Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Terça-feira, 10 de dezembro.

Primeira Leitura: PT está refém de partidos antes mesmo da posse.

Pratos limpos

O novo presidente do PT, José Genoino, abriu o jogo sobre o que o PT prepara para a economia. No primeiro ano, de dificuldades, haveria conservadorismo na gestão da economia; só a partir do segundo, seria implementado um programa que tivesse como metas o crescimento econômico e o emprego.

Pára-choque

A entrevista, para o Bom Dia Brasil, da Rede Globo, revela que o papel de Genoino, como presidente do partido, será mesmo administrar e apaziguar os setores do PT que reivindicam mudanças urgentes.

Sem planejamento

A fala do deputado deixa ainda entrever uma alteração de rumo na cúpula do petismo, que pretendia fazer do Ministério do Planejamento uma área estratégica para promover a tal "mudança de modelo". A pasta foi esvaziada. Se a idéia é um primeiro ano de arrocho monetário, todo o poder emanará do Ministério da Fazenda, de Palocci.

Sem confiança

O mercado, que já andava inquieto com vencimento de papéis cambiais na quinta e, principalmente, com a demora do PT de anunciar o nome do novo presidente do BC, fez uma leitura pessimista da entrevista. O dólar fechou a R$ 3,785 (+0,93%).

Sem estratégia

O PT dá a entender que sacrificar 2003 para a recessão resolveria todos os problemas. É uma visão errada. Crescimento não é apenas questão de vontade política. É preciso ter um plano de vôo e uma estratégia de longo prazo. Ou tudo não passará de sonho de uma noite de verão.

Linha de frente

Não por acaso, Genoino e o articulador político do novo governo, José Dirceu, é que foram escalados para receber uma carta de reivindicações do MST, com exigências como a de assentar 85 mil famílias. O MST ameaçou invadir terras. Genoino definiu a posição do futuro governo em relação ao Movimento como de "negociação, com diálogo eficaz e permanente".

Vende-se

Os líderes do MST pediram que o novo ministro do Desenvolvimento Agrário tenha perfil técnico e que o Incra não seja "loteado" entre os partidos aliados. Mas tal coisa já está acontecendo. O plano do PT de construir uma maioria partidária no Congresso antes mesmo da posse está tornando o partido refém dos partidos.

Aluga-se

O PMDB, que tem a segunda bancada na Câmara e a maior no Senado, exige duas pastas (Transportes e Planejamento) para dar apoio a Lula - e deve ser atendido. A deferência a um partido que não apoiou o petista na campanha está irritando os aliados.

Não há vagas

O PL diz que quer ter ao menos duas pastas (só recebeu a oferta de uma), o PC do B e o PDT recusaram os convites recebidos - para Esportes e Comunicações, respectivamente - e o PTB diz que só será da base governista se tiver cargos no primeiro escalão.

Assim falou...Leonel Brizola

"Essa lua-de-mel com partidos de centro e o empresariado dura no máximo sete ou oito meses".

Do presidente de honra do PDT, comentando o loteamento do ministério do PT e depois de, numa atitude sensata, recusar a oferta da pasta das Comunicações.

Ironias da história

Há algo de comum ente o dia 8 de dezembro de 2002 e o dia 13 de maio de 1891. Neste domingo, o complexo prisional do Carandiru foi ao chão. Naquele distante maio, há 111 anos, três anos depois da Lei Áurea, os arquivos da escravidão que estavam sob a guarda do Ministério da Fazenda foram incinerados. A idéia "genial" fora de Rui Barbosa, que, no ano anterior, decidira queimar todos os registros, matrículas e certificados de posse de escravos que estavam sob a guarda daquela repartição.

Rui Babosa queria isentar a República nascente de uma enxurrada de ações indenizatórias movidas pelos senhores de escravos. Ocorre que este país não resiste a uma grandiloqüência: para todos os efeitos, o ilustre brasileiro queria ver o país "livre de uma mácula": a escravidão.

Convenha-se: Rui Barbosa poderia ter resistido aos pedidos de indenizações - e eles foram, sim, em grande número - deixando a história em paz. Por mais nobre ou esperta que tenha sido a intenção, fez um grossa estultice. Talvez a implosão do Carandiru não seja uma besteira de mesmo quilate. Mas será que ela é assim tão digna de aplausos? Por que este país gosta tanto de ações simbólicas, de atos que apelam a uma certa teatralidade, a uma monumentalidade retórica escrita no vento?

Revista Consultor Jurídico, 10 de dezembro de 2002, 10h06

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 18/12/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.