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Quarta-feira, 14 de agosto.

Primeira Leitura: se Ciro continuar ambíguo, mercado deve reagir.

FHC e os candidatos

Primeira Leitura sempre apontou os equívocos da política econômica do governo, dentre outras coisas, por aumentar a vulnerabilidade externa do país. Mas, uma vez o mal feito e a crise instalada, há de se admitir que Fernando Henrique Cardoso fez a coisa certa ao fechar um acordo com o FMI e, agora, ao tentar obter dos candidatos um compromisso para dar estabilidade à transição de governo.

Cobrança

FHC cobrou terça-feira que os candidatos à Presidência “assumam suas responsabilidades” para evitar que a eleição contribua para aumentar a falta de confiança no país.

A reunião que ele terá na segunda-feira com cada um dos quatro principais presidenciáveis servirá para deixar claro quem atende ou não a esse chamado.

Conversa breve

As reuniões entre o presidente e os candidatos devem durar apenas uma hora. Cada presidenciável pode levar dois assessores econômicos. Pelo governo, estarão também os ministros Pedro Malan (Fazenda) e Pedro Parente (Casa Civil) e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Ambigüidade

Ciro Gomes (PPS), mais uma vez, adotou uma postura ambígua. Disse que não se furta a discutir, mas negou ter sido convidado. Foi sim. Pedro Parente procurou membros da campanha.

Depois de segunda-feira, Ciro terá de assumir a responsabilidade pelo que diz e faz. Se for ambíguo de novo, os mercados devem reagir.

Jogo de cena

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse prontamente que vai ao encontro com FHC, mas, em nota oficial divulgada terça-feira, afirmou rejeitar “jogo de cena que oculte ao povo brasileiro a necessidade de mudanças fundamentais no rumo do Brasil”. Age certo, mas não deixa de fazer o seu jogo de cena também, preservando a imagem de oposição.

Irritação

José Serra (PSDB) elogiou publicamente a iniciativa de FHC, mas ficou irritado porque teme que os encontros sejam vistos como falta de confiança do presidente em sua candidatura. Está enganado. Se FHC conseguir comprometer Ciro Gomes, por exemplo, tira dele o discurso de oposição que tanto tem atrapalhado Serra.

Dólar em alta

O dia do mercado de dólares ontem foi dos mais voláteis. A moeda chegou a R$ 3,26 e recuou em seguida. Por duas vezes, caiu a menos do que a cotação de segunda-feira, mas fechou, por fim, a R$ 3,165, com alta de 0,48%.

Mordaça

A crise cambial e as implicações da campanha presidencial sobre o mercado fizeram com que grandes bancos de investimentos de Wall Street impusessem uma espécie de “lei da mordaça” a seus analistas.

Alguns deles têm importantes investimentos no Brasil e perdiam dinheiro a cada vez que seus funcionários emitiam recomendações de venda de títulos e ações de empresas brasileiras.

Crise lá

O Fed, banco central dos Estados Unidos, decidiu não mexer na taxa de juros do país, hoje em 1,75% ao ano, mas adotou um viés de baixa, por causa do risco de a economia desacelerar ainda mais.

O mercado, que cultivou a expectativa de um novo corte durante a semana passada, reagiu mal à decisão. A Bolsa de Nova York começou a cair logo depois do anúncio, fechando em baixa de 2,3%.

Assim falou...Ciro Gomes

“Ofereço minha experiência. O resto é tentativa de domesticação. Vão domesticar o Lula, que está ‘entreguezinho’.”

Do candidato do PPS, ontem, ao rejeitar a idéia de assumir um compromisso de transição do atual para o próximo governo.

Ironias da história

O megainvestidor George Soros tornou-se mundialmente conhecido por sua agressividade na especulação com moedas dos mais diversos países. Ajudou a quebrar alguns deles. Hoje, tornou-se também um grande filantropo e crítico do capitalismo global.

Em artigo no jornal britânico Financial Times, Soros sugeriu uma forma de ajudar países em dificuldades financeiras. Em vez de um tradicional pacote de socorro do FMI, como o dado ao Brasil, ele propõe que os bancos centrais dos países desenvolvidos comprem, com desconto, papéis das dívidas das nações em crise. Os vendedores se comprometeriam a recomprá-los. A idéia é boa, mas improvável. Soros talvez tenha mudado. O mundo continua o mesmo.

Revista Consultor Jurídico, 14 de agosto de 2002, 9h47

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