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Quinta-feira, 5 de dezembro.

Primeira Leitura: dificuldade do PT para negociar gera insegurança.

Estresse

Vários fatores se juntaram para que o mercado fizesse uma leitura pessimista da realidade econômica no país. No front político, entrevê-se a ameaça de um choque, ainda que inicialmente brando, entre o deputado José Dirceu (SP), o homem forte da área política do PT, e Antônio Palocci, a principal voz da área econômica no partido e personagem eleita pelos mercados como âncora da confiabilidade econômica do futuro governo.

Dificuldades

A ameaça de insolvência de alguns Estados, que cobram compensações do governo federal, também contribuiu para criar um ambiente de insegurança. A esses fatores se juntaram as dificuldades do PT para negociar os termos da Medida Provisória 66, que trata da cumulatividade de impostos, e as dificuldades, que parecem crescentes, para Lula formar a sua equipe, tida já como "excessivamente petista" antes mesmo de ser anunciada.

Reflexos

O resultado desse conjunto de problemas se fez sentir no dólar, que fechou ontem a R$ 3,72, com alta de 0,81%. Até as 18h, o risco país estava em alta de 3,09%, a 1.603 pontos, e o C-Bond estava em queda de 2,02%.

Escalada capitalista

A China poderá adotar um regime de câmbio mais flexível. Segundo a vice-diretora-geral da Administração Estatal de Câmbio da China, Hu Xiaolian, as possíveis mudanças incluem o relaxamento das restrições existentes a investimentos chineses no exterior, de modo a equilibrar os fluxos de capital para dentro e para fora do país. As mudanças seguem recomendações do FMI.

Novo problema

Depois de aprovar, na terça, o uso de suas bases pelos EUA no caso de uma guerra contra o Iraque - desde que o conflito conte com a aprovação da ONU -, a Turquia informou que não permitirá um grande contingente de soldados americanos no território turco em uma eventual ofensiva.

Pressão de Washington

Quarta-feira, uma equipe de inspetores de armas da ONU visitou uma usina nuclear ao sul de Bagdá, enquanto outro grupo se dirigiu para um local não revelado no noroeste da capital iraquiana. Segundo a Reuters, o governo americano está pressionando os inspetores para que o trabalho no Iraque seja mais agressivo.

Assim falou...José Dirceu

"Quem fala sobre isso é o Palocci."

Do presidente do PT, ao ser indagado sobre uma reportagem, com base em "fontes do PT", segundo as quais Armínio Fraga pode permanecer na presidência do BC. Dirceu negou que tenha havido discordância entre ele e o coordenador da transição, Antônio Palocci, sobre o novo titular da instituição.

Tudo é história

Chega a ser engraçado ler nesse ou naquele jornal comentários mais ou menos desalentados, segundo os quais o PT "foi obrigado" a ceder aos mercados, como se o Paradigma de Soros - ninguém se elege contra os mercados - pesasse sobre a cabeça dos petistas como uma espada de Dâmocles.

Aliás, Primeira Leitura lembra aqui o real significado dessa imagem, que se perdeu ao longo do tempo, à força do clichê. Dâmocles era um mero cortesão de Dionísio, o Antigo (séc. 4 a.C.), cuja felicidade e vida fácil vivia exaltando. Este então sugeriu àquele que lhe tomasse o lugar por algum tempo, gozando de todas as facilidades do poder. No auge da festa, Dâmocles olha para o alto e vê a espada que pendia sobre a sua cabeça, entendendo, então, que a felicidade de um poderoso não é isenta de riscos. Bem, avancemos na alegoria: qualquer candidato (ou partido) pode, se quiser, fazer uma campanha contra "os mercados".

Quem disse que não? Terá, certamente, de arcar com as conseqüências. Os eleitores, por sua vez, podem, se quiserem, sufragar o nome do candidato antimercado. Também pagarão a conta por isso. Ora, políticos e sociedades podem, em certos momentos, considerar a altaneria um valor superior ao realismo. Ocorre que o PT concluiu que jamais venceria as eleições contra o mercado. Por isso, disse "amém" às regras. Assim, não são os mercados que amarram Palocci e o PT; foram Palocci e o PT que se amarraram aos mercados. Ou não estariam onde estão.

Revista Consultor Jurídico, 5 de dezembro de 2002, 9h45

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