algumas horas, ele teve sucessivas paradas cardíacas e morreu. O exame cadavérico determinado pela Secretária da Saúde confirmou a leptospirose.

Na época, a imprensa gaúcha registrou vários casos de leptospirose no Estado. A família do empresário argumenta que o fato foi desconsiderado nos primeiros atendimentos emergenciais. Argumenta ainda que o hospital também não deu importância ao fato do empresário ser velejador em contato freqüente com água. Dias antes de começar a passar mal, ele esteve em Pelotas, onde tinham sido detectados alguns casos da doença.

Em primeira instância, o pedido foi julgado improcedente. No TJ gaúcho, o desembargador Luiz Ary Vessini de Lima, acatou os argumentos da filha do empresário. O hospital ainda pode recorrer da sentença.

Processo nº 70004288254

Revista Consultor Jurídico, 13 de dezembro de 2002, 10h53

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