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Sexta-feira, 23 de agosto.

Primeira Leitura: ex-genro de FHC reforçará campanha de Ciro.

ACM em ação

David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e ex-genro do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi convidado pelo ex-governador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para reforçar a campanha do candidato Ciro Gomes.

Zylbersztajn aceitou a incumbência de elaborar uma política energética para o país e lembrou que já havia sido sondado, há cerca de um mês, por Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

Divergências

Como Tasso, Zylbersztajn é filiado ao PSDB, mas alegou divergências com o candidato tucano José Serra. "Ele pensa uma coisa, e eu, outra. Não sou obrigado a fazer a campanha dele", declarou.

Retrocesso?

O ex-presidente da ANP considera "um retrocesso" a decisão do governo, defendida por Serra, de controlar o preço do gás de cozinha. Para Zylbersztajn, a Petrobras deveria agir livremente, apenas buscando o melhor interesse de seus acionistas, e como se o mercado brasileiro fosse, de fato, aberto e competitivo.

Monopólio

Acontece que: 1) o mercado brasileiro é um monopólio natural da Petrobras, que detém quase toda a capacidade de refino; 2) é obrigação dos governos controlar monopólios; 3) o governo federal é o maior acionista da estatal; 4) o interesse econômico do país não pode ser prejudicado pelo amor a um princípio.

Direita, volver

A entrada de Zylbersztajn significa mais um passo à direita da candidatura de Ciro, que se consolida como o espaço das forças conservadoras no Brasil. O ex-genro de FHC também reforça, na economia, o time liberal da candidatura, cuja estrela maior é o economista e professor José Alexandre Scheinkman, formado na tradição ultraliberal da Universidade de Chicago.

Direita, sim...

A afirmação de que a candidatura de Ciro Gomes é de direita ainda causa certa estranheza. Afinal, seu partido, PPS, é o ex-Partido Comunista do Brasil (PCB). Só a conformação de suas idéias econômicas já seria suficiente para situá-la no lado mais conservador do espectro político.

...como não?

Sem falar nas pessoas: ACM, Jorge Bornhausen, Roberto Jefferson, José Carlos Martinez...

A guerra...

O embate jurídico entre Ciro e Serra continua. Ontem, o TSE puniu este, dando direito de resposta a Ciro pelo ataque promovido terça no programa do PSDB e proibindo o uso da imagem em que Ciro chama um eleitor de “burro”. O tucano tem 72 horas para recorrer.

...dos mundos

O embate entre ambos evidencia o bifrontismo do governo FHC. Por conta da enorme capacidade de acomodação do presidente, esses dois grupos permaneceram mais ou menos pacíficos durante a maior parte do atual governo.

A direita, abrigada sob Ciro, conseguiu deixar o ônus do governismo para grupo mais de centro que formou com Serra.

Amigos, amigos...

Ônus este, é bom que se diga, causado por políticas que esta direita sempre apoiou enquanto esteve aliada ao Planalto.

Olímpico

Enquanto seus principais oponentes se digladiam, Lula fica livre para, magnânimo, fazer uma campanha despolitizada, que apela para a emoção. Sem ter de se haver com temas como continuísmo ou não-continuísmo de FHC, Lula trata apenas de assuntos práticos: saúde, remédios, plataformas da Petrobras...

Assim falou...Ciro Gomes

“Quem é ladrão, quem roubou, porque eu não tenho rabo de palha, nessa munheca aqui ninguém pega. (...) Quem for podre que se arrebente. Isso é um aviso para o ministro da dengue, para aquele que está mandando grampear telefone, espionando a vida alheia”.

Do candidato do PPS, em Fortaleza, mandando novos ataques a José Serra. A primeira parte da frase lembra o “eu tenho aquilo roxo”, do ex-presidente com o qual Ciro detesta ser comparado.

Tudo é história

Em maio de 2001, quando ainda diretor da ANP, o ex-genro David Zylbersztajn fez duros ataques ao Judiciário durante o processo de análise das regras para o racionamento de energia.

"Parece que os juízes vivem em Marte", afirmou, na época, para em seguida ameaçar consumidores que entrassem com ações judiciais contra as medidas. "Quem vencer na Justiça vai ganhar o apagão." Então ficamos assim: Zylbersztajn detesta o Judiciário, Mangabeira detesta o Legislativo, Scheinkman detesta o Estado e Ciro adora o Executivo.

Revista Consultor Jurídico, 23 de agosto de 2002, 9h58

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