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Rede criminosa

Abin aponta envolvimento de juízes com crime organizado em MT

João Arcanjo Ribeiro, o comendador de Mato Grosso, foi alvo de uma reportagem do Fantástico (Rede Globo) que durou quase 15 minutos no último domingo. Um relatório secreto da Agência Brasileira de Inteligência, enviado ao Ministério Público Federal, indica que João Arcanjo está envolvido em exploração de cassinos, narcotráfico, contrabando internacional de armas, pedras preciosas e jogo do bicho.

Ele também é apontado como grande mentor do grupo organizado no Estado de Mato Grosso, que envolve juízes, desembargadores, promotores, agentes de polícia e delegados, segundo a Abin.

Arcanjo contribuiu para a construção do prédio do Poder Judiciário em Rondonópolis, interior do Estado. Há até uma placa de agradecimento ao comendador na entrada do prédio.

As investigações secretas de agentes federais apontam João Arcanjo como o chefe de uma das maiores redes criminosas já descobertas no País.

"Só as autoridades locais não têm condições nem isenção necessárias para fazer as investigações que devem fazer, porque o crime organizado está infiltrado nas instituições", afirmou Ussiel Tavares, presidente da OAB de Mato Grosso.

Temido

Na reportagem exibida no "Fantástico", uma testemunha declarou ao Ministério Público que o dono do jogo do bicho em Mato Grosso, João Arcanjo, foi quem mandou matar o empresário Sávio Brandão, fundador do jornal Folha do Estado.

O crime ocorreu no dia 30 de setembro deste ano, em frente à nova sede do jornal. Sávio levou sete tiros de pistola, supostamente disparados pelo cabo Hércules de Freitas Agostinho, preso três dias após o assassinato. Um ex-soldado da Polícia Militar, Célio Souza, também foi detido e teria participado da pistolagem.

O jornal de Sávio Brandão combatia o jogo do bicho, a exploração de caça-níqueis e o narcotráfico. Em um das edições, o jornal comparou Arcanjo ao maior mafioso americano, Al Capone, estabelecido em Chicago, região dominada muito tempo pelo crime organizado.

A reportagem relembrou crimes em que pistoleiros executaram políticos, empresários, policiais e até um juiz em Mato Grosso. No caso, o juiz assassinado foi Leopoldino Marques do Amaral, morto a tiros em 7 de setembro de 1999, logo após denunciar um esquema de compra de sentenças que contaria com a participação de desembargadores do Estado.

Quem é ele?

As investigações do Ministério Público Federal mostram que João Arcanjo Ribeiro é dono de um conglomerado de empresas. Ao todo, Arcanjo possui cerca de 20 empreendimentos em Mato Grosso. Ele tem nove empresas de factoring - companhias que operam no mercado financeiro. Também é dono de um hotel de luxo na Flórida, Estados Unidos.

O comendador controla dez propriedades rurais - entre elas uma gigantesca fazenda de piscicultura. A rede de lojas que vende os pescados também pertence a Arcanjo, assim como o Rondon Shopping, de Rondonópolis, um dos maiores centros de compras do Estado, avaliado em pelo menos R$ 20 milhões.

"João Arcanjo é um ex-agente da polícia que, repentinamente, num período de alguns anos, conseguiu formar uma fortuna pessoal de várias centenas de milhões de reais, não só no Brasil, como no exterior. E essas propriedades não têm lastro legal que justifique sua aquisição", disse o procurador Guilherme Schelb na entrevista.

"Queremos crer que existem outros crimes aqui envolvidos: estamos falando em contrabando, em formação de quadrilha, em organização criminosa, corrupção, falsificação", afirmou o procurador da República que atua em Mato Grosso, José Pedro Taques.

Uma investigação do Ministério Público e da Receita Federal mostra ainda que as empresas financeiras do comendador movimentaram mais de R$ 2 bilhões nos últimos quatro anos.

O procurador Pedro Taques foi ameaçado pela máfia de Mato Grosso. Quem entende do assunto, no caso a testemunha mostrada na reportagem do Fantástico, disse que existe um prêmio alto para o pistoleiro disposto a matar Taques: cerca de R$ 2 milhões.

De acordo com o programa, as investigações do Ministério Público apontam o coronel da reserva da Polícia Militar Frederico Lepesteur como o braço direito do comendador João Arcanjo. O coronel se apresenta como uma espécie de "cobrador de dívidas", dono da empresa Continental, que funciona em Cuiabá.

Num cartão de visita, o militar promete: "Se você tem dívidas a receber ou a pagar e está sofrendo com os caloteiros (...) não sou macumbeiro nem pai de santo, mas disponho de uma oração forte, poderosa e eficiente. Minha oração não falha e para tudo há solução. Confie e ligue-me. Coronel PM Lepesteur".

O coronel, segundo o "Fantástico", está sendo investigado no processo que apura o assassinato do empresário Albérgio Alexandre Araújo, dono do bingo Arpoador, no Rio de Janeiro. Albérgio levou dois tiros de fuzil em janeiro do ano passado, em Búzios, Estado do Rio.

Fonte: Folha do Estado

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Revista Consultor Jurídico, 2 de dezembro de 2002, 18h25

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