Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Violência doméstica

Pesquisa: um terço das mulheres já foram agredidas pelo parceiro.

Um terço das mulheres já foram agredidas pelo parceiro. É o que revela a pesquisa feita na cidade de São Paulo e na Zona da Mata, em Pernambuco, sobre violência doméstica e saúde da mulher. O estudo foi conduzido pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e financiado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Para verificar a incidência das agressões e suas repercussões foram visitados 4.299 domicílios na cidade de São Paulo e na Zona da Mata, em Pernambuco, e entrevistadas 2.645 mulheres de 15 a 49 anos. Entre essas, 29%, em SP, e 34%, na Zona da Mata, relataram algum tipo de violência física e/ou sexual cometida pelo parceiro. Entre as lesões estão corte, perfurações, mordida, contusões, esfolamentos, fraturas e dentes quebrados.

A situação é tão crítica que, em média, 4,5 em cada 10 mulheres tiveram que sair de casa por algum tempo devido às agressões. O resultado total do estudo será apresentado no dia 9 de dezembro, a partir das 10 horas, na Faculdade de Medicina da USP.

Suicídio e alcoolismo

O impacto dessa situação sobre as mulheres vai além das escoriações e ossos quebrados, de acordo com o estudo. Aquelas que sofreram violência relataram mais problemas de saúde. As principais queixas foram dores ou desconfortos severos, dificuldade de concentração e tonturas. A tentativa de suicídio se mostrou duas a três vezes mais freqüentes entre as vítimas de violência. Outro problema comum é o abuso de álcool.

A violência contra a mulher tem influência também sobre as crianças, que tendem a ter pesadelos, chupar o dedo, urinar na cama e apresentar comportamento tímido ou agressivo. Além disso, é maior o índice de repetência escolar entre os filhos de mães agredidas.

Pedido de socorro

Apesar do pesadelo representado pela violência, 22% das mulheres em São Paulo e 24% na Zona da Mata jamais haviam relatado o fato, tendo sido a pesquisa a primeira oportunidade de falar sobre o assunto.

O estudo mostra ainda que é falha a resposta das instituições ao pedido de socorro das mulheres, o que exige a implementação de políticas públicas voltadas ao problema.

Direitos humanos

Com base nos resultados obtidos, os formuladores de políticas públicas passam a dispor de dados populacionais para subsidiar a criação de serviços ou o ajuste dos existentes para o enfrentamento da violência doméstica. O tema agora deixa de ser "briga de marido e mulher" e é entendido como uma violação dos direitos humanos e um sério problema de saúde pública.

O estudo foi feito em 2000 e 2001, utilizando critérios definidos pela OMS para todos os oito países participantes. Um deles é que fosse realizado em um centro urbano e em uma zona rural, o que determinou a escolha dos locais.

Além disso, deveria ser feito em parceria com organizações não-governamentais. Dessa forma, em São Paulo, contou com a colaboração do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e, em Pernambuco, com o SOS Corpo.

A preocupação com a ética, além da garantia de sigilo e fornecimento de material educativo, gerou ações adicionais para assegurar assistência gratuita às entrevistadas.

Revista Consultor Jurídico, 2 de dezembro de 2002, 13h08

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 10/12/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.